Busca: 

Apelido:

Senha:


Esqueci minha senha
 
  Área do autor

Publique seu texto

Finalmente, a verdade!

Nada me desperta mais a atenção que a expressão de seu rosto. Olhos pequenos, escuros, escondidos atrás de sobrancelhas grisalhas de onde salta um brilho ofuscante. Olhos ligeiros, matreiros, espertos a contrastar com a velhice que o ronda, que o paquera, que joga alhures seu charme traidor. O sorriso dele, não é coisa facilmente identificável. É um ligeiro esgar maroto, quase sarcástico, às vezes para o lado direito, outras para o esquerdo. É algo forte que agride meu cérebro. Algumas vezes cruzo com ele pela Rua das Flores da minha Curitiba encantada. Em outras, estamos lado a lado, lendo a mesma notícia no jornal pregado na banca. No frio, sempre usa um surrado capote desbotado. No calor, o mesmo paletó xadrez de mangas puídas. Claudicante, corpo encurvado,... (leia mais)

Airo Zamoner




SEMEADURA

Avistando um aglomerado de mercadores, um andarilho gritou, decidido: - Atenção! Fechem o caminho; vou passar! Surpreso ao sentir um toque em seu ombro, voltou-se e deparou com a razão: - Por que agiste desta forma? Não sabes que é preciso caminho aberto para seguir adiante? O andarilho, sentando-se sob gigantesca árvore de multividências, dirigiu-se à razão, num repente: - Pedi que fechassem o caminho para que minha loucura não fugisse... A razão, mais confusa que convencida, argumentou sem hesitar: - Não há coerência no que dizes. Explica-te ou afasta-te de mim! Cruzando os braços sobre os joelhos, o andarilho insistiu: - Não desejei que minha loucura partisse, por não querer viver comprometido com tua existência mascarada... A razão, indignada, protestou sem mais... (leia mais)

Tânia Gabrielli-Pohlmann




Default



   > Nathalie Gonçalves

  AUTOR  
 
Nathalie Gonçalves
Filha de pedagoga, sempre gostei de ler, escrever, ouvir música, sociedade... Como qualquer pessoa da idade. Mas quando me chamam de "qualquer", tenho uma certa reação adversa. Ninguém é "um qualquer". Acredito que, de uma forma ou outra, sempre trilhamos o que somos, costurando nossas ações e reações. Faço parte do todo, mas aos treze anos percebi que o todo me via só como mais uma, e que um simples discurso de aspirante à escritora não era suficiente. Então me entreguei ao desejo árduo de ser alguém completo... Mas ninguém é completo. Das mais variadas alternativas, descabelei-me, fiz de um todo para ser diferente. E como uma canceriana digna do frio julino, consegui ser diferente de uma boa parte do todo... Mas essa parte do todo sempre está em mim, tatuada, mostrando-se que esquecer as raízes é um crime incontestável. E aqui estou eu, quinze anos na cara, fones nos ouvidos, jazz por trás dos tímpanos e uma vontade enorme de tomar um café olhando uma bela paisagem no inverno enquanto alguém sorri para mim.