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   > A Mulher do Empadão



LEOMAR BARALDI
      CONTOS

A Mulher do Empadão

 
 
A senhora Aurora Smith encontrou o bilhete no bolso do marido. Dizia assim: “Venha, Rod, estou lhe esperando. O empadão ficou do outro mundo.”
Aurora Smith tomou uma decisão. O inferno ia ser o paraíso para Rod. Vestiu-se com a melhor roupa que tinha. Ficou esperando-o.
Ele chegou, brincou com o cachorro, como sempre fazia. Procurou algo no armário para mordiscar. Tirou os sapatos. Soltou um suspiro de satisfação. Se jogou no sofá. Foi que percebeu.
-Aurora, hoje é dia de Ação de Graças?
Se não tivesse se controlando teria jogado o vaso da mesinha de centro, com uma florzinha que se chamava amor-perfeito, bem na cabeça dele.
-Não. –ela respondeu.
Rod sentiu que o drama era maior. Maior que ele pensava.
-Vai se depilar?
Aurora franziu a testa. Se depilar? O que ele queria dizer com aquela frase? Peluda é a sua vó!
Ela levantou-se, pegou a bolsa e desapareceu.
Voltou tarde da noite. Rod dormia. Viu que na cozinha havia um pequeno desarranjo. Ele na tentativa de fazer algo para comer, fizera a maior bagunça.
Passado esse dia. Noutra feita, dona Aurora, encontrara outro bilhete: “Querido, o empadão está prontinho. Passe aqui pelas onze, tenho compromisso pela manhã.”
A coisa estava indo longe demais. Outro bilhete. Teria de fazer alguma coisa. E fez. Contratou um detetive.
-A única pista que a senhora tem é que a suposta outra lhe prepara um empadão?
-Sim.
-O seu marido gosta de empadão?
-Até ontem, não. Ele nunca manifestou gosto por empadão.
-Estranho.
O detetive começou a trabalhar no caso. Como não tinha nenhuma pista do endereço, resolveu que teria de seguir Rod. Não foram precisos muitos dias. Logo logo o detetive veio com a bomba:
-O seu marido parou em frente uma residência, foi recebido por uma mulher...
-Desgraçado!
-...entraram na casa. Demoraram aproximadamente meia hora.
-Ordinário!
-Quer que eu continue investigando?
-Sim, continue.
Aurora não disse nada para Rod de início. Apenas media as atitudes dele. Fazia de conta que não estava acontecendo nada. O maldito! Como pode ser tão cínico?
-Que foi, amor! Está me olhando tanto, por quê? Não vai dizer que está me paquerando? Como aquele dia onde tudo começou.
-Eu... –duzentas bombas atômicas queriam explodir dentro dela naquele instante, porém tinha de manter o autocontrole. Se faz de cínico, como pode?
-Aurora, lembrei, hoje é o dia do nosso casamento. Espere, vou buscar um presente. Ainda dá tempo de alcançar o shoping aberto.
-Não. Eu... Ahhh!
Rod saiu. Ia comprar mesmo o presente. Que cínico. Mas Aurora foi conferir no calendário. Na sua raiva não notara. Era mesmo aniversário de casamento. Como pode?!
Marido quando está traindo sempre cobre a esposa de presentes, lhe disse certa vez uma amiga. Se ele aparecer com perfume.
-Querida.
Era ele. Chegou assim tão rápido?!
-Adivinha o que trouxe de presente para você?
-Ahh, deixe-me pensar. Ah, deixa-me ver. Ah, um vidro de perfume?!
-Mas, como adivinhou, querida?
Aurora ficou pálida.
No outro dia o detetive passou todo o seu roteiro. Novamente Rod passou na mesma casa. A mulher do empadão. Sempre à noite.
Chega! Ia resolver tudo naquela semana. Esperou Rod chegar e foi direta.
-Rod, você tem uma amante?
-O que?!
Ele ficou pálido.
Aurora se segurou como pôde para repetir a pergunta para aquele cara mais cínico deste mundo.
-Rod, você tem uma amante?
-Meu Jesus, Aurora. De onde tirou essa idéia?
-A mulher do empadão!
-Como!?
-Está evidente demais, Rod.
-Que mulher do empadão é essa? Aurora, você não tem idéia de como estou me sentindo agora?
-E eu, Rod? Você faz idéia de como estou me sentindo!?
-Aurora, nem faço idéia dessa mulher do empadão.
-Encontrei dois recados em seu bolso.
-No meu bolso? Pra início de conversa, eu nem gosto de empadão.
-Foi o que eu disse para o investigador.
-Gente! Investigador? Chegou nesse ponto!
-Toda noite você entra na casa daquela mulher, pra comer empadão.
-Eu não acredito. Não pode ser eu.
Aurora disse que provaria, mostrou as fotos que o detetive tirou. Ele mesmo, não havia como negar.
-Deve ser um impostor.
-Rod, vá catar coquinho, Ne! Como pode negar?!
-Eu não tenho um nariz feio assim!
-Rod, não adianta disfarçar.
Daí uns dias Aurora, chegou em casa por volta das dez horas da noite. Deu de cara com Rod saindo. Ele estava equisito. Parecia dormir. Estava de olhos fechados, a impressão de que ele nem reconhecera Aurora. Viu então que Rod era um sonâmbulo. Rod entrou no carro. Aurora pegou um táxi, o seguiu. O carro estacionou na casa, a casa da mulher do empadão. Rod desceu. A mulher o recebeu no portão. Como havia descrito o detetive. Deve ser a maldita mulher do empadão. Aurora esperou alguns minutos, queria pegar o flagrante. Foi então. Entrou casa adentro num avanço repentino. Aurora pegou Rod e a mulher, ambos sentados à mesa, comendo empadão.
Como sonâmbulo não pode ser despertado, Rod abraçou a mulher do empadão e ambos sumiram em direção ao quarto.
-Não! –Aurora tentou segurar o baço do marido.
-Shisss! –fez a mulher do empadão, -Não podemos acordar quem está sonâmbulo. Não sabemos como podem reagir. Podem até morrer. Seria um absurdo acordar alguém nesse estado.


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