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PRESIDENTE! O SONHO ACABOU...

Ele esfregou os olhos como criança. Piscou várias vezes. A penumbra da manhã impúbere digladiava contra a noite rebelde, envelhecida, teimosa. Ela sabia de sua derrota cotidiana, desistiu e se encolheu, aguardando escondida em conhecidos cantos inabitados. Conformada, sabia da vitória certeira contra a iluminação do dia que murcharia dentro de algumas horas. Ele voltou a esfregar os olhos remelentos, sentir o sonho recém apagado. A agenda do dia disparou assessores pelas quinas do palácio. Desde os primeiros dias de poder, não havia mais tempo para devaneios infantilóides e o sonho se dissipava no emaranhado confuso das marchas e contra-marchas, dos argumentos e contra-argumentos, das possibilidades e impossibilidades, todas ignoradas no longo, muito longo e mal feito... (leia mais)

Airo Zamoner




O MERGULHO

Aquele brusco tremor o impulsionou violentamente para trás. Já sentira isso há muito tempo, quando inadvertidamente, colocara o dedo no bocal de uma lâmpada. Experiência assustadora! Alguma coisa entrara subitamente em seu corpo. Ao mesmo tempo em que, num ato reflexo, puxara a mão de volta, sentira uma contraditória atração. Queria levar outro choque! Quantas vezes, ao ver um bocal sem lâmpada, sentira novamente aquela estranha tentação. Sempre resistiu bravamente. Agora, contudo, num misto de sofrimento e prazer, toda aquela sensação se repetia e nada tinha a ver com o choque elétrico! Letras. Palavras. Livros. Depois que dominara as letras, passara a admirar as palavras. Ficava horas, olhando e pensando nelas. Letras sem sentido adquiriam uma espécie de vida... (leia mais)

Airo Zamoner




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   > Osmar Sampaio de Almeida Santos

  AUTOR  
 
Osmar Sampaio de Almeida Santos
Sam Payo Nasceu em São Paulo no começo da Segunda Guerra Mundial, mas não foi responsável por ela. Estudou em escolas públicas toda sua vida. Em 1961 emigrou para o rio Grande do Sul onde se naturalizou gaúcho. Estudou Sociologia, Política, Geologia, Filosofia, Artes Dramáticas e finalmente Medicina. Não completou nenhum desses cursos no Brasil.Em 1964 aproveitou-se dos pacotes turísticas oferecidos pela ditadura militar aos ativistas da UNE, e começou uma grande jornada ao redor do mundo como exilado, asilado, coitado e mal pago. Graças a uma bolsa de estudo ironicamente paga, em última instância, pelo Brasilacabou se formando médico no exterior. Depois de 38 anos de Europa, regressou ao Brasil.Sam Payo é pseudônimo literário do autor que publicou, no Brasil, vários livros de divulgação médico-científica sobre o Trabalho Humano, História, Economia, Política Militar, além de dicionários lingüísticos publicados nos Estados Unidos.  Em virtude dos preços exorbitantes dos livros, da nova política de educação da ditadura e sua censura ferrenha,  Sam Payo, em seu retorno ao Brasil, encontrou  um deserto literário, com poucos e honrosos oásis. Resolveu, então, se dedicar à ficção literária, mas não foi bem aceito pelas editoras filhas da desolação cultural deixada pela ditadura. Seus contos não foram aceitos de imediato, pois tinham começo, meio e fim, e durante os anos ditatoriais só se escrevia sobre temas abstratos e por linhas tortas. O realismo tinha saído da literatura brasileira. Finalmente, Sam Payo foi premiado num concurso de contos da FundArt de Ubatuba, o que o estimulou a experimentar a área de contos estilo europeu e não no estilo de “conto” brasileiro classificado em outros países mais como “crônicas” ou piadas. De certo modo, o estilo dos contos desse livro se classificam mais como “noveletas ou romancezinhos curtos, análogos aos curta metragens do cinema. . Em vez de relatar suas experiências no exterior com as famigeradas “memórias do exílio”, o autor preferiu retratar países estrangeiros através de histórias caricaturas de outras culturas. No terreno literário, ele tem ainda um romance aguardando publicação e outros em preparo.  Sam Payo vive hoje numa cidade tranqüila, de águas quentes, onde, finalmente, encontrou a paz para escrever o que se lhe dá na cabeça.