Busca: 

Apelido:

Senha:


Esqueci minha senha
 
  Área do autor

Publique seu texto
  Gêneros dos textos  
  Artigos (641)  
  Contos (940)  
  Crônicas (724)  
  Ensaios (169)  
  Entrevistas (35)  
  Infantil (217)  
  Pensamentos (651)  
  Poesias (2529)  
  Resenhas (131)  

 
 
Geométricas-03-217
Airo Zamoner
R$ 104,00
(A Vista)



Dança de Salão, a...
Maristela Zamoner
R$ 36,60
(A Vista)






   > Tributo a Chico Mendes



jose carlos ribeiro
      POESIAS

Tributo a Chico Mendes

No dia 22/12/1988, bem próximo ao Natal, num estado sem lei, de um pais vil, imitado pelos antigos filmes de FarWest, o Brasil noticiou a morte bárbara de Francisco Alves Mendes, alcunha (Chico Mendes), impotente, eu me entristeci; porém minha mente atormentada não pôde se calar e esse poema eu fiz e quis que alguém lesse, para não compartilhar talvez com a brutalidade da IMPUNIÇÃO, que massacra uma classe minoritária e que os governantes fazem vistas grossas.
 
 
ARCO-CHICO-IRIS
 
É aurora é dia
A cascata com melodia desperta toda a floresta
É mais um dia de festa.
Dos Tuiuiús a cantoria, as Gaivotas em romaria
Anunciam que o dia nasceu
Um tal Chico chilreia, um Pica-pau que ponteia, um Bem-te-vi que trapaceia
Na tora do Jacarandá
Na galhada da Palmeira canta a Gralha seresteira
Governa o toco em vão, cá embaixo um Corrupião
Um tirano vadeia, vestido sem roupa de aldeia, profana o canto
Acaba com o encanto, daquele divino recanto
No perfil da natureza
A Jandaia sem nobreza, agitada sobre o plagal
Nem a Araúna chiadeira
Na folhagem da Palmeira quer a melodia cantar
A Araponga braveja, bigorneia, ara a renda do céu
Quando cai em forma de véu
Um Tucano fazendeiro voa como mensageiro
Depois aconchega no chão, após a perseguição
Na floresta um grazinado trincado, trançado, um trinado de dor
Um ritual de inferno, um pedido de socorro, vem do Arbusto e do morro
Das Seriemas e dos Pardais
O sol desmaia na mata, Jaci com sua saia de prata
Vem clarear o sertão
Amanha não verás mais o Pavão, nem dos Jaçanãs o refrão
Nem o coral das Maritacas, não verás os Periquitos brincando no chão
Nem dos Cisnes a procissão, nem o arco íris das Araras
Quando olhares para o céu
Não verás os flocos das Garças brancas, e no olhar sentirás o frio da núvem de lágrimas
Talvez, ouvirás o lamento do derradeiro Uirapuru imitado pelo vento
E se quiseres chorar, as lágrimas também estarão extintas
Só restarás em forma de angústia um grito sufocado na garganta
E, por ser tarde demais não terás nem o direito de chorar.
 
Fragmento retirado do meu livro  "Sussurros de Poeta"
José Carlos Ribeiro


CADASTRE-SE GRATUITAMENTE
Você poderá votar e deixar sua opinião sobre este texto. Para isso, basta informar seu apelido e sua senha na parte superior esquerda da página. Se você ainda não estiver cadastrado, cadastre-se gratuitamente clicando aqui