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   > RUGAS DE UM SORRISO



GERALDO DE CASTRO PEREIRA
      CONTOS

RUGAS DE UM SORRISO

 
                   Ah, aqueles tempos de DCE (DIRETÓRIO CENTRAL DOS ESTUDANTES)!. Sua sede social ficava(ou ainda fica?) ali na rua  Gonçalves Dias, bairro de Lourdes, na bela capital mineira As horas dançantes aconteciam quase sempre aos sábados. Era um festival de moças bonitas e casadoiras.
                    Os universitários ali se reuniam para uma paquera geral. Normalmente, os rapazes permaneciam em pé, muitas vezes caminhando em volta das mesas, sem ocupá-las, para não pagarem gorjetas ao garçom. Iam diretamente ao bar e compravam suas bebidas.
                   As moçoilas, sim, sentavam-se às mesas, às vezes com seus pais, parentes, ou acompanhadas de colegas, irmãos ou namorados.
                   Floriano não perdia um baile no DCE. Tinha ele sua turminha de gole e de paquera. Era também um bom dançarino. Seu forte era a valsa. Ao som do Danúbio Azul, valsava até a dama se cansar.
     . Universitário, cursava o terceiro ano de Direito na Federal; vangloriava-se de seu porte físico.
                  Foi numa agitada valsa que conheceu Maria Amélia. Estava ela sentadinha e bem comportada, juntamente com sua tia, ocupando uma mesa bem perto da pista de dança. Era uma lourinha, de rosto bem rosadinho, cabelos finos e esvoaçantes, pernas finas, mas bem torneadas, nariz bem afilado e olhos castanhos claros.Também universitária, segundo ano de letras (Português e Inglês) na FAFI (Faculdade de Filosofia e Letras da  Federal)
                  Começaram a bailar. Ela, tão leve, não parecia dançar: voava como uma pena ao vento. Quando terminou a música, foi um aplauso geral.
                 Floriano sentiu-se nas nuvens, um verdadeiro Fred Astaire. Levou-a até à mesa e pediu licença para sentar-se também. A tia assentiu com um aceno de cabeça.. Dançaram outras músicas. E ali nasceu um romance de fazer inveja a Romeu e Julieta.
                A tia da moça, de nome Francisca, era quem dava as cartas. Quis embora antes do término do baile, para desagrado de Floriano. Chamou o garçom e pediu a conta.
               Elas haviam tomado apenas dois guaranás e ele um chopinho. Por sorte, havia recebido seu pagamento minguado de vendedor de uma livraria.Quitou a conta toda. Ofereceu-se para levá-las, mas a tia foi logo dizendo:” precisa não, moramos aqui pertinho”.  Foi um alívio para o bolso de Floriano, pois não tinha carro e teria de arcar com as despesas de  um táxi.
               Foram andando rua da Bahia abaixo até a altura da rua Guajajaras com Álvares Cabral. .A família de Maria Amélia morava num casarão antigo, prestes a ser tombado ou  talvez demolido por uma grande construtora.
             A tia da moça subiu antes. Floriano ficou ali mais um pouco com Amélia. Trocaram números de telefones. A mãe de Amélia surgiu de repente na janela e gritou, com uma voz rouquenha, para a moça entrar logo, pois já era muito tarde. Os dois se despediram, antes marcando um encontro para o próximo sábado lá mesmo no DCE.
                Floriano ficou ansioso para chegar o sábado. Enfim, veio o tão esperado dia, ou melhor, noite. Lá foi ele para dançar com sua dama lourinha. 
                 Ela e a inseparável tia já estavam esperando por ele na mesa reservada com antecedência.
                Aproximou-se, deu um beijo no rosto de Amélia, apertou a mão da tia e sentou-se com elas. Não demorou, e o conjunto musical começou a tocar. Eram músicas lindas, daquela época, de Ray Conniff. Dançaram bastante. Ele encostou seu rosto no dela, embora tomando cuidado para não serem vistos pela zelosa titia.
               Sentaram-se um pouco para descansar. Floriano teve vontade de ir ao banheiro. Quando estava longe, um estudante de engenharia chegou-se até à mesa para tirar Amélia para dançar. “Tenho namorado, disse ela’.
-                     “E o que importa? Não tenho ciúmes’, falou o engraçadinho.
                 Nisto, apareceu Floriano, pegou uma cadeira e rachou-a na cabeça do atrevido. A partir daí começou uma briga geral. Eram cadeiras e mesas voando pelos ares, garrafas e copos se espatifando pelo chão. Chamaram a polícia, pois os seguranças não conseguiam dominar a situação.
              . Floriano pegou na mão da namorada e esta, por sua vez,enlaçou seu braço no da tia. Com muito custo, saíram daquele local. Ele, com algumas escoriações na cabeça e nos braços. As duas nada sofreram
                Fizeram o mesmo trajeto da semana anterior.      
               O rapaz, após a tia ter adentrado a casa, continuou com Amélia na porta. Trocaram abraços apertados e beijos ardentes.
               Mas, uma coisa estava martelando a cabeça do rapaz: Amélia não ria. Apenas, esboçava um ligeiro sorriso, quase sem mexer os lábios e as bochechas.
              Para certificar-se mais, contou-lhe uma piada engraçada. E ela agiu do mesmo jeito: Então, perguntou-lhe: “não gostou de minha piada?’
-          -“Gostei muito.”
 -          ‘Então, por que não riu?”
          - “Não ri, para não fazer rugas em meu rosto”    
              Ele deu aquela gargalhada. Ela não gostou de sua atitude.
              Intrigado com o comportamento inusitado de sua namorada, Floriano foi embora para  casa e começou a fazer uma pesquisa sobre rugas. Conseguiu umas revistas de beleza da coleção de sua irmã. Encontrou as seguintes matérias:
 “ Se chorei ou se sorri... o importante é que emoções eu vivi”. A mensagem-lição que Roberto Carlos eternizou com sua canção não parece estar sendo levada tão ao pé da letra. Afinal, o mito grego de Narciso não nos deixa esquecer a vaidade que está presente em cada um de nós. E sabemos que as emoções deixam rastros, principalmente em nosso rosto. Até mesmo um saudável sorriso pode deixar mais do que apenas boas lembranças e nos marcar com as temíveis rugas”.     
 E mais::“- Enfim, rir causa rugas?
-Sim, são as rugas de expressão. Mas, chorar causa mais”.
“Se a vida lhe der 100 motivos para chorar, mostre a ela que você tem 101 para sorrir”   
“Riso falso: em geral é rápido tipo “acende apaga” e não provoca rugas de expressão ao redor dos olhos; é assimétrico, pois o rosto fica imóvel.”
                                                                                 Mas,”rir muito não causa rugas?”        
-“Causa, mas são as que chamamos de rugas de beleza”. (Entrevista de Thomas-Bernard Quaas – principal executivo da Nívea).
“De frente ao espelho, dê um sorriso,  mas sem mostrar os dentes e fique assim por dois segundos”.

“Sorrir dá rugas. É o que nos lembra a canção de John Williamson, apropriadamente intitulada Wrinkles (Rugas). Fala-nos do velho Bob, um homem que sempre viveu feliz com a família e no trabalho, e que, de tanto sorrir, desenvolveu rugas. E aí vem a pergunta: você deixaria de sorrir para evitar as rugas? Se a resposta é afirmativa, talvez valha a pena lembrar outro trabalho, desta vez baseado em fotos de mulheres com intervalo de 10 anos. Verificou-se que as sorridentes do passado de fato apresentavam as características rugas do sorriso – mas em geral tinham menos rugas, porque eram   pessoas que viviam melhor, que tinham um estilo de vida mais saudável”. 
                     Parou por aí. Realmente, tinha ela um pouco de razão, segundo as pesquisas acima. Mas, com o tempo, Amélia iria deixar seu lindo sorriso aflorar, entreabrindo aqueles lábios carnudos e não se preocupar mais com as rugas de expressão. Ele, pessoalmente, preferiu seguir a sabedoria contida no velho provérbio chinês: ”para sentir-se saudável, deve-se rir pelo menos trinta vezes ao dia!”  
                      Continuou seu namoro e aceitou os risos falsos de sua bela namorada, repetindo os versos da música de Roberto Carlos:” Se sorri, se chorei... o importante é que emoções eu vivi”.
 



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