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PRESIDENTE! O SONHO ACABOU...

Ele esfregou os olhos como criança. Piscou várias vezes. A penumbra da manhã impúbere digladiava contra a noite rebelde, envelhecida, teimosa. Ela sabia de sua derrota cotidiana, desistiu e se encolheu, aguardando escondida em conhecidos cantos inabitados. Conformada, sabia da vitória certeira contra a iluminação do dia que murcharia dentro de algumas horas. Ele voltou a esfregar os olhos remelentos, sentir o sonho recém apagado. A agenda do dia disparou assessores pelas quinas do palácio. Desde os primeiros dias de poder, não havia mais tempo para devaneios infantilóides e o sonho se dissipava no emaranhado confuso das marchas e contra-marchas, dos argumentos e contra-argumentos, das possibilidades e impossibilidades, todas ignoradas no longo, muito longo e mal feito... (leia mais)

Airo Zamoner




COLEÇÃO ARQUIVOS - TESOUROS ETERNOS DA LITERATURA IBERO-AMERICANA

Livros à mancheia têm-me chegado nestes últimos meses, levando-me a um profundo mergulho no tempo. A uma reflexão intensa sobre o quanto desconhecemo-nos, ainda que parte imensa nesta América, latina e de proporções gigantescas no tocante a problemas, sim, mas também no tocante à riqueza cultural. Muitas das edições que tenho recebido não são atuais, porém preciosas ao nosso processo de busca e de integração, no qual o fator cultural faz-se imprescindível. Sem conhecermos o passado, lutamos por uma identidade inexistente, segundo alguns autores especializados no estudo e na pesquisa do fenômeno cultural ibero-americano. E as novidades, às vezes antigas, nos impedem este retorno urgente à nossa formação, à nossa certeza de que somos dignos de respeito pela... (leia mais)

Tânia Gabrielli-Pohlmann




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   > Arlete Meggiolaro

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Arlete Meggiolaro
Em abril, mês das "rosas de Dorival Caymmi", numa humilde casa de vila na zona Norte desta mega metrópole de São Paulo, o jovem casal acolhe num berço simples a primogênita Arlete. Algumas décadas depois, no início do ano de 2001, por fatores externos alheios à minha vontade, injetaram-me nas veias a síndrome do pânico. Esta me encarcerou atrás das barras de ferro do não existir. Em dezembro do mesmo ano, um poema do autor A.C.F. penetrou-me e ejaculou em meu íntimo o sêmen da palavra. Eu não era poetisa, mas nasceram textos e os reuni como poemas. Nesse período, descobri que amava a palavra. Desde então, fui ao encontro desta analista, e não tive mais vontade de parar de escrever. No Museu Lasar Segall, com o Professor Gilson Rampazzo, frequentei em curto período, a Oficina Literária. Numa frenética busca pela internet, deparei com o escritor e professor Airo Zamoner. Com este mestre comecei a entender que poderia exibir minhas silhuetas de forma linear. Não abandonei o descontínuo, estes se encontram noutras páginas. Através deste manancial da palavra, afoguei a síndrome do pânico. Renasci. Arlete Meggiolaro