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PRESIDENTE! O SONHO ACABOU...

Ele esfregou os olhos como criança. Piscou várias vezes. A penumbra da manhã impúbere digladiava contra a noite rebelde, envelhecida, teimosa. Ela sabia de sua derrota cotidiana, desistiu e se encolheu, aguardando escondida em conhecidos cantos inabitados. Conformada, sabia da vitória certeira contra a iluminação do dia que murcharia dentro de algumas horas. Ele voltou a esfregar os olhos remelentos, sentir o sonho recém apagado. A agenda do dia disparou assessores pelas quinas do palácio. Desde os primeiros dias de poder, não havia mais tempo para devaneios infantilóides e o sonho se dissipava no emaranhado confuso das marchas e contra-marchas, dos argumentos e contra-argumentos, das possibilidades e impossibilidades, todas ignoradas no longo, muito longo e mal feito... (leia mais)

Airo Zamoner




REBELDIA

- Espere aí! Você não está querendo dizer que o que me falta é rebeldia, está? - Estou! - Isso é inacreditável! Tive uma vida regrada. Tudo certinho no lugar. Me formei, fiz mestrado, doutorado, pós-doutorado e trabalho diuturnamente em pesquisas vitais para a humanidade... Não sou estúpido pra jogar tudo isso pro alto! - Estou tentando ajudar a explicar essa sua sensação... Você está aqui agora, em pleno horário de expediente, sentado comigo neste banco público... Por quê? - Já disse antes! Não me sinto bem! - E o médico? - Não é coisa de médico... - Então, voltamos ao início. Vou falar agora com todas as... (leia mais)

Airo Zamoner




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   > Arlete Meggiolaro

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Arlete Meggiolaro
Em abril, mês das "rosas de Dorival Caymmi", numa humilde casa de vila na zona Norte desta mega metrópole de São Paulo, o jovem casal acolhe num berço simples a primogênita Arlete. Algumas décadas depois, no início do ano de 2001, por fatores externos alheios à minha vontade, injetaram-me nas veias a síndrome do pânico. Esta me encarcerou atrás das barras de ferro do não existir. Em dezembro do mesmo ano, um poema do autor A.C.F. penetrou-me e ejaculou em meu íntimo o sêmen da palavra. Eu não era poetisa, mas nasceram textos e os reuni como poemas. Nesse período, descobri que amava a palavra. Desde então, fui ao encontro desta analista, e não tive mais vontade de parar de escrever. No Museu Lasar Segall, com o Professor Gilson Rampazzo, frequentei em curto período, a Oficina Literária. Numa frenética busca pela internet, deparei com o escritor e professor Airo Zamoner. Com este mestre comecei a entender que poderia exibir minhas silhuetas de forma linear. Não abandonei o descontínuo, estes se encontram noutras páginas. Através deste manancial da palavra, afoguei a síndrome do pânico. Renasci. Arlete Meggiolaro