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   > RODOVIA DO MEDO



Fabiano Moreno Almeida
      CONTOS

RODOVIA DO MEDO

                         PRIMEIRA PARTE

Uma lua espetacularmente cheia iluminava a noite na Rodovia 222, interior do Maranhão, no trecho próximo à cidade de Bom Jesus. O pouco movimento, que era comum nas noites da rodovia, era perfeito para uma viagem tranqüila. Era esse o pensamento de Martín, um experiente caminhoneiro, que transitava naquele local na noite de 12 de dezembro de 1981. Martín era um sulista que já havia percorrido todo o país na boléia do seu caminhão, levando consigo muita garra, coragem e determinação para enfrentar a difícil tarefa de transportar o progresso do país.
A noite começava a dar lugar à madrugada. O relógio se aproximava das 11:30 da noite. Martín conduzia tranquilamente seu caminhão pela rodovia, seguindo no sentido norte do estado. Estava próximo a um enorme declive da rodovia, que acabava numa curva muito perigosa. Esse trecho era conhecido como curva da morte pelos inúmeros acidentes ocorridos naquele local, que ceifaram centenas de vidas. Há alguns metros de distância, Martín pode avistar a figura de uma pessoa à beira da rodovia, que parecia ser uma mulher. Tudo o que o caminhoneiro pôde perceber, é que aquela pessoa estava vestida em um longo vestido branco, que esvoaçava com a brisa noturna. A princípio Martín deduziu ser uma visão. Ele estava com sono e precisava parar para descansar. Chegando mais próximo, Martín pode confirmar que não era uma visão, mas realmente tratava-se de uma mulher, loira e que acenava para ele pedindo carona. Ele achou aquilo muito estranho. O que uma mulher fazia no meio de uma rodovia, quase meia noite, sozinha, pedindo carona? Talvez fosse uma garota de programa, covardemente largada no meio da rodovia por algum caminhoneiro. Ou uma mulher que no meio de sua viagem, fora surpreendida por algum problema mecânico em seu veículo e estava procurando ajuda.
Martín, que tinha um bom coração e recusava-se a negar auxilio a qualquer que fosse a pessoa, resolveu parar e prestar socorro àquela solitária criatura parada à beira da rodovia. O caminhoneiro estacionou alguns metros após o local em que a mulher estava parada. Após parar o veículo, Martín tentou ver pelo espelho retrovisor se a mulher aproximava-se ou ainda estava no mesmo local, mas teve uma surpresa: não a viu mais. Tentou certificar-se de que o espelho visualizava o local em que a mulher estava parada. Sim, era aquele o local, mas ela não estava mais ali, havia sumido como fumaça se espalha no ar. Seria realmente aquela mulher uma visagem? Ela era tão real. Martín não podia acreditar naquilo. Ficou intrigado.
O velho caminhoneiro resolveu descer de seu caminhão e procurar a mulher. Chegou a abrir a porta e por o pé do lado de fora, mas logo lhe veio um pensamento que lhe provocou um profundo receio. “E se fossem assaltantes?” Martín voltou para dentro do veículo e rapidamente fechou a porta. Foi aí que tomou um susto ainda maior. Ao olhar para o lado do passageiro, lá estava a mesma mulher sentada, imóvel e olhando fixamente para frente.

- Nossa mãe do céu! – Assustou-se Martín. – Como você entrou senhorita?

A mulher permaneceu inerte, apenas olhando para frente.

- Você está sozinha? – Insistiu Martín – Aconteceu algum problema?

A mulher apenas fez um gesto com a cabeça indicando o sentido da frente, como se quisesse que Martín seguisse viagem imediatamente.
Martín entendeu que a mulher precisava sair dali o mais rápido possível, parecia estar preocupada com algo, pelo seu aparente estado de choque. O caminhoneiro deu partida no veículo e seguiu viagem na rodovia, levando aquela estranha mulher ao seu lado. Algumas vezes tentou conversar com ela, mas não obteve nenhuma resposta. Martín notou que era uma mulher muito bonita, seu rosto tinha traços bem desenhados, mas era muito pálida, sua pele era assustadoramente branca.
Passados alguns quilômetros da rodovia, Martin e a estranha mulher aproximaram-se do perigoso declive e da curva da morte. Martín notou que ao começar a descer a grande ladeira, a mulher começou a respirar ofegantemente, como se estivesse sentido-se mal ou pressentindo que algo de muito ruim estava para acontecer. A mulher entrou em pânico, passou a olhar intermitentemente para frente e para os lados, deixando Martín preocupado. Mesmo o caminhoneiro lhe perguntando o que estava acontecendo, ela não conseguia pronunciar uma só palavra.
Martín diminuiu a velocidade do veículo, chegando quase a parar. Já estava na metade do grande declive da rodovia e deduziu que esse era o temor que provocava aquele pânico na mulher. Mas parecia ser bem mais que isso. Era um pavor que fugia a naturalidade e deixava aquela mulher em completo estado de desequilíbrio.
Ao preparar-se para virar a curva da morte, Martín foi surpreendido por um pavoroso grito que saiu daquela mulher. Ela gritou enquanto apontava para a curva. Martín, que a essa altura também estava totalmente em pânico, não conseguiu ver nada além de uma forte luz que vinha da direção oposta da curva. A luz veio acompanhada de uma buzina ensurdecedora, tanto quanto o grito da mulher. O caminhoneiro quase chegou a perder seus principais sentidos, tamanha era confusão de luzes e sons que o surpreendeu. A luz ofuscou sua visão e tudo o que ele pôde fazer foi parar imediatamente o caminhão antes de virar na perigosa curva da morte. Mesmo com toda dificuldade, a experiência de Martín o ajudou naquele momento e ele conseguiu parar seu veículo em segurança.
Passado o ofuscamento da luz, Martín virou-se para conferir se a mulher estava bem e deparou-se com mais uma surpresa: não havia ninguém ao seu lado. Nem mesmo vestígios de que alguém tivesse estado ali, pois a porta do lado do passageiro estava travada pelo lado de dentro do caminhão, como ele sempre deixava. Ele ficou pasmo e com uma confusão ainda maior em sua cabeça. Como aquela mulher inexplicavelmente entrou naquele veículo, provocou todo aquele contratempo e desapareceu sem deixar qualquer sinal? Esse foi um questionamento para o qual Martín não encontrou resposta. Foi uma experiência completamente sobrenatural.
Ainda sob o efeito daquele sobressalto, de dentro do seu caminhão parado no meio da rodovia, Martín viu que da curva saiu um outro caminhão, meio desgovernado, buscando o controle da direção na pista. Após o caminhão, Martín viu também um cavalo de cor preta atravessando a rodovia. Essa seria a única cena normal naquilo tudo, não fosse o fato de que o cavalo, antes de sumir na curva parou, olhou diretamente para Martín, deu uma relinchada e saiu num salto veloz. Certamente o motorista do outro caminhão fora surpreendido pelo animal que estava solto na rodovia e que quase provocou mais uma tragédia naquela maldita curva. Por sorte aquele foi um acidente que não aconteceu.
Martín ficou em estado de choque. Aquela misteriosa mulher continuou lhe atormentando a mente. Seria realmente aquela, uma curva amaldiçoada? E seria aquela mulher  assombrosa a causadora de todos os acidentes daquele local? A única certeza de Martín é que aquela aparição quase provocou uma trágica fatalidade na curva da morte.
Após recuperar-se e certificar-se de que tudo estava bem, Martín decidiu seguir sua viagem. Ao passar pela curva da morte, o caminhoneiro ficou impressionado com o assombroso abismo que havia ali, bem ao lado da rodovia. Era um vale espantosamente grande, que mesmo à noite podia-se ver o quão era ao mesmo tempo admirável e assustador. Martin passou em frente ao vale em baixa velocidade e percebeu que naquele local, à beira da rodovia havia uma cruz, algo comum nos trechos de rodovias onde ocorrem acidentes com vítimas fatais. Cruz era o que mais se via naquela curva, mesmo que elas não fossem suficientes para todas as mortes ocorridas naquele local. Mas aquela cruz que Martín avistou estava solitária, em um espaço separado, como se quisesse chamar a atenção de quem trafegasse na rodovia. E foi a luz da lua cheia que permitiu à Martín ler o nome que nela estava escrito: Isabelle.
Até o fim da lua cheia aquela cena se repetiu. Durante sete dias a mulher loira de vestido branco esvoaçando com a brisa da noite, voltou a aparecer para motoristas de diversos veículos que passaram pela curva da morte. Alguns não tiveram a mesma sorte de Martín. Outros puderam sobreviver para contar aquela absurda história, mesmo que de tão fantasiosa que fosse ela não convencesse quem a escutava. O fato é que ela era real e, mais do que real, era sobrenatural.
E nos anos seguintes, sempre na última lua cheia do ano, ela era vista na curva da morte. Isabelle. Esse o nome daquela aparição diabólica. A assombração da curva da morte. O fantasma da rodovia do medo. Mas ela ainda não estava satisfeita. Precisava que mais almas fossem sacrificadas no abismo da curva da morte. E certamente, mais vidas seriam sucumbidas na rodovia do medo.
 


(Aguarde a continuação. A rodovia do medo terá mais vítimas e o segredo de Isabelle será revelado)



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