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A DIMENSÃO QUE NÃO TERMINA

Um Preâmbulo Em Uberaba, centenária cidade do Triângulo, o primeiro número de Dimensão vinha a lume em Julho de 1980. “Uma simples revista de poesia”, escreveu então seu editor. O futuro se encarregaria de desmentir o título do primeiro editorial, porém se manteria constante através dos anos o propósito do novo periódico. “E´esse, apenas esse, o compromisso desta revista, mais uma entre tantas, mortas, existentes ou ainda por existir: efetivo compromisso com a qualidade da poesia”. O compromisso com a qualidade da poesia manteve-se durante os trinta números da publicação. Ao longo dos seus quase vinte e um anos de circulação (Julho de 1980 – Abril de 2001), é um marco de sua excelência. Outras balizas foram atingidas no curso do tempo, levando... (leia mais)

Aricy Curvello




Finalmente, a verdade!

Nada me desperta mais a atenção que a expressão de seu rosto. Olhos pequenos, escuros, escondidos atrás de sobrancelhas grisalhas de onde salta um brilho ofuscante. Olhos ligeiros, matreiros, espertos a contrastar com a velhice que o ronda, que o paquera, que joga alhures seu charme traidor. O sorriso dele, não é coisa facilmente identificável. É um ligeiro esgar maroto, quase sarcástico, às vezes para o lado direito, outras para o esquerdo. É algo forte que agride meu cérebro. Algumas vezes cruzo com ele pela Rua das Flores da minha Curitiba encantada. Em outras, estamos lado a lado, lendo a mesma notícia no jornal pregado na banca. No frio, sempre usa um surrado capote desbotado. No calor, o mesmo paletó xadrez de mangas puídas. Claudicante, corpo encurvado,... (leia mais)

Airo Zamoner




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   > Aricy Curvello

  AUTOR  
 
Aricy Curvello

ARICY CURVELLO
Nome literário de ARICY CURVELLO D’ ÁVILA FILHO.

OBRA EM POESIA:-
Os Dias Selvagens te Ensinam (Belo Horizonte: Editora Vega, 1979; com prefácio de Fábio Lucas e orelhas de Edgar da Matta Machado).
Vida Fu(n)dida (Coleção Solidariedade Ñ Dói,Ubatuba: Haibã Autas Produções,1982; editado em prelo manual pelo artista plástico e poeta Hélio Lete).
Mais que os Nomes do Nada (Coleção do Poeta n.3. São Paulo: Editora do Escritor, 1996).
Menos que os Nomes de Tudo: A sair.

OBRA EM PROSA:
- Uilcon Pereira: no coração dos boatos (São Paulo/ Porto Alegre: Edit. Giordano/Ed. AGE, 2000). Prêmio Joaquim Norberto (Ensaios Publicados/Biografia) da União Brasileira de Escritores, do Rio de Janeiro.
- Anto: revista portuguesa de poesia (Florianópolis: Coleção Mapa nº 26, Museu/Arquivo da Poesia Manuscrita, 2000).
- A Dimensão que não Termina ( Florianópolis: Coleção Mapa nº 28, Museu/Arquivo da Poesia Manuscrita, 2002).

ORGANIZADOR DE:
- Poesía de Brasil – Vol. I . ( Bento Gonçalves: Proyecto Cultural Sur, 2.000.) Trad. para o Espanhol pelo prof. universitário uruguaio Gabriel Solis..A obra foi lançada na IX Feira Internacional do Livro de Cuba, em Havana, em Fevereiro de 2.000.
- Poésie du Brésil – Vol.I . ( Bento Gonçalves: Proyecto Cultural Sur, 2002.) Trad. para o Francês pela Profª Haidê Vieira Pigatto. A obra foi lançada no Teatro Nacional de Brasília, em Maio de 2002.

INCLUSÃO EM ANTOLOGIAS DE POESIA IMPORTANTES NO BRASIL:
Encontros com a Civilização Brasileira n. 19 ( Org. de Moacyr Félix. Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira, jan. 1980. Uma das mais importantes revistas brasileiras na segunda metade do século XX. Tomou a frente na luta pelas liberdades democráticas e pelo retorno ao estado de direito, contra as ditaduras militares.)
Cem Poemas Brasileiros. ( Org. de Vladir Nader e Y. Fujyama. São Paulo:Ed. Vertente, 1980. A obra reúne os vencedores do Concurso Nacional de Poesia instituído pela revista Escrita naquele ano.)
Brasília na Poesia Brasileira. (Org. de Joanyr de Oliveira. Brasília: Instituto Nacional do Livro/ Fundação Nacional Pró-Memória; Rio de Janeiro: Livraria Editora Cátedra, 1982.)
Varal de Poesias ao Sabor do Vento . (Seleção e org. de Douglas Carrara . Rio de Janeiro : Ribro Arte Editora, 1986. Apoio : Metrô e Secret. de Cultura do Rio de Janeiro . Patroc:Editora Vozes .)
Livro de Prata. (Obra comemorativa. dos 25 anos da Editora. São Paulo: Edit. do Escritor, 1995.)
A Poesia Mineira no Século XX. (Org. de Assis Brasil. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1998.)
Saciedade dos Poetas Vivos . Vol . XIII , Volúpia . (Org. de Urhacy Faustino e Leila Míccolis . Rio de Janeiro : Editora Blocos , 1999 . )

INCLUSÃO EM ANTOLOGIAS DE POESIA NO EXTERIOR:

I. Espanha:
Poemas y Relatos Desde el Sur. ( Org. de Federico Nogara. Prólogo de Aitana Alberti. Barcelona : Ediciones Carena, 2001. A obra traz autores argentinos, brasileiros, uruguaios, chilenos, cubanos e espanhóis.)
Antología de Poesía Brasileña/ Antologia de Poesia Brasileira. (Org. de Xosé Lois García. Projeto previamente aprovado pela Biblioteca Nacional do Brasil. Santiago de Compostela: Edicións Laiovento, 2002. O volume traz 44 poetas brasileiros contemporâneos.)

II. Estados Unidos:
International Poetry . Boulder: Teresinka Pereira Editor , University of Colorado, 1983 .
Helicóptero . Vol. 3-4., Eugene-OR, março 2.000. ( Jornal de professores do Depto. de Línguas Neolatinas, da Universidade de Oregon. Publicou antologia com 15 poetas brasileiros contemporâneos. Org. de Paul Dresman e Jesús Sepúlveda. Cada poeta teve um poema publicado em Português e trad. para o Espanhol e o Inglês. Parte da edição circulou como encarte, cobrindo a do diário espanhol El País, de Madri, no dia 12 de março de 2.000.)

III. França:
Brésil 500 Ans. (Org. por Christiane e Jean-Paul Mestas. Nantes: Jalons, Cahier Particulier, 2000.)

IV. Portugal:
Anto nº 3. Amarante: Edições do Tâmega, primavera de 1998. (Número da revista dedicado ao Brasil.)
Id. nº 6. Id. id., outono de 1999. ( Mostra de poesia ibero-americana, com poetas de Espanha, Portugal, Brasil e principais países da América Hispânica.)
Antologia de Poetas Brasileiros. ( Org. de Mariazinha Congilio, c/ colaboração do Prof. Fábio Lucas. Lisboa: Universitária Editora, 2000. São apresentados 64 poetas considerados representativos da segunda metade do século XX.)
Reflexos da Poesia Contemporânea do Brasil, França, Itália e Portugal. (Org. de Jean-Paul Mestas. Lisboa: Universitária Editora, 2000. Edição bilíngüe, Português/Francês. São doze poetas brasileiros, doze franceses, doze italianos e treze portugueses, inclusive Eugénio de Andrade.)
Vejo-te como se pode ver através desta chuva oblíqua. ( Coord. por José Chaves de Vasconcelos e João Veloso. Prefácio de Vera Vouga. Porto: Granito Editores e Livreiros, Coleção Arte de Ler nº 6, jun. 2001.)
Um Mundo no Coração/ Un Monde au Coeur. ( Org. de Jean-Paul Mestas. Equipe de tradutores franceses. Lisboa: Universitária Editora, set. 2001. Edição bilíngüe, Port./Francês. A obra traz 84 poetas de 57 países, sendo cinco brasileiros.)
Povos e Poemas/ Peuples et Poèmes. ( Id. Lisboa: id., 2002, a sair. O volume apresenta poetas de 100 diferentes países.

ENSAIO EM LIVRO:
O Diário Visto Além do Espelho. Prefácio a Sementes no Espaço, de Ascendino Leite. Rio: Livraria Edit. Cátedra, 1988, tomo I, pp. 1-8.


ENSAIOS, ARTIGOS E RESENHAS EM REVISTAS E JORNAIS
001. A Náusea e o Mimeógrafo (Os Poetas Estão nas Ruas). (Revista) Letras de Hoje, n.51, PUC do Rio Grande do Sul / Centro de Estudos da Língua Portuguesa/ Curso de Pós-Graduação em Linguística e Letras, Porto Alegre, mar.1983, pp.7-15.
002. Id. Em Revista n.18, Editora do Escritor, S.Paulo, 1985, pp.7-16.
003. Ib. (Jornal) Letra Livre n. 20 ano II , Robson Achiamé Editor, Rio de Janeiro, 1998, pp.6-8.
004. A Náusea e o Mineógrafo – para uma história dos novos poetas do Brasil. (Supl.) Especial. Correio Popular, Campinas, 16 out.1983, p.49.
005. Com um Braço em Cada Hemisfério. Letras de Hoje n.67, PUC/RS, Porto Alegre, mar.1987, pp.89-95.
006. Babilônia, Bizâncio, Babel e Brasil (ou A Per-Versão da Linguagem ). Revista de Letras, Vol.12, n.1/2 , Universidade Federal do Ceará / Departamento de Letras, Fortaleza, jan-dez.1987, pp.285-295.
007. Id. (Suplemento) Cataguases (do jornal homônimo) n.12 ano II, Cataguases, jul.1987.
008. O Diário Visto Além do Espelho. (Sobre os diários do escritor Ascendino Leite.) Suplemento Literário, Diário Oficial do Estado do Amazonas, n.21 ano II, Manaus, jul.1988, pp.3-4.
009. Anto: A Revista Literária de Portugal.(Jornal) Poiésis, Literatura, Pensamento & Arte n.63 ano VI, Petrópolis (RJ), set.1998.
010. Id. Correio do Sul n.7780 ano LIV , Varginha (MG), 1º caderno, 1º out.1998, p.5.
011. Ib. Pouso Alegre n.195 ano I , Pouso Alegre (MG), 1º caderno, 1º out.1998, p.5.
012. Diário do Nordeste, (Caderno) Cultura, Fortaleza, 18 out.1998, p.4.
013. A Voz do Vale, Gaspar/Blumenau (SC), 4 a 10 nov.1998, p.16.
014. Literatura – Revista do Escritor Brasileiro n.15 ano VII, Brasília (DF), dez.1998.
015. O Escritor – Jornal da União Brasileira de Escritores n.86, S.Paulo, jan.1999, p.14.
016. Diário do Povo, Teresina (PI), 7 jan.1999.
017. Poesia etc.-Jornal de Literatura e Arte n.6 ano II , Rio de Janeiro, mar.1999.
018. A Figueira – Poesia e Prosa n.74 ano IX, Florianópolis, mar.1999, pp.2-4.
019. Bisbilhotecando – SESC Guarabira n.1, Guarabira (PB), mar.-abr. 1999, pp.2-3.
020. Jornal do Brejo, ( I ), ano V n.59, Guarabira (PB), 14 a 21 mai.1999, p.4.
021. Id. (II), ano V n.60, 21 a 28 mai.1999, p.6.
022. Correio da Manhã, (Caderno) DM Revista. Goiânia (GO), 14 jun.1999, p.4.
023. Jornal da Cidade, Poços de Caldas, 15 jul.1999, p.4.
024. Anto – A Revista Portuguesa . (Jornal) O Capital – Jornal de Resistência ao Ordinário n.72 ano IX, Aracaju, jul.1999, p.10.
025. Anto : A Revista Literária de Portugal . Correio das Artes ( Supl. Cultural do jornal A União) n.423, João Pessoa, ago.1999, p.15.
026. Id. (Jornal) Garatuja n.63, Bento Gonçalves, fev.2000, p.7.
027. Uma Antologia de Poetas Latinos Contemporâneos. Literatura - Revista do Escritor Brasileiro n.16 ano VIII, Brasília, jun.1999, pp.77-78.
028. Id. Correio do Sul n.7993 ano LV, Varginha, 12 ago.1999, 2º caderno, p.4.
029. Uma Antologia de 40 Poetas Latinos Contemporâneos. O Escritor – Jornal da União Brasileira de Escritores n.88, S.Paulo, ago.1999, p.20.
030. Antologia francesa reúne poetas latinos contemporâneos. (Jornal) Alto Madeira, Porto Velho (RO), 02-04 out.1999, p.4.
031. Poesía de Brasil. O Escritor - Jornal da União Brasileira de Escritores n.90, S.Paulo, mar.2000, p.16.
032. Reflexões à Beira da Poesia. Caderno Cultura, A União, João Pessoa, 01 jul.2000, p.20.
033. Anto: Uma Grande Revista Literária de Portugal. O Escritor – Jornal da União Brasileira de Escritores n.91, S.Paulo, jun.2000, pp.16-17.
034. Id. Correio das Artes ano LI n.7, jul.2000, p.10. Suplemento literário mensal do jornal A União, João Pessoa, 02 jul.2000.
035. Ib. Jornal de Vila Meã Ano 2 n.14, Vila Meã (Port.), ago.2000, pp.8-9.
036. Anto – Revista Literária Portuguesa seleciona representante de Sergipe. O Capital ano X nº85, Aracaju (SE), set.2000, p.7.
037. Antologias de Poesia Brasileira em Portugal. O Escritor – Jornal da União Brasileira de Escritores n.95, S.Paulo, mar.2001, p.31.
038. Id. Jornal de Vila Meã Ano 3 n.27, Vila Meã (Port.), set.2001, p.7.
039. Carta do Brasil. A revista Anto no Brasil. Jornal de Vila Meã Ano 2 n.21, Vila Meã (Port.), mar.2001, pp.8 e 19.
040. Anto, a revista - uma reflexão sobre a língua. Panorama Ano III n.20, Rio de Janeiro, mai.2001, pp.6-7.
041. Zen com feições de Walter Benjamin. A Cultura das Cidades Ano IV n.10, Brasília, mar.2001, p.28.
042. Uma Dialética para poetas. O Escritor- Jornal da União Brasileira de Escritores n.96, S.Paulo, jun.2001, p.20.
043. Id. Carta do Brasil. Jornal de Vila Meã Ano 3 nº33, Vila Meã (Port.), mar.2002, p.16.
044. Uma Dimensão que não termina. Id., id., id., p.28.
045. Id. Jornal de Vila Meã Ano 3 n.32, Vila Meã (Port.), fev.2002, p.14.
046. Anto, uma revista portuguesa na era da globalização. Correio das Artes Ano LII n.18, João Pessoa (PB), 11-12 ago.2001, p.9.
047. Antologias de poesia brasileira em Portugal. Correio das Artes Ano LII n.20, João Pessoa (PB), 3-4 nov.2001, p.4.
048. Relação dos premiados em 2001 pela União Brasileira de Escritores (UBE), do Rio de Janeiro. Jornal de Vila Meã Ano 3 n.31, Vila Meã (Port.), jan.2002, p.7.
049. Dimensão: Revista Internacional de Poesia. Correio das Artes Ano LIII n.27, (suplem. do diário A União), João Pessoa (PB), 6-7 abr.2002, pp.12-13.
050. O interregno de Hugo Pontes. O Escritor – Jornal da União Brasileira de Escritores nº98, S.Paulo, mar.2002, p.28.
051. Id. Carta do Brasil. Jornal de Vila Meã Ano 3 nº33, abr.2002, p.16.


DADOS BIOGRÁFICOS:
Nascido a 7 de Maio de 1945, em Uberlândia, Estado de Minas Gerais. Formou-se em Direito pela Universidade Federal de M.Gerais,em Belo Horizonte, período durante o qual atuou em política universitária e pró-reformas sociais, o que lhe ocasionou prisões e perseguições durante a ditadura militar (1964-1985).Viajou muito e viveu em diferentes regiões do país e no exterior. Trabalhou em projetos de interesse nacional implantados por empresas do Grupo Cia. Vale do Rio Doce, como o Trombetas (mineração de bauxita) no norte do Pará, na Amazônia brasileira, em que viveu durante um ano (1975-1976); Valesul (usina de alumínio no distrito de Santa Cruz, no Rio de Janeiro); Albrás e Alunorte (usinas de alumínio e de alumina, no Pará). Trabalha atualmente para a Aracruz Celulose, empresa brasileira que é a maior produtora mundial de celulose (matéria prima do papel) de fibra curta branqueada de eucalipto, cujas fábricas estão situadas no litoral do Espírito Santo. Vive na Praia de Jacaraípe, no município litorâneo de Serra. Integra a direção do Proyecto Cultural Sur, organização internacional de escritores com sede em Montreal (Canadá). Foi correspondente no Brasil da revista literária portuguesa Anto (Amarante, 1997-2000), subsidiada pelo Ministério da Cultura de Portugal/ Instituto Português do Livro e das Bibliotecas. Hoje em dia, correspondente da importante revista literária portuguesa “Palavra em Mutação”, da cidade do Porto. Integra o Conselho Editorial da revista Literatura (Brasília/DF). Sócio da União Brasileira de Escritores (Seção de São Paulo) desde 1980, bem como da Casa do Escritor de São Roque (SP), da Sociedade de Cultura Latina de Santa Catarina (Florianópolis) e do IAT- Instituto de Artes,Ciências e Letras do Triângulo. Sócio correspondente da União Brasileira de Escritores, do Rio de Janeiro.Tem trabalhos estampados na grande maioria das publicações literárias dedicadas à poesia brasileira no país, como tem sido também muito divulgado no exterior. E´ considerado um dos mais importantes poetas brasileiros de sua geração.

Sua obra de estréia, Os Dias Selvagens te Ensinam (1.979), lançou no mercado três mil exemplares. Teve excelente recepção da Crítica e dos leitores, ainda durante o período das ditaduras militares.
Recebeu recentemente do tablóide de cultura “O Capital – Jornal de Resistência ao Ordinário”, de Aracaju (Estado de Sergipe), o Prêmio Dom Quixote 2001, pelo trabalho de intercâmbio entre Brasil e Portugal, que há anos vem promovendo.

PRINCIPAIS REFERÊNCIAS CRÍTICAS:
Fábio Lucas (Crítica sem Dogma, 1983; Mineiranças, 1991); Ascendino Leite (em vários tomos de seus diários, como Um Ano no Outono, Os Dias Esquecidos, Euismos,etc.); Assis Brasil (A Poesia Mineira no Século XX); Fernando Py; Edgar da Matta Machado; Fritz Teixeira de Sales; José Afrânio Moreira Duarte (Opiniões Críticas, 1991); Adelaide Petters Lessa; Hugo Pontes; Camilo Mota; Eloésio Paulo (Teatro às Escuras, 1997); Hermann José Reipert; Roberto Goto; Carlos Menezes, Nicodemos Sena, entre outros, além de Nelson Hoffmann e Jean-Paul Mestas (França).

VERBETE :
Enciclopédia de Literatura Brasileira. ( Rio de Janeiro: Oficina.Literária Afrânio Coutinho/ FENAME, 1a. ed.,1990. Coord. do Prof. Afrânio Coutinho e do Prof. J. Galante de Sousa.)
Id. São Paulo: Fundação Biblioteca Nacional/ Depto. Nacional do Livro/ Academia Brasileira de Letras/Global Editora , 2a. ed. revista e ampliada. 2001. Coord. de Graça Coutinho e Rita Moutinho.)
Dicionário Biobibliográfico de Escritores Brasileiros Contemporâneos, de Adrião Neto (1998 e 1999).



Prêmio Dom Quixote 2001, outorgado pelo juri de "O Capital - Jornal de Resistência ao Ordinário", pelo trabalho em prol do intercâmbio cultural Brasil-Portugal.


O QUE DIZ A CRÍTICA


ARICY, ENTRE O NADA E O ETERNO RETORNO

Fábio Lucas

Com "Mais que os Nomes do Nada", Aricy Curvello confirma a reputação de um dos melhores poetas de sua geração. A temática amadureceu. Desde o título, o poeta confessa a atração pelo nada. Mas o que prevalece é a crença no eterno retorno. “Recomeçar” é o verbo que comanda a idealização do mundo que o poeta nos transmite.
A força filosófica constante da noção de que viver é estar vivendo, um gerúndio que indica continuidade da ação, alimenta os fragmentos de inspiração tanto lírica quanto épica.
E´ como se se dissesse: o amor não acaba e a sociedade humana (Brasil) caminha, a despeito de tudo, para a sua perfeição. Enquanto isto, o olho crítico devassa os estragos que os inimigos do amor e da justiça produzem.O poeta assume a condição de sua temporalidade: “sobre o fio da navalha dança/ o vacilante coração do instante.” (p.25)Gosto do final do poema “A Salina”, que diz:
“o que buscais aqui não está, mas tentai recuperar o que braceja em alto mar.tentai ser outra vez, intactos. vossas pegadas a areia apagará.o sal irá cobrir os pássaros. depois, a relva cantará.” (pp. 65/66) Essa inversão funcional faz lembrar os truques imagísticos dos surrealistas.O poeta continua a crer na força invisível da expressão:“ a palavra: longe de se bastar/ só se completa designando o que a ultrapassa” poema “itens”, (p.82). A concepção alimenta a obra:“A criação do que existe é uma tarefa infinita” poema “Cézanne”, (p.89). Algo que se reforça no término do poema “Toda Quimera se Esfuma”:“mais branco é teu coração recomeçando.ser é uma invenção constante.“ (p.94) Os poemas repetidamente retratam uma vocação aforismática, mostram-se sentenciosos. O espírito que os anima pode ser localizado neste final expressivo de “Caminho”:“nenhum ponto de chegada existe/ existir é o próprio caminho “ (p.88). Lembro o velho conceito de Antônio Machado, “camiñante no hay camino ...” Mais que os Nomes do Nada oferece ao leitor duas faces formais do mesmo poeta: o experimentalista, o simpatizante dos recursos gráficos como auxiliares da expressão verbal, e o produtor de peças discursivas, abastecidas pelas figuras e imagens com que a Retórica intensifica a expressão poética. Em ambos os casos, a vitória é patente. Na primeira hipótese, exemplifico com “Que não transborde” e “Ulisses no Mar de Nomes”. Na segunda, aí estão “A longa viagem”, “Patins d’ alma” e “O Náufrago”. Existe ainda o insólito, consubstanciado em metáforas ousadas e imagens absurdas. E´o caso de “E-U”. Por fim, uma arte poética, que representa o tributo que o poeta presta à metalinguagem: o belo poema “ Às Vezes “ (p.19). Rico na temática, audacioso nas formas poemáticas, oscilante na visão de mundo, Mais que os Nomes do Nada suscita questões ao leitor. Não traz respostas, mas ajuda o percurso de quem as procura. Mais um belo logrado experimento de Aricy Curvello.
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Fábio Lucas é escritor mineiro, ensaísta, membro da Academia Paulista bem como da Academia Mineira de Letras. Presidente do Conselho da União Brasileira de Escritores, de São Paulo, de que foi Presidente por vários mandatos. Ex-Diretor do Instituto Nacional do Livro. Apontado como um dos três mais importantes críticos literários do Brasil (ao lado de Antônio Cândido e de Wilson Martins) e o mais importante conferencista internacional de literatura brasileira.