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   > Pura ourivesaria



Ronaldo Cagiano
      RESENHAS

Pura ourivesaria

Em seu último livro “A cabeça”, o premiado escritor Luiz Vilela, mineiro de Ituiutaba, reafirma sua experiência criativa em contos céleres e pungentes. Como nos livros anteriores, ressalta o seu domínio da arte ficcional, com a qual mantém uma relação artesanal, de cuidadosa e paciente elaboração. Nessa confecção, nada falta; nem há excessos ou adornos; cada coisa em seu lugar, algo análogo e sintonizado com aquele velho conceito esposado por Cecília Meirelles e que deveria ser uma bússola para os novos: “em literatura, temos de ter coragem e cortar o que não presta”.
Em sua atmosfera minimalista de construção literária, percebemos que a comunicação se instaura plenamente e a linguagem, cristalina e fluente, combina singeleza na forma e intensidade na trama, tudo distintamente amalgamado por uma melodia e um viés poético. A economia de meios em Luiz Vilela, mais do que uma obsessão ou um estilo, é um caminho, uma atitude estética Essa meticulosidade - fruto de seu talento e experiência, de uma apurada consciência criativa fazem a diferença - coloca-o num patamar por poucos alcançado. Há um plus sensorial, quase metafísico, nos diálogos.
Vilela, em recente entrevista ao Correio Braziliense, dá pistas de como chega a esse grau de depuração: antes de concluir suas histórias, lê cada uma em voz alta, sentado ou deitado, captando-lhes as ressonâncias viscerais, para sentir o momento em que se consolida o ponto de liga da prosa. É aí que autor encontra a fluência ideal; depois de rigorosa e necessária faxina, que torna o conto enxuto e pronto para ganhar nova vida e outros sentidos nas muitas vozes e olhos que irão incursionar por universos retratados ou transcriados, aí prevalecendo, também, sua habilidade em fotografar o inusitado e o surreal na dicção de personagens curiosos e suas vidas cheias de viés.
Característica marcante em LV, sua escritura resgata o coloquial, como expressão de uma intimidade a humanidade e a natureza das coisas, das re(l)ações, mesmo que em determinados contos haja uma tênue fronteira entre a realidade e a fantasia. Sua obra nos fala tanto da subjetividade e das tormentas individuais, quanto do absurdo da vida, do que há de estranho e casual. Sem valer-se de recursos disparatados (algo muito em voga numa certa literatura urbana, com suas invencionices experimentalóides), se recorrer a maneirismos e outros atalhos superficiais, Vilela alcança o seu objetivo. Autores como Dalton Trevisan, Evandro Ferreira e Luiz Vilela, mestres em nos fazer compreender o real e o imponderável sem os atalhos e aparatos das contorções de linguagem; sem o abuso das adjetivações e abstendo-se do fluxo hemorrágico e abusivo das construções herméticas, elevam a literatura brasileira a um alto grau de preciosidade. A simplicidade, a clareza, cristalinidade e digestão de suas histórias não prescindem de densidade; ao contrário, elas se projetam no clima psicológico e intimista das tramas, pois o autor vai desnudando, nos pequenos dramas, a verdadeira face da vida.
“A cabeça” (Ed. Cosac e Naify, SP, 2002, 136 pg., R$18) é trabalho de pura ourivesaria, marcando o retorno ao conto de um exímio artesão da narrativa contemporânea, que estreou literariamente em 1967 com “Tremor de Terra”, premiado no primeiro concurso promovido pela Fundação Cultural do distrito Federal.

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