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   > Terezinha de Jesus



Marilda Confortin
      CONTOS

Terezinha de Jesus


O primeiro foi seu pai.
 
Terezinha nasceu sem berço, sem abraços, sem festa.

Nasceu em casa, se é que se pode chamar de casa uma pilha de tijolos cobertos com uma lona preta de plástico.

Nasceu de parto natural, se é que se pode chamar de natural rasgar seu próprio corpo gritando de dor para expelir um berne maduro. 

Nasceu porque todo santo ano sua mãe paria um filho e ter um filho por ano era natural para aquela mulher.

E seu pai foi o primeiro porque naquela casa só havia uma cama e Terezinha dormia com os seus pais, entre os pais, com os pés no saco dos pais e a boca no seio seco da sua mãe.

Ela teve tantos pais quantos foram os homens que se deitaram na cama de sua mãe.       
 
O segundo, seu irmão.
 
Terezinha teve tantos hermanos que no los puedo contar.
Ela não sabia seu  sobrenome, porque seus pais nunca registraram nada que os comprometesse, por que nem todos eram filhos da sua mãe, porque cada um era filho de um pai,  porque sua mãe chamava de filho qualquer filho da mãe que aparecesse naquela casa, por isso todos se chamavam de irmão e dormiam  juntos e se amavam muito naquela casa que só tinha uma cama.  
 
O terceiro foi aquele à quem Tereza deu a mão.
 
Ela não deu só a mão.

Ela deu o coração, o corpo, a cama e a vida.

Mas antes de dar o pé ele deu um tiro na boca de Terezinha e outro dentro do ouvido do seu irmão, porque Terezinha era uma boa moça e aprendeu com sua mãe, que aprendeu com um pastor, que aprendeu com Jesus, que devia acolher os necessitados e amar ao próximo como a si mesma.



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