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   > O MISSIONÁRIO SONHADOR



Luis Carlos Lemos da Silva
      CONTOS

O MISSIONÁRIO SONHADOR

 Um missionário europeu queria conhecer à Amazônia. De tudo fez na vida para realizar seu sonho. Foi fotógrafo, pintor, escritor, jardineiro... Mas nunca conseguiu juntar dinheiro suficiente para fazer a viagem. Na verdade, conhecer a Amazônia era o seu objetivo de vida. Com efeito, nada dava certo para ele.
Até que um dia, o missionário casou-se, inesperadamente; teve filhos e, com o passar dos anos viu seu sonho ir por água abaixo.
– Eu só serei feliz totalmente quando visitar a Amazônia, dizia para os seus amigos mais próximos e para si mesmo.
Como nada dava certo em sua vida, ou seja, tudo era muito difícil, profissional e economicamente, passou a viver intimamente o dia em que conheceria a Amazônia. Passou a agir de tal forma que tudo o que fazia era como se conhecesse  de fato a floresta, os rios, as crianças, os pássaros, as pessoas do pantanal, etc.
    – Uma vida sem busca, não é digna de ser vivida, pensava consigo mesmo.
Numa noite de primavera, no sul da Itália, o missionário estava assistindo TV no quarto, ao lado de sua esposa e de seus dois filhos, quando uma TV local anuncia um concurso de poesia, prometendo para o primeiro colocado uma viagem ao Brasil.
Despertado pela força dos vencedores, bem cedo, o missionário desceu a serra e foi até o escritório da emissora e ficou sabendo de todos os detalhes do concurso.
De volta para casa, com a ficha de inscrição do concurso na mão, olhando os pinheiros que formavam a paisagem gelada da região, imaginou estar no meio da floresta amazônica e que aqueles camponeses que colhiam uvas ao longe, eram índios que pescavam e seguiam o ritmo da vida, segundo as leis que a natureza lhes impunham.
O missionário escreveu um poema falando das pessoas, da floresta, da fauna, dos rios e da magia cultural, que envolve as pessoas do lugar. Fez um verdadeiro tratado filosófico, sendo escolhido em primeiro lugar. O prêmio foi uma passagem de ida e volta ao Brasil, com direito a acompanhante e duas semanas com todas as despesas pagas num hotel de selva.
Chegando ao Brasil, o missionário desembarcou no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, Tom Jobim. No saguão do aeroporto avista um imenso quadro intitulado: “Amazônia brasileira: sua gente, a maior riqueza cultural”.
Impressionado com o realismo daquela obra, o missionário decidiu voltar para a Europa no dia seguinte. Lá, expressava de bom tom que já poderia morrer em paz, pois tinha realizado o seu sonho.
E assim, com oitenta e cinco anos de idade, o missionário partiu dessa vida para outra, dizendo para toda a Velha Europa que ele era o único naquelas bandas que conhecia e compreendia verdadeiramente a riqueza da floresta amazônica.
Como homenagem póstuma, amigos e parentes lapidaram a seguinte frase de Isaac Newton sobre o seu túmulo: “O que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um oceano”.
 
“O homem que envelhece vai tomando gradativamente consciência de que não é eterno. Agita-se menos e, assim, os sons das vozes que vêm do além se fazem ouvir”. (Romano Guardini)



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