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   > UMA ÚLTIMA HISTÓRIA DE NATAL



LEOMAR BARALDI
      CONTOS

UMA ÚLTIMA HISTÓRIA DE NATAL

O casal Albuquerque saiu de casa para visitar parentes no Tocantins.
-Será que o Tio Divino melhorou das hemorróidas?
-Calma, Vilma, seu tio é um forte. Ele supera coisas com facilidade. –Delmo dirigia rumo a Caldas Novas, Goiás. Ele tinha uma cabeça enorme, no trabalho era chamado de caixa d’água. A velha perua Rural Wilys levava um pinheiro no bagageiro. Delmo usava um chapéu de vaqueiro. No bagageiro, além do pinheiro levava um engradado com um peru dentro, uma cabeça de vaca (a pedido do seu Dito, pai do Divino, porque fazia tempo que o velho Dito lhe pedira a cabeça de vaca, era para dar sorte).
Rodando pela rodovia logo alcançaram um caminhão carregado de frangos. Uma placa ao lado do caminhão indicava: “Para fazer milhões de pessoas felizes neste Natal”.
-Querido, que mau-cheiro é esse?
-Sei lá! Deve ser do caminhão.
E foram um bom tempo atrás do caminhão. Delmo atarracado no volante com toda a sua força, vinte homens não conseguiriam arranca-lo dali naquele momento. Sempre quando Delmo tentava uma ultrapassagem surgia um veículo de encontro. Num certo ponto da rodovia Delmo calculou que tudo daria certo. Pisou fundo, a perua Rural Wilys zuniu, o ponteiro das rotações ficou maluco. Delmo era um bom motorista, a mãe dele que garantiu. Emparelhou com o caminhão, mudou de marcha, fez uma careta. A Wilys emparelhada com o caminhão carregado de frangos, urrava que nem um urso fazendo sexo, mas parecia não desenvolver. Como dissera o amigo Otávio, um dia, lá no boteco do Claudemir: -Existe potência ainda inexplorada no interior desse motor.” Certamente, nunca que Delmo teria o auxílio dessa potência inexplorada. E ele pisava mais no acelerador dessa perua. O peru dentro do engradado olhava para o caminhão carregado de frangos. Só estava ali porque foi obrigado. Ele bem que tentou fugir, mas gordo como estava foi facilmente recapturado. O peru só não rezava porque não sabia rezar. Estava óbvio em seu semblante a preocupação. A preocupação se Delmo obteria sucesso na ultrapassagem. Glu-Glu, o nome carinhoso do peru, quem deu esse nome foi a mãe de Vilma, quando ele viu Glu-Glu pela primeira vez. O peru olhava para as caixas ao lado, no caminhão, os frangos lá dentro, todos sem o menor risco de preocupação. Estavam mais seguros que ele agora, por isso que estavam mais seguros e felizes. Bem tratados, gordos, com as penas lustrosas. Enquanto que Delmo lutava para vencer o caminhão carregado de frangos, Vilma retocava a maquiagem. Delmo suava frio. Tomou uma decisão e agora teria de ir em frente. Pisou fundo e venceu o caminhão. E a Rural Wilys seguia pela rodovia, levando um pinheiro de Natal, o engradado com o peru Glu-Glu e uma cabeça de vaca no bagageiro.
Mais adiante um Papai Noel pedindo carona.
Delmo passou direto. O peru ficou olhando para aquela estranha figura que ficou para trás.
-Delmo, você vai negar carona para o Papai Noel!
-Vilma, está lotado, o banco de trás está apinhado de coisas, vai indo o pneu de estepe, a churrasqueira, e esse maldito vaso de orquídeas.
-Mas a gente dá um jeito, é o Papai Noel!
-Vilma
-Delmo, é o Papai Noel.
-Tá bom.
Delmo encostou, deu a volta. Nisso passou de encontro com o caminhão de frangos novamente. O peru Glu-Glu achou tudo estranho. Meu Deus! Será que aquilo tudo ia voltar a se repetir?
O Papai Noel estava lá esperando.
Delmo fez o contorno e encostou.
-O senhor vai para onde? –perguntou ele para o velhinho simpático que sorria o tempo todo e balançava um sino.
-Para o Pólo Norte. O meu trenó quebrou, e eu preciso estar em casa antes do anoitecer.
-Para onde disse que vai?
-Pólo Norte.
-Será que foi onde eu nasci! –falou Delmo, -Pólo Norte da Ingazeira, na Paraíba!?
-Acho que está havendo um engano aqui, meu bom homem, -respondeu o Papai Noel. –Eu digo Pólo Norte, na extremidade da Terra.
-Bem, se o senhor quiser uma carona até o trevo de Paraíso de Tocantins? Acho que já fica um pouco mais perto.
O velhinho aceitou.
E retomaram a viagem. Mais lá na frente, olha o caminhão de frango de novo. O peru fechou até os olhos, o peru era cardíaco. A Rural Wilys voou sobre o caminhão e pousou bem mais adiante. O motorista do caminhão ficou estarrecido.
O bom velhinho desceu no trevo de Paraíso de Tocantins.
Delmo ainda comentou: -Deve ser um bobão! Tontão! Ele pensa que é Papai Noel. Nessa época tem uma porção por aí.
-Querido, você já teve a noção de estar voando?
E os passageiros de um Fokker 100 da TAM ficam abismados de verem emparelhada com o avião uma Rural Wilys, levando um pinheiro, o engradado com o peru Glu-Glu, e uma cabeça de vaca no bagageiro.
O casal Albuquerque saiu de casa para visitar parentes no Tocantins.
-Será que o Tio Divino melhorou das hemorróidas?
-Calma, Vilma, seu tio é um forte. Ele supera coisas com facilidade. –Delmo dirigia rumo a Caldas Novas, Goiás. Ele tinha uma cabeça enorme, no trabalho era chamado de caixa d’água. A velha perua Rural Wilys levava um pinheiro no bagageiro. Delmo usava um chapéu de vaqueiro. No bagageiro, além do pinheiro levava um engradado com um peru dentro, uma cabeça de vaca (a pedido do seu Dito, pai do Divino, porque fazia tempo que o velho Dito lhe pedira a cabeça de vaca, era para dar sorte).
Rodando pela rodovia logo alcançaram um caminhão carregado de frangos. Uma placa ao lado do caminhão indicava: “Para fazer milhões de pessoas felizes neste Natal”.
-Querido, que mau-cheiro é esse?
-Sei lá! Deve ser do caminhão.
E foram um bom tempo atrás do caminhão. Delmo atarracado no volante com toda a sua força, vinte homens não conseguiriam arranca-lo dali naquele momento. Sempre quando Delmo tentava uma ultrapassagem surgia um veículo de encontro. Num certo ponto da rodovia Delmo calculou que tudo daria certo. Pisou fundo, a perua Rural Wilys zuniu, o ponteiro das rotações ficou maluco. Delmo era um bom motorista, a mãe dele que garantiu. Emparelhou com o caminhão, mudou de marcha, fez uma careta. A Wilys emparelhada com o caminhão carregado de frangos, urrava que nem um urso fazendo sexo, mas parecia não desenvolver. Como dissera o amigo Otávio, um dia, lá no boteco do Claudemir: -Existe potência ainda inexplorada no interior desse motor.” Certamente, nunca que Delmo teria o auxílio dessa potência inexplorada. E ele pisava mais no acelerador dessa perua. O peru dentro do engradado olhava para o caminhão carregado de frangos. Só estava ali porque foi obrigado. Ele bem que tentou fugir, mas gordo como estava foi facilmente recapturado. O peru só não rezava porque não sabia rezar. Estava óbvio em seu semblante a preocupação. A preocupação se Delmo obteria sucesso na ultrapassagem. Glu-Glu, o nome carinhoso do peru, quem deu esse nome foi a mãe de Vilma, quando ele viu Glu-Glu pela primeira vez. O peru olhava para as caixas ao lado, no caminhão, os frangos lá dentro, todos sem o menor risco de preocupação. Estavam mais seguros que ele agora, por isso que estavam mais seguros e felizes. Bem tratados, gordos, com as penas lustrosas. Enquanto que Delmo lutava para vencer o caminhão carregado de frangos, Vilma retocava a maquiagem. Delmo suava frio. Tomou uma decisão e agora teria de ir em frente. Pisou fundo e venceu o caminhão. E a Rural Wilys seguia pela rodovia, levando um pinheiro de Natal, o engradado com o peru Glu-Glu e uma cabeça de vaca no bagageiro.
Mais adiante um Papai Noel pedindo carona.
Delmo passou direto. O peru ficou olhando para aquela estranha figura que ficou para trás.
-Delmo, você vai negar carona para o Papai Noel!
-Vilma, está lotado, o banco de trás está apinhado de coisas, vai indo o pneu de estepe, a churrasqueira, e esse maldito vaso de orquídeas.
-Mas a gente dá um jeito, é o Papai Noel!
-Vilma
-Delmo, é o Papai Noel.
-Tá bom.
Delmo encostou, deu a volta. Nisso passou de encontro com o caminhão de frangos novamente. O peru Glu-Glu achou tudo estranho. Meu Deu! Será que aquilo tudo ia voltar a se repetir?
O Papai Noel estava lá esperando.
Delmo fez o contorno e encostou.
-O senhor vai para onde? –perguntou ele para o velhinho simpático que sorria o tempo todo e balançava um sino.
-Para o Pólo Norte. O meu trenó quebrou, e eu preciso estar em casa antes do anoitecer.
-Para onde disse que vai?
-Pólo Norte.
-Será que foi onde eu nasci! –falou Delmo, -Pólo Norte da Ingazeira, na Paraíba!?
-Acho que está havendo um engano aqui, meu bom homem, -respondeu o Papai Noel. –Eu digo Pólo Norte, na extremidade da Terra.
-Bem, se o senhor quiser uma carona até o trevo de Paraíso de Tocantins? Acho que já fica um pouco mais perto.
O velhinho aceitou.
E retomaram a viagem. Mais lá na frente, olha o caminhão de frango de novo. O peru fechou até os olhos, o peru era cardíaco. A Rural Wilys voou sobre o caminhão e pousou bem mais adiante. O motorista do caminhão ficou estarrecido.
O bom velhinho desceu no trevo de Paraíso de Tocantins.
Delmo ainda comentou: -Deve ser um bobão! Tontão! Ele pensa que é Papai Noel. Nessa época tem uma porção por aí.
-Querido, você já teve a noção de estar voando?
E os passageiros de um Fokker 100 da TAM ficam abismados de verem emparelhada com o avião uma Rural Wilys, levando um pinheiro, o engradado com o peru Glu-Glu, e uma cabeça de vaca no bagageiro.


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