Busca: 

Apelido:

Senha:


Esqueci minha senha
 
  Área do autor

Publique seu texto
  Gêneros dos textos  
  Artigos (641)  
  Contos (940)  
  Crônicas (724)  
  Ensaios (169)  
  Entrevistas (35)  
  Infantil (217)  
  Pensamentos (651)  
  Poesias (2528)  
  Resenhas (131)  

 
 
OBJEÇÃO DE...
ALEXANDRE STURION DE...
R$ 36,10
(A Vista)



Ensaios - Filosofia...
Maicon Martta
R$ 36,90
(A Vista)






   > A SURPRESA DE MARIETA



Airo Zamoner
      CONTOS

A SURPRESA DE MARIETA

Marieta abanou despedidas sorridentes para o marido que já ia longe mas virava-se inúmeras vezes, como só os exageradamente apaixonados fazem. Ao mesmo tempo, não resistia olhar de soslaio a janela entreaberta do vizinho. Via Suzinando agachado, piscando maroto, jogando beijinhos maliciosos.
Imaginava a diversão que a tarde recém inaugurada preparava para ambos, quando Alfredo desapareceu na esquina.
Antes que ela se mexesse, Suzinando apareceu no portão, abraçado com Anita. Partiu em seguida e Anita jogou beijos infinitos enquanto Suzinando, tal qual Alfredo, se voltava a cada dez passos, abanando adeuses imensos. Não resistiu um olhar rápido para Marieta, fazendo respeitosa reverência.
Anita se virou e sorriu para a generosa e encantadora vizinha. Depois de rápida conversa entre as duas, Marieta correu para os fundos, embrenhando-se através de pereiras e mimoseiras, farfalhando através das capoeiras altas, até atingir os limites do quintal.
A brisa morna soprava os galhos que em resposta entoaram músicas incompreensíveis, fazendo o pensamento de Marieta vagar alhures e seu corpo sentir calafrios pela iminência dos prazeres proibidos que, pé ante pé, se avizinhavam a cada minuto.
O ar morno e o vestidinho leve aguçavam apetites proibidos. Olhos fechados e mãos percorrendo o corpo ansiavam pelos acontecimentos. Espiava para fixar o muro baixo revestido de trepadeiras vistosas. Por ali, dentro em breve, Suzinando chegaria às escondidas, enlouquecido de amor como sempre, pulando o muro como um moleque, para atirar-se em seus braços.
Remorsos avançavam por dentro das cavernas protegidas da antiga “filha de Maria”. Imaginava os terrores do inferno, menores que a reação de Anita se descobrisse um dia, o pecado mortal de Suzinando. Menores ainda que as sensações de prazer imenso, indizível, incompreensível, irresistível.
A brisa paralisou sua dança. As folhas se imobilizaram. Um silêncio profundo, intrigante e absoluto abarrotou os ouvidos. Agradável e hipnótico, induziu Marieta a singrar pelas fendas da imaginação erótica.
Subitamente, rompe-se aquele silêncio extemporâneo. O barulho de folhas e galhos amassados se agiganta, mas Suzinando não aparece. O barulho não é por perto, é mais longe um pouco, do outro lado do muro.
Marieta se esgueira sorrateira como gata ladina. O barulho continua. Há sussurros, há gemidos. Ela sobe em troncos mal cortados. Com dificuldade, apóia suas delicadas mãos na quina superior do muro e ergue o corpo. Sua cabeça alcança o topo e seus olhos se derramam sobre o quintal de Anita. Ela vê os movimentos que causam o barulho. Consegue erguer-se mais, jogando o braço para o outro lado e apoiando o cotovelo, mas algum espinho ferino a surpreende. Grita incontinenti e por entre as folhas surge, intempestiva e ofegante, a cara de Alfredo, enquanto Anita, desvestida e pudica, corre desesperada para dentro de casa.


CADASTRE-SE GRATUITAMENTE
Você poderá votar e deixar sua opinião sobre este texto. Para isso, basta informar seu apelido e sua senha na parte superior esquerda da página. Se você ainda não estiver cadastrado, cadastre-se gratuitamente clicando aqui