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   > UM HOMEM CHAMADO NOEL



Carlos Alberto Omena
      CONTOS

UM HOMEM CHAMADO NOEL


Aquele homem permanecia ali, sentado há algumas horas na calçada, sentindo-se derrotado e chorando copiosamente que dava dó de ver.
Porem, todos que ali passavam, com sua própria pressa e problemas, sequer davam atenção ao pobre homem sentado ali ,naquele começo de noite, calor terrível.
Era noite de vinte e quatro de dezembro, véspera de natal. Mas porque aquele homem chorava na calçada então, numa noite de alegrias, onde todas as famílias começavam a se unir, as crianças contentes e ansiosas à espera de seus presentes, as donas de casa na cozinha preparando os quitutes para a ceia de logo mais, o odor inebriante dos assados que começavam a pairar pelo ar, as milhares de luzes natalinas que iam acendendo uma a uma, com seu mágico colorido, o corre-corre dos atrasados carregando os presentes de ultima hora?
Em determinado momento, ao meio a indiferença de todos, um senhor se aproxima, sem qualquer cerimônia, senta-se ao lado dele e pergunta-lhe:
- Meu amigo, porque estas chorando? Posso ajudá-lo de alguma forma?
- Não senhor, ninguém pode ajudar-me, mas mesmo assim obrigado pela preocupação.
- Tudo bem, retrucou o estranho,mas mesmo assim gostaria de saber o que esta acontecendo,e porque estas tão triste.
- O homem relutou mas,como necessitasse desabafar, enxugou seu rosto e começou a falar:
- Senhor, meu nome é Noel, sou casado e tenho dois filhos pequenos. Meus filhos brincam comigo e me chamam carinhosamente de papai Noel. Minha família é tudo para mim, eu os amo muito.
- estou desempregado,sabe, moro num casebre no outro lado da cidade e a maneira que tenho hoje para levar alguma comida para casa é catando umas latinhas de alumínio mas ultimamente está muito difícil porque a concorrência é grande.
- Sim, compreendo, mas porque você esta aqui sentado e chorando?
E o homem continua:
- Como eu lhe disse, eu tenho uma família linda que adoro e hoje pela manhã meu filho de cinco anos me deu uma cartinha que escrevera para o papai Noel.
O homem coloca a mão no bolso, tira a carta já amarrotada, talvez de tanto abri-la e entrega ao seu confidente.
O senhor toma a carta e se emociona ao ler. A carta dizia:
“Querido papai Noel, sabia que o senhor tem o mesmo nome do meu papai”? Eu também o chamo de papai Noel, ele é muito bom para mim, meu irmão e minha mãe. A gente é muito feliz.
Eu queria se for possível que o senhor me desse um presente na noite de Natal. Eu queria fazer meu pai sorrir novamente porque sei que ele está muito triste por não poder dar nada para a gente ,nem comida nós vamos ter e é isso que esta deixando ele triste. “Muito obrigado, confio no senhor”.
- Entendeu agora, meu senhor, porque minhas lágrimas? Eu que sou chamado por eles carinhosamente de papai Noel não consigo nem dar-lhes o mínimo na noite de hoje.
O senhor, emocionado com os olhos marejados,se recompõe,levanta-se, estende sua mão em direção ao pobre homem e diz:
- Levante-se, amigo, não perca a fé, vou deixá-lo em sua casa e chegando lá apenas abrace sua família.
E assim foi feito. O desconhecido coloca-o em seu carro e entrega o homem em sua casa onde sua família já angustiada o aguardava na porta.
O desconhecido despediu-se e saiu.
Já passava das onze da noite, Noel desolado ao lado de sua esposa que tentava consola-lo, pois sabia da sua luta para tentar pelo menos satisfazer seus filhos que brincavam num canto da sala, quando o silencio é quebrado por bater de palmas vindo do portão da casa.
Noel assustado vai até o portão e depara-se com o senhor que encontrara horas antes, parado diante da casa. O homem ainda surpreso pergunta-lhe:
-Senhor, o que faz aqui tão longe de sua casa?
O homem sem responder nada, simplesmente abriu o portão e abraçou fortemente Noel e responde:
- Vim passar a noite Natal com você e sua família, posso?
- Mas, senhor, o senhor não entendeu nada do que lhe falei? Nós não temos nada para oferecer inclusive estávamos nos preparando para dormir. Vá para sua casa, pois sua família deve estar preocupada e lhe esperando para a ceia.
-Meu bom amigo não se preocupe , venha comigo,falou o visitante.
Noel sem entender nada se dirige ao carro do desconhecido e espanta-se com tantas sacolas e pacotes.
Eram assados quentinhos, frutas, sobremesas, doces, guloseimas em geral e até presentes para as crianças.
A esposa de Noel não cabia em si de tanta alegria, a criançada vibravam com os brinquedos novos.
Noel, preocupado porem, com tanta generosidade vinda de alguém que acabara de conhecer, vira-se ao bom samaritano e lhe diz:
-Senhor, agradecemos de coração tudo o que fez por nós hoje. Está sendo a noite mais feliz da minha vida, mas porque tudo isso,se mal nos conhece?
-Caro amigo, responde o homem. Eu é que agradeço a acolhida de vocês. Vocês sim é que me deram um grande presente transformando a minha noite.Vocês me trouxeram a felicidade novamente.Nunca pensei que isso pudesse voltar a acontecer .
- Eu sou um industrial bem sucedido mas infelizmente vivo sozinho desde que perdi minha família num acidente de automóvel a duas semanas do Natal do ano retrasado. Eu os amava muito e esta era época de muita felicidade para nós. Mas tragicamente tudo acabou naquele acidente.
-Por isso, hoje quando passei naquela rua em direção a um bar onde beberia até cair eu o vi ali sentado naquela calçada e algo muito forte e inexplicável me fez parar e conhece-lo melhor.
-Para mim foi um milagre, continuou o homem já com algumas lágrimas teimando rolar-lhe pelo rosto.
- A partir de hoje nos tornaremos amigos de verdade, você irá trabalhar comigo.Mas agora deixemos de conversa , vamos voltar à sala e comemorar a noite de Natal.
- Sim, vamos ,concordou Noel.
Tomou o novo amigo pelo braço, dirigindo-se à mesa já finamente montada para a ceia natalina e assim que se acomodam, Noel acanhadamente lhe pergunta:
-Senhor, me desculpe o mal jeito, mas ainda não sei o seu nome.Como se chama?
O homem sorri discretamente e diz:
- Também me chamo Noel...





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