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   > Prosaísmos 2



bras domingues de oliveira
      CONTOS

Prosaísmos 2

 As torres, necessariamente, elas não precisam existir tão concretamente para que as imaginemos dominando a paisagem. Foi assim que quis um dia, observar tudo de longe e entender alguns porquês que rondam a cabeça de todo mundo. Mas tudo que não queria era ser todo mundo, a salvação era se descobrir único, pois treinara tanto para ser igual e foi um fracasso. Era necessário descobrir-se diferente, para então, sobreviver.
As formas do rosto lembravam a de um ator famoso; foi assim que quis se apaixonar. Desistiu logo quando descobriu que a geografia impedia o encontro. Como de praxe, colheu uma margarida e colocou-a num copo de água muito singelo de extrato de tomate. Quem iria notar o copo? Sem um noturno de Chopin para justificar a vida, pensou em cerzir meias se chovesse. Não choveu e nem tinha vitrola para uma diversão talvez familiar. Na mala ainda não desfeita estava o romance começado, um postal que não mandou e um garrafa de vinho vazia; achou na estrada e gostou do rótulo.
Gosta dos perfumes suaves e da chuva fina. Descuida das grandes narrativas para colecionar imagens. Tem dias que só espera. Não conhece estação de trem ou aquele apito que, dizem, derrubava uma pessoa. Não desvendou os mistérios prosaicos dos viajantes, não alimentou peregrinos e nem fez promessas de não se cumprir. Se tinha cabelos cacheados foi porque fazia rolinhos à noite.
Os motivos para chorar de vez em quando, os de sempre: final de novela; os motivos para rir: os dias fugazes e as frases feitas. Um mundo desenhado com um pauzinho na terra e a efemeridade de um temporal se aproximando, as frutas no avental e os milagres contados pelos livrinhos velhos que alguém esqueceu na última correria da colheita. O vinho daquela noite...
Os silêncios que constroem aprendera nos manuais, as noites estreladas que conhece, recortou de velhas revistas. A roupa desbotada denuncia uma velha propaganda. Diz pouco dos presentes ofertados e muito dos recebidos. Um par de sapatos e um casaco, a perfeição buscada.
Nos desvão, conquista o mistério, no lampião que se apaga, um cheiro ancestral. Assim é que se recolhe a seus aposentos sem escadarias precedentes, assim é que o dia não termina como nos velhos filmes. A realidade é o detalhe menos interessante quando conversa com uns poucos que ficaram.
Sabe das horas dos pássaros e ronda os matagais. Não tem selvageria na origem, apenas o gosto pelos caminhos estreitos. Das orações, só o ritmo, dos sermões, só as últimas palavras. Uma reminiscência sempre assoma à porta. Então... Noites e noites a não dormir, o amanhecer é só um capítulo, mais nada.
Não tem contas de vidro, nem carrega um patuá, parcos objetos de significância transcendental, apenas um gesto repetido diante do espelho e a espreita dos seres da noite.
Colocou a coleção de máscaras no chão do quarto e saiu sem bater. Teve ímpetos de correr, não fez. Se havia vento, não notou, o dia da semana esqueceu. Nas biografias lidas, só guardou uma descrição confusa de uma partida no meio da noite que, no dia seguinte, havia transformado tudo naquela vila...
O entardecer e outras coisas daquele lugar. Os rabiscos e a indecisão das primeiras palavras. O beijo tácito e um choque de guarda-chuvas. O disfarce das lágrimas derramadas e a verdade dos gritos indecifráveis determinaram o balançar de cabeças quando apareceu aquele jovem...
Aquele jovem era a possibilidade de uma narrativa começar, afinal tinha o olhar que sempre esteve no quadro da sala central. Chegou de repente, disse pouco, mas falou muito. Tanta gente para notar aquele momento, mas ninguém percebeu se era o fim ou o começo.
As brumas e os enredos. A fumaça retilínea e o bolo faltando um pedaço. O mistério sem graça e o burburinho que revela. Eis a possível explicação para tanto ir e vir, para tanta música parada no meio.
O sono interrompido por um sonho em que se era possível definir tantas cores, vozes e imagens. O sonho revelador do passado recente e dos limites da criatividade. Criatividade esta, engendrada nos espaços remotos dos contos proibidos e das conversas atrás da porta.
 As portas que se abriram rapidamente com a chegada daquele que iria abençoar os mais novos e renitentes. Era um dia santo... Só o coreto sobreviveu. As festas se foram com os mortos de antigamente. Hoje as festas são hi-tec sem saber. Sem saber faz perguntas que ninguém sabe responder. Então...
Sai por aí e brinca com crianças que não conhece ou por vezes alimenta os pássaros da estação. A ventania era espetáculo esperado e a companhia não importava.
Subiu a montanha para, mais uma vez, vislumbrar o impossível. Por um instante pensou ter usado palavras mágicas capazes de refazer os caminhos tão bem trilhados nos últimos tempos. Por um instante quase esqueceu que é necessário construir casas e afins, receber amigos de vez em quando e até freqüentar lojas de liquidação. Os instantes deram lugar a uma descida indeterminada até uma casinha onde não crepitava o fogo mítico e nem dispunha de uma velha contadora de histórias. Restara apenas um cheiro de café acabado de fazer que, modernamente, foi servido sem mais delongas de sentido. Ao tomar o café não deixou de notar que da janela podia ver muito longe. Era naquele longe que quis desde a infância mergulhar, mas deram tantos nomes a este lugar que preferiu um romance de aventuras.
No tempo...
No tempo das diligências emocionais se recolheu mais cedo e não viu as galinhas adormecidas, o chá que esfriou não foi trocado e o colar de pérolas continuou a enfeitar um pescoço alvo e inexpressivo para os demais.
Uma sala
O espaldar das cadeiras, a aristocracia do lugar, a cortina entreaberta, patas de cavalo, um silvo ao longe. Assim poderia ser o cenário para o princípio de algo infinito, o princípio de algo que estremecesse e exigisse uma bebida forte.
A casa de chão batido e buracos na parede desdenham das teorias para pertencer ao inominável. A cruz de pedra na ponta do terreiro abençoa os viajantes que vieram e os que virão. Os símbolos se encolhem para se preservarem dos alvoroços do homem. A cerca de cipó não margeia o rio, portanto não conhece os romantismos e nem acomete os poetas de algum lugar. Algum lugar poderia ser o esboço de uma conversa de fim de tarde ou o recolhimento da quase jovem que, do rio, não tem lembranças; lembra do trabalhador que decididamente sabe fazer cercas de cipó. O cipó tirado da mata veio com um manual escrito nos tempos do carro de boi e de dormir cedo, os cipós que se concretizam em rolos foram retirados das últimas narrativas que contavam das incríveis máquinas que quase fazem tudo.
A festa...
A festa começou sem um discurso, sem um acorde de violão e um vestido novo. Começou assim como num dia de semana em que a enxada já descansada é carregada pelo seu dono cumpridor de missões. A moça sem vestido novo apenas sentiu que o mundo girava, que o cheiro forte da cachaça tinha fama. Sem vestido novo se comparou com as demais, o mundo a seus pés eram parcos homens de poucas palavras e sorrisos exigentes, o mundo a seus pés era esquecer-se, para enfim, ter as mãos beijadas por quem não fazia perguntas, mas tinha ares de quem sabia muito. Este partiu sem paletó, não bebeu com os demais e nem quis agradar viúvas e órfãos. Nas contas do terço, rezado mais tarde, só um pedido ressoou lá num íntimo lugar: que ele voltasse um dia ou que a estrada sem segredo, de repente, tivesse setas da felicidade. A moça sem vestido novo...
Os óculos escuros pousados. Um objeto plenamente identificável e o barulho de chaves. Este foi o que encontrou, quando rapidamente atravessou pela casa... O que buscava esqueceu, então contemplou o que poderia ser a imagem da solidão: alguém dormindo de roupa num sofá. Se bebera a noite inteira, não há resquícios, o cabelo em desalinho, as pernas penduradas e aquele mistério dos indefesos. Quis fugir, ao invés, folheou uma revista do acaso e pensou que aquela casa não tinha mistério, que havia fórmulas para se amar e que o corpo no sofá não lembrava o passado nem era o estranho encantador. Levantou-se depressa apanhou de um chapéu e saiu não em desabalada carreira ou com o coração aos pulos. Caminhou silenciosamente e interpretou os sinais de um galo a cantar e de um cachorro latindo sem ritmo e obrigação. Esquecer era preciso...
Para não perder a harmonia das cores ou o fim do romance, resolveu ficar mais um pouco ao lado da fogueira. Ali num círculo de gente, com a chama refletida nos olhos, rememorou uma estação de trem que apareceu numa página de revista e de um velho despertador tirado de uma mala esquecida. As vozes do círculo se alternavam. Um vento frio noticiou que se podia chorar baixinho e até procurar na escuridão um olhar esquecido pela força das circunstâncias e das aparências. Remexendo no bolso do paletó, encontrou um papel em branco com uma assinatura ilegível. Parece ter ouvido o barulho de uma locomotiva ou outro som quase familiar. Em silêncio, os homens da fogueira buscavam algo no céu. Talvez cheirassem os indícios de uma chuva próxima. Saiu do círculo e caminhou até a estrada. Encontrou um rosto conhecido e não parou para conversar. Lá longe, a fogueira era vulcão e sua vida era fuga e aventura. O trem se desprendeu da revista e ele embarcou para longe, o papel em branco serviu para rascunho de uma longa carta, muitas vezes interrompida; tinha medo de usar palavras proibidas. O trem parou, ao descer, contou os degraus, sentiu a chuva fina. Carta terminada, a fogueira imperfeita na memória e os passos em direção do tempo e do invento.
Se os personagens não têm nome e a casa ainda dorme é porque se deu a desimportância dos diálogos e das descrições que não explicam. Ficaram apenas as palavras que, reencontradas, reclamam uma possível história de alguém que caminha.  Desprendeu-se do encontro romântico para ser o trajeto de uma solidão. Se lenços brancos não houve, se lágrimas não caíram, então é preciso inventar uma lembrança de que se era muito noite quando decidiu se desgarrar dos seus. Na caminhada, os pés descalços que doíam não permitiam um projeto de futuro brilhante ou uma canção que de repente fosse lembrada. Os pés descalços insistiam na destinação de que partir era roubar de um sentido já construído antes que ao mundo viesse.  Já era tarde, as estrelas insistiam em iluminar tudo, se poesia desconhecia, sensibilidade sobejava. Então reaprendeu a assobiar para não dizer que não tem o que contar de um dia que passou.
Abotoar o casaco era preciso, assim como era preciso juntar lenha todos os dias
 
Nunca sabe exatamente porque pega da pena e rabisca algumas impressões. Também nem desconfia o porquê de quase nunca chorar, de ter as mãos sempre vazias de presentes, quando gostaria de sair por aí a distribuí-los. Visualiza um mundo muito simples com pessoas chegando para ficar um tempo ou apenas para dizerem um olá e partir. Às vezes pensa em se desfazer do pouco que tem e assim ter mais tempo para os abraços. Às vezes acorda em sobressalto pensando que alguém pode estar triste por sua causa. Enfim, faz um roteiro do existir na esperança de alterá-lo todos os dias...
Deu mais uma chance ao vento e resolveu caminhar pela areia enquanto uma brisa insistia em se revelar. O olhar disperso e os passos lentos deram a marcha das emoções. Depois de todos os segredos revelados, teve que fugir e mudar de nome. Agora não sabe as origens do que sente, por isso voltou à sua coleção de revistas velhas, recortou algumas imagens e adormeceu querendo sonhar com o dia do primeiro encontro. Para isso, colheu as flores que restaram e deu ares de profecia ao acaso que se instala em sonhadores sem cura.
Não se pode ter inocência dos seres que atravessam à noite a acreditar em orvalhos que carregam o arco-íris; no mais, seu lugar comum preferido era uma casa branca com janelas azuis, a figura de um viajante que, ao chegar, iria mudar tudo. Nesse tempo desconhecia os mapas e as rotas secretas. Seu percurso cotidiano fazia-o de olhos fechados para tentar mudar cores tão usuais. O viajante nunca veio e em um livro de aventuras descobriu paisagens de significância e iniciou um falso diário de coisas publicáveis. O tempo se impôs entre uma palavra e outra e o convenceu da inexistência dos viajantes que chegam de repente e mudam tudo. Era o fim da infância.
Agora já não sabe mais o que pensar sobre a última viagem que fez acreditando num diálogo de filme e fundo musical a contento. Tem ouvido alguns discos enquanto rabisca um poema a existir só para os íntimos. Tem procurado em seus guardados uma carta que recebeu há tempos. A carta falava de uma paisagem que se transmutava de acordo com o olhar dos passantes... Ainda sabe do calor das mãos que roçaram as suas num dia de quase chuva e feriado nacional. Descobriu que precisa trocar de sapatos e de uma blusa de lã... descobriu que um beijo molhado fazia parte de uma cena a ser escrita para o caso de haver um final.
Deixou a vergonha de lado e saiu mais cedo para ir até a estação e dizer adeus, deixou de lado à arrogância e comprou flores a preço baixo. No caminho, viu rostos esquálidos e relógios a bater. Um aceno o fez parar. Relembrou goiabadas e água fresca, teve impulsos de correr e pular amarelinha... desdenhou dos véus que escondiam tudo.
Não tem uma Madeleine para que sua memória seja, enfim, retratada com a devida fidelidade de lembranças. Pensa nos dias de solidão e, em vez de teorizar sobre tudo, imagina um corpo que silenciasse um sentimento sem nome. As estradas que projeta se encontram no espaço de todos os sonhos... Poderia neste  momento falar de horas felizes, de flores colhidas e de um peito em que poderia dormir e sonhar. Não o fará. Falará de um diálogo inconcluso e de contas a pagar, dirá dos projetos sem futuro e dos dicionários que nada explicam. Enfim, mais uma vez mandará dizer que não está, mais uma vez contará a coleção de relógios e terá medo do tempo que passa. Dos espelhos, só espera o desdém das pessoas, as explicações finais, e de si mesmo, que não ame demais.
Aos membros do clube recomenda que não esperem grandes notícias, pois neste momento um dos participantes que escrevia sobre tudo resolveu classificar as revistas que falam basicamente de solidão; sabe-se que isso vai demorar... O resultado será que, no futuro, os fragmentos serão melancólicos...
 Sobre aquele beijo dado com muita intensidade só tem a dizer que, no dia, chovia, que ele foi rápido e os dois estavam em pé na porta por onde muita gente passava. Depois daquele beijo, subiu as escadas correndo, se recompôs no espelho e quis cantar, não o fez. O motivo, desconhecido até hoje. Há tantos mistérios há rondar aquele dia que não ousa fazer comentários. Mas...
Nas noites em que não dorme, conta possíveis estrelas e lembra-se de velhos amigos que não existem. Junto ao chá que esfria e a música que pára, há um desejo que o sol nasça e traga grandes novidades.
Mas... tudo é tão explicável que já desistiu de observar olhares curiosos, todos já sabem que, no mesmo horário, arrastando um grande sapato, irá para a praça comprar cigarros e olhar para o horizonte. Todos já sabem... 
Estava só e resolveu folhear uma revista de 1968. Sentiu que poderia então refazer mentalmente o percurso de um personagem criado há muito tempo. Um tempo em que pegava carona, usava roupas rasgadas, ainda não tomava vinho e acreditava em mundos perfeitos. O percurso deste personagem terminou com uma chuva torrencial num dia em que a carona não veio e teve que provar um vinho ruim para  passar o frio. Fechou a revista, pensou em discos de vinil e olhou a rua, teve desejos de desenhá-la, mas se lembrou que não acreditava mais em mundos perfeitos...
Começo dizendo aos membros do clube da revista velha que não fiz aquela viagem planejada há tempo. Resolvi ficar por aqui. Isto quer dizer que não revi a pessoa que ocupa meus pensamentos no presente, momento em que tudo está prestes a mudar. No mais... não comprei novos livros, nem tampouco fui além da margem do rio. Ouvi algumas músicas e contemplei páginas amarelas que vendiam de quase tudo. Se desdenhei dos relógios foi para melhor visualizar o tempo da solidão. Quis um temporal para escurecer o mundo e um chá para desvendar memórias plausíveis... Alguém me contou que estou feliz.
Sentado na soleira da porta. Ouviu histórias de assombração. Contou os bordados na saia da mãe. Imaginou bolo enfeitado com morangos. Bandeirinhas tremulavam. As contas do terço, intermináveis. Sino badalou mais de uma vez. Rojões espocaram. Chuva começou.
Pausa.
Agora que já não conta os degraus consegue ver a beleza dos jardins e os que vão e vêm do trabalho todos os dias... 
A fumaça do cigarro politicamente incorreta e poeticamente sensata dava início ao filme. Tempo depois, um rosto aparecia: rugas desenhadas que, sem nenhuma expressão, aparecia em close e fazia discursos de despedida. Uma lágrima deslizava e a cena voltava para a fumaça que se perdia no ar. Tudo muito simples, simples como a noite dos mascarados e o encontro dos facínoras, simples como estar à beira do caminho... Quando a janela se abriu e a noite estrelou teve vontade de cantar. Não o fez. Suas narinas reconheceram flores ancestrais. Era certo que ele viria. Esperou até tarde ensaiando o diálogo definitivo. Não veio. Dormiu sentada na cadeira com um romance na mão...
Desejos....
As ondas do mar bravio e os cantares inocentes de algum lugar são só as imagens serpenteadas que inauguram noites de insônia ou princípios de histórias que não querem findar. Um dia possível seria aquele da rede a balançar e de um silêncio guardião como testemunha de desejos incandescentes. Os corpos, macios ou selvagens, o roçar dos lábios e o sexo inconcluso dariam o esboço de uma noite quase memorável de amantes inclassificáveis.
Desencontros....
Mesa posta, pessoas que não vêm, flor que murcha no copo que quebra. Lençol rasgado, costura mal feita. O balançar das árvores, pingos teimosos, café que esfria. É preciso pentear o cabelo... Nesse ritual de existir, tarde da noite saiu de casa, reuniu lembranças prosaicas e enveredou por estradas vistas em velhos mapas de viagem. Esqueceu prédios e avenidas. Barulho de motores não ouviu. O círculo de amigos se quebrou. Recebeu um bilhete e esqueceu de ler. O filme pelo meio, o disco parado. Conflitos não foram arquivados, beijos ardentes não emocionavam, hostes inimigas se aproximavam...

Coisas desejos amantes notícias roupa nova natal caco de vidro olho de peixe rosto esquálido pernas bambas copo de cachaça saia curta remédio tarja preta chapéu de peão escola primária esmalte endurecido livro de cabeceira fio de cabelo dourado sabonete pela metade perna da cadeira café esfriando dublador de filme gato ronronado espaço em branco furo no meio cravo na lapela orvalho intermitente pilha de prato azulejo de rosas moletom usado chinelos azuis. Enfim, um nome a zelar.
Não ousa falar de tristezas antigas ou de uma manhã que, ao despertar, quis que tudo terminasse sem explicação. Por ser um leitor de histórias infinitas deixou que o café fosse servido, que o silêncio não se explicasse e que o barulho das xícaras profetizasse o fim. A mancha de batom, o perfume barato e tudo o mais da noite anterior tiveram o poder de transformar aquele roteiro construído com possíveis gotas de sangue de um coração iniciado no universo das paixões.
Terminado o café, era hora do jornal, de uma conversa sobre um mundo pelo qual se tinha algum interesse. Neste dia, porém, se levantou, se dirigiu ao quarto para se estabelecer como uma personagem trágica que iria aos gritos dizer quase tudo que sentia, haveria um bater de portas e os xingamentos seriam abafados por uma música alta no andar de baixo. Nada disso ocorreu, nada disso entrou para as memórias daquela família conhecedora da rotina como coisa sagrada. Ficou, daquele dia, uma cicatriz na mão já que um vaso fora quebrado num dos raros momentos de fúria a que ninguém assistiu.
Já que perdemos a hora de dizer tudo, vamos passar pela vida ensaiando a frase da despedida.
Sem a echarpe costumeira e os ondulados cabelos fixos parou na contramão para pensar nos possíveis do mundo real. Ah! Lembrou do mundo real no momento em que era preciso arrancar para bem longe, mas sem os aparatos do disfarce; só teria o vento cúmplice e as músicas que o rádio talvez tocasse naquela manhã fria de Paris ou Londres. Lugares que ficam tão sem graça quando fogem dos postais. Lugares tão desnecessários quando as paixões são tórridas e dinheiro pouco. O café sem açúcar e o vinho seco. Duas coisas detestáveis para um fim de tarde em que tudo demorava em ter explicações simples. Mastigava algo que o nome não sabia. Era um mecanismo para se entreter antes da chegada daquele que traria o jornal e, quem sabe, geléia. Ele faria malabarismos com a fumaça do cigarro e não iria se permitir falar de si, embora fosse notável sua dependência daquele encontro sem mistério num café sem pompa e circunstância. Tinha os olhos cinza, as mãos grandes, cabeleira farta e uma selvageria pronunciada. Não se apresentava como o homem do campo e nem como um citadino ilustrado. Era o Homem, isso quase bastava se não fosse o cinema com seus mocinhos e bandidos e música de fundo que impedia qualquer felicidade aos mortais daquele lugar...
Sempre imagina casacos que dão conta de tudo. Compara o sabor da lágrima ao da margarina que brilha no pão nas manhãs quase sem sol. As músicas que ouve falam de imagens por construir e o último filme que viu revela caminhos que se bifurcam para explicar as ideias de labirinto que povoam sua cabeça. Então decorou alguns diálogos necessários, mas desconhece discursos de despedida.
Mas... flores murchas esperam em um vaso sem cor. Papéis envelhecidos recordam manuscritos inaugurais e a ciranda, que ainda não terminou, trouxe a noite e suas estrelas, que revelaram outros paralelismos sonhadores.
Se constrói imagens repetidas é porque busca o minimalismo das coisas e porque se sente como um viajante que, tendo que andar muito, tem de escolher muito bem o que levar. Nessa escolha, o prosaico quase sempre vence outras elaborações, oi com parcos objetos que atravessou a ponte que revelou os duplos do ser. A sombra que se projetava tão grande escondiam o ser que se diminuía pensando nas incertezas que estariam depois daquela estação
 Sabe que a qualquer momento pode dizer um olá, mas se esquiva para projetar um turbilhão de emoções que iriam transformar aquele enredo de um romance mal começado em um tipo de história que fizesse chorar. Chorar tinha sido, até então, uma obsessão, pois, sabia, de algum modo, que era disso que precisava para logo depois encetar um diálogo com aquele que tinha um dia dito apenas palavras de passagem, mas o som e o sentido permaneciam ali. Ali não era um lugar especial, era a pequena sala em que os viajantes paravam para descansar. Este, porém, não era um viajante, era o agregado,ele era o que causava a fúria do seu corpo as noites de insônia; era a causa de ela se machucar no espinho da rosa, eram os anos que iam passando e ela, sem pode dizer o que, ia registrando em diários proibidos. Sabia que se de repente rolassem lágrimas copiosas, quem sabe sua garganta já seca pronunciasse o nome daquele sentimento guardado a tanto. Precisava somente chorar...
Era preciso tomar uns goles para que verdades fossem reveladas. Naquele dia, portanto, sóbrio, resolveu dizer tudo que, em silêncio, tinha remoído durante a manhã... mas quando chegou ao boteco tão familiar, este estava vazio e o discurso que, sobriamente, havia preparado, ficou preso na garganta. Não tinha a platéia. Teve tempo, então, sem pedir uma cachaça, de pensar na vida. A vida, até ali, tinha sido uma desculpa, um filme sem cor ou alguma surpresa, cujo roteiro decorado, ele repetia todos os dias. Mudar. Não concebia esta possibilidade. Apenas sabia a diferença daquele dia em relação a todos os outros. O dono do boteco, personagem obrigatório nesse enredo, nada entendeu como o outro nada bebeu e nada falou. Aumentou o volume da rádio sertaneja e assobiava junto com a música, não reteve este dia como especial, nem procurou explicações para o fato. A certeza implícita de um cotidiano dono das perfeições humanas deu conta de fazer com que não notasse que um homem ao sair, uma vez na vida, decidiu ser outro e não conseguiu...
As últimas páginas que lera falavam bem pouco de como reconhecer os amores que transportam; insinuavam, sim, algumas falas esperançosas de adeuses comovidos e de umas rosas vermelhas sem espinhos que alegrariam o dia. Enfim, a leitura tinha simplesmente possibilitado que o relógio fosse esquecido e, nesse tempo de confiar em histórias inventadas, uma panela de feijão queimou e um chamado vindo de longe não fora ouvido. Olhar para o vazio era a solução encontrada para descansar os olhos e nada mais. Não cultivava as simbologias que sempre buscam reinvenção; simplesmente, pensava em linha reta, sabendo da tortuosidade de tudo. Quando via um conhecido, construía uma narrativa de aventuras; quando conversava com ele, construía outra de mesmice. E, assim, ia ficando naquele mesmo lugar de parentes e conhecidos. Um lugar de rezas poderosas e mulheres que benziam crianças, espaço transformado sem os devidos manuais que explicam tudo. Um lugar esquecido pelas placas e mapas, mas infinitamente lembrado quando, em dia tempestade, todas as anteriores apareciam para que comparações fossem feitas e a roda do mundo fosse composta entre um relâmpago e outro.
Os olhares furtivos e o cravo na lapela foi o que restou de uma lembrança que insiste em aparecer toda vez que atravessa aquela rua de todos os dias. Esqueceu-se de contar os dias e as horas, apenas caminha absorto pelos caminhos decorados e imperfeitos que inventou num dia sem sol. Tem pressa em desentender o mundo para enfim participar da grande colheita que sempre faz parte dos convites que recebe para partir. Os convites acabam esquecidos em algum lugar; a urgência dos outros impede qualquer decisão abrupta do existir. Não tem mãos calejadas, nem rugas que contam histórias; não goza do convívio dos nobres, nem se envaidece de nada. O rio que corre, as pedras que não cantam e a árvore do bem e do mal é só um cenário embranquecido de possíveis histórias de vida e morte. Se uma lágrima cai é para marcar o tempo de uma aventura ou o descuido de alguém que não decorou o número das máscaras dispostas na entrada do pórtico para aqueles que chegam.
A beleza incontida daquele instante e os dizeres de alguém que tinha acabado de chegar alvoroçaram um coração que esquecera as lições baratas das emoções e tinha parcas recordações das odisséias de cada um. Então resolveu disfarçar cantarolando algo proibido para adultos de todos os tempos. Assim, pôde sair à francesa de um mundo complicado de chegadas e partidas para se estabelecer no universo daqueles que fecham janelas pressentindo tempestades...
Das mãos espalmadas aos gestos repetidos, uma possível grandeza de imagens, mas o que tinha para observar era rosa que ao se desfolhar suas pétalas no chão construía um desenho decifrável somente pelas crianças a existirem. Como era tarde, como era preciso viver, planejou partir sem que os demais percebessem, planejou um discurso de duas palavras e não se lembrou dos abraços conseqüentes. Estava assim absorto quando o hálito quente no pescoço suscitou imagens de encontros à socapa, suscitou a imensidão que um dia quis ver reduzido aos formais apertos de mão e às ocasiões solenes de cumprimentos de cabeça e silêncios aristocráticos... Assim foi que parou na página vinte para levantar a cabeça  e botar atenção num latido insistente que desmentia os filminho que passava pela memória enquanto lia, o latido contava das ausências da existência e das emoções roteirizáveis para os que um dia chegarão.
Os amores... numa rua estreita e deserta beijou longamente o homem que fazia estremecer e mentia descaradamente.Na rua estreita foi obrigada a recuar um passo para não tocar em corpos ardentes, o véu que cobria o rosto, a saia longa , o decoro calculado era só a ponta de um mistério sem graça de vilas que desaparecem e de rincões que se tornam letras de músicas , mas  que ninguém sabe o nome.
Na densidade do papel crepom recortou figuras de enfeitar, na leveza de uma gota de orvalho ampliou o tamanho da formiga. Nas noites que viriam colecionaria os assuntos prediletos. Enfim, os retrospectos ajudariam num projeto de não traição de si mesmo e a possibilidade de construir sentidos sem datas para terminar. Então juntou as mãos embaixo do queixo e resignada deu passos incertos, cantarolou qualquer coisa e deu ares de importância ao mundo que esvanecia perante o desejo de existir só por um instante como o outro lado do espelho quase mágico em que se mirava todos os dias...
Não, não era isso o que queria dizer, pois a casa da árvore era um só um detalhe, as brincadeiras de roda só um retrato no livro infantil, a poltrona de alto espaldar escondia o personagem e punha medo nos pequenos. A fonte cristalina não planejou seu curso e o cavaleiro errante não chegou no horário. A quebra de expectativa, a perda da inocência e a xícara lascada não deram conta de explicar os motivos de um longo suspiro e de uma lágrima pronunciada. Os racionalismos expostos em respeitosos livros ficaram esquecidos para o depois. A noite caiu, a chuva insistente a proibiu de sair. Os encantos do simples venceram uma possível explicação que do púlpito, o padre tentara esboçar...
Das profundas tristezas e do riso refeito. Assim começava o relato do simples fato de ter se desvencilhado de velhos objetos para, quem sabe, construir outros sentidos para dormir até tarde, cabelos por pentear e uma necessidade de blusas quando não havia frio. Pensou por horas num quanto tinha adiado o dia de desfazer as bagagens e distribuir os presentes. Não tinha um instante de febre e um grito rouco justificasse a indiferença para com os demais. No jantar se esquivou de falar do tempo e enveredou por um assunto espinhoso de heranças mal explicadas e do desencantamento de se estar sempre à espera. Constrangidos os da casa disseram de compras inadiáveis, de remédios que curam e da possibilidade de ter no futuro, um médico na família. Um doutor, enfim... O alheamento de tudo se instalou, girou um anel no dedo e pensou em canções que sabia pela metade.Jantar terminado, licor, café, piano.Este era o quadro na parede, a realidade era a janela a bater, o prenúncio da chuva e as despedidas de praxe. De praxe, não levantava da cadeira, apenas oferecia a mão que não eram beijadas. No desalinho de tudo, era necessário sonhar...
O vinho derramado poderia explicar tanta coisa. A pouca luz impediu que a lágrima fosse vista. Depois de enxugada, voltou seu rosto para aquele que mudara tão pouco, apesar dos anos. Quis arrumar o cabelo ou quem sabe, rodopiar no salão, mas apenas conseguir dizer um olá quando passou em sua frente. Em linha reta se aproximou da janela e vislumbrou todas as noites em que com a cabeça no travesseiro inventava passos apressados no corredor e tinha o coração aos pulos para a possibilidade do amor. Não sabe quanto tempo ficou ali,quando se virou seus olhos se cruzaram, efeito talvez do terceiro ou quarto copo e de uma música que tinha embalado os esbarrões de antes.Quis sustentar este olhar, não conseguiu, não tinha uma narrativa adequada para tal momento, tudo que fez foi mexer no colar e decidir o futuro de um conto de verão ou de uma paixão perfeita por não existir...
Sempre se preocupa com as margens que se formam quando rabisca em cadernos de se comprar... Tem feito coisas que esperam o sentido... Sai à noite e não encontra vagalumes...
Aquele abraço demorado não era afeito a romantismos de ocasião. Queria ser interminável, conseguir que o tempo parasse ou coisa assim. Como isso não ocorreu e estava frio, correu para casa como o grande desejo de prepara panquecas, ver filmes ou quem sabe compor uma canção.Nada fez como planejou, também não chorou copiosamente de saudade.Apenas conseguiu a escuridão perfeita para um sono reparador.No outro dia, já era inverno, no outro dia, uma conta para pagar.Sem heroísmos e trombetas  pensou na vida pregressa e quase riu de tudo.Ao atravessar a rua se deu conta dos relógios e das datas indefinidas, percebeu a falta de maquiagem e se importou com o vento.Nas vitrines, objetos nomeados e esquecimentos permitidos, sem um corpo que suportasse sacrifícios sentou em banco de praça.A praça...O esbarrão foi sem querer, já os olhares não, o copo virando na mão foi ao acaso, já o beijo não.Assim como não foi por acaso que um dia ao receber correspondências de longe projetou asas e tele transportes ou quis simplesmente  que por um momento o tempo voltasse.Ah se o tempo voltasse, teria graça mudar as palavras e as cortinas da sala, teria graça dizer não  e declarar que as ilusões se findaram.Não teria graça, tem certeza.
Se virou de repente para contemplar, mas algo escapou daquele momento que queria registrar. Então com os pés descalços subiu a montanha e pensou em rezar.Percebeu que no trajeto alguns levavam pedras, outros flores da estação, alguém mais rezava...de cima da montanha nada contemplou, ensimesmado com olhares matinais e os murmúrios dos que crêem sentiu apenas os pés doloridos e o sol que esquentava o mundo...Sentiu os outros e esqueceu de impor uma vontade qualquer.Se ali tinha crianças, esqueceu, se a flor do sexo desabrochou, seu corpo não reclamou.A garganta seca, água pura e o distante choro dos desesperados, podiam bem ser o fim daquilo tudo, mas sem nenhum alvoroço aquele dia terminou...
 As flores de papel crepom são pura repetição. Étamine é nome de tecido que talvez não exista mais. O peixe dourado quer silêncio.A serenata não teve fim.O cheio de querosene tirava o charme da lamparina.A margarina era só o pretexto de tantas coisas.Como podia um remendo ser tão bonito?Os olhos eram azuis como uma conta. E a morena era jambo. Era naquele tempo, ou era uma vez que existia um rei e por aí vai...
Do sorriso esboçado ou da lágrima que rolou ficaram fragmentos de um dia em que incrivelmente tinha cara de certezas e outras coisas inventadas pelos humanos que cultivam jardins quadriculados e colunas que se alinham. Mas... como não gosta das matemáticas logo removeu a idéia de se juntar ao grupo, preferiu um atalho e chegou mais cedo para se esquentar naquela fogo que crepitava sempre naquela casa sem nada de interessante para os arqueólogos de sempre, a casa pequenina onde todos os ventos ecoavam mais alto e uma galinha insistia em ser da família.O recuo no tempo, a consulta aos sábios revelaram que  não havia jeito de se recompor o evento  dos dias felizes ou das brincadeiras de rodas no pátio da igreja...
As teclas do piano silenciadas há tanto tempo, a mão que deslizava sobre a cauda empoeirada deixa entrever que a personagem simplesmente rememorava algo que poderia até emocionar não fosse o adiantado da hora e o turbilhão de pensamentos que trazia de volta um tempo racionalmente esquecido para que fosse mantida a tradição de ninguém se exasperar naquele mundo pertencente apenas aos iniciados nas dores do mundo. Sorver um vinho demoradamente poderia causar um descompasso naquela figura altiva que ao atravessar a sala deixou que o perfume denunciasse sua volta. Então a música irromperia pela noite, apareceriam os velhos conhecidos e quem sabe um vaso de flor do campo enfeitasse a sala e o gato fugido ronronasse no colo de alguém. As teclas do piano continuaram mudas, as expectativas quebradas, a leitura do testamento, solene, a louçaria da companhia das índias orientais ficou coma a irmã mais nova, os demais objetos desdenhavam de seu valor e ficaram para quem sabia a história das coisas.Servido o café protocolar seguido de sussurros nada abalou aquele dia que poderia enfim se descolar de sua de ser branco e normal.Os que muito tempo depois descreveram o fato dão conta de que uma jóia sumiu e alguns dormiram durante a leitura, lembram também que uma tinha o rosto carmim e um rapaz chegou atrasado.Nada foi registrado em papel, muitos já morreram e tudo tem nome de narrativa a se desconfiar,o piano lá ficou, não foi arrolado, foi confundido com as músicas que neles gerações se debruaram alegrar as festas de então, era o passado, simplesmente.
Ligou rádio e teve notícias de tudo. Saiu mis cedo e alterou a rota dos pássaros. O latido de um cão evocou o filme do passado. Uma sai rodada fez o sorvete cair.O acorde do violão lembrou emancipações juvenis.O cravo na lapela desnudou a possibilidade de uma corrida matinal.Morangos silvestres atrasaram compromissos inadiáveis.Chapéu de feltro desprotegeu de um chuva anunciada.Era naquele momento mais um transeunte que, nos encontrões da avenida principal conseguiu distinguir alguém quase familiar que ia apressado na direção contrária.Quis acenar, gritar talvez, não conseguiu, tinha decorado os bons modos,tinha assimilado silêncios obrigatórios,só torceu para que rosto se virasse e quem sabe reconhecesse o código dos solitários das noites escuras, não aconteceu,se perder na multidão era o remédio para aquele dia...
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 


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