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   > TRAPAÇA? NÃO!



Marilena Orsoni
      INFANTIL

TRAPAÇA? NÃO!

Marquinho não era mais o mesmo. Sua coisas ficavam jogadas em qualquer canto, espalhadas, amontuadas e sua mãe não sabia mais o que fazer e o que estava acontecendo com ele.
O campeonato estava no final e ele precisava se concentrar.  Não podia correr o risco de perder aquele coampeonato e o que era pior, ficar sem a taça que o vencedor ganharia.
Numa certa manhã, Marquinhos se reuniu com seus três grandes amigos que sempre jogavam com ele e neste campeonato não eram seus adversários: o Juca, o Matheu e o Felipe, para pedir ajuda.
-Amigãos, eu preciso que amanhã, na hora da partida final, vocês me ajudem  a ganhar aquela taça.
- Mas, como vamos fazer isso, Marquinho? É você quem vai jogar e não nós.
-Eu sei disso, Felipe, mas preciso que vocês, na hora que o meu adversário for dar uma caçapada, vocês façam barulho.
- Como assim, Marquinhos? – perguntou Matheus.
- Ah, sei lá. Espirra, tosse, ou qualquer coisa que possa tirar a concentração dele, entendeu?
- Isso é jogo sujo, Marquinhos, eu não vou fazer isso não.
- Nem eu. – falou também Felipe.
- Poxa, pensei que vocês fossem meus amigos mas estou vendo que me enganei.
O pai de Marquinho que estava trabalhando perto de onde os meninos conversavam, ouviu a conversar e falou para seu filho.
-Por que você  está tramando uma coisa feia dessa, filho?
- Nossa! Pai. O senhor estava aí?
-Felizmente, estou...Para tua sorte.
- Isso é só uma idéia que tive, pai.
-Essa sua idéia é de muito mal gosto, você não acha?
- Mas, pai, e se eu não ganhar aquela taça, o que eu vou fazer?
-Marquinho, você  acha, então, que vencendo dessa maneira você será melhor do que o teu adversário? Claro que não, filho. Você será o pior de todos os garotos que participaram do campeonato, até mesmo dos que foram desclassificados.  E você só tem uma coisa a fazer: Se preparar melhor para o próximo campeonato.
- Tudo bem, pai, o senhor tem razão, não foi assim que o senhor me ensinou. A gente tem que conquistar as coisas pelo nosso próprio esforço e mérito e não com fraudes.
- Fraudes?  Eu dou outro nome para isso, Marquinhos: “Desonestidade”.
O dia da final do campeonato chegou e muitas crianças vieram ao campinho para ver o jogo. Foi uma partida emocionante. Marquinho,  depois da correção que levou do pai, jogou como nunca havia jogada...Fez jogadas mirabolantes e acabou vencedo o campeonato.
Assim que recebeu a taça, Marquinho agradeçeu  a todos, e dedicou o título a seu pai, que com sabedoria, soube  mostrar-lhe  o verdadeiro caminho da vitória.


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