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   > O rei caolho



altair almeida
      CONTOS

O rei caolho

 cia buscavam mais riquezas ainda, viu-se no seguinte dilema, invadir novos reinos para agradar ao desejo incontrolável de mais riqueza de sua corte e súditos ou confrontar a todos, não invadir reino nenhum e passar a ser mau visto por todos. 

Um rei que só tinha um olho, pois o pobre caolho, com poucos  dentes que eram podres era feio e mau cheiroso  como a soma de todos os horrores, mas mesmo assim na calada da noite, escondido sob o negro e o silencio do romper da madrugada, enviou suas tropas para o país vizinho, com a desculpa de libertá-lo de falsa opressão que o atingia, fez espoucar bombas lancinantes aos gritos de sua artilharia, bombas incandescentes que explodíam varando a madrugada.

Mensageiros saíram apressadamente, montados em seus cavalos levando a notícia para reinos vizinhos,o rei poderoso, caolho dos olhos tortos, invadiria e  acabaria com todos os reinos, grandes ou pequenos que atravessassem seu caminho de conquista e devastação.

Então, seria bom prepararem suas riquezas, pois em breve o espólio seria recolhido para a honra de seu reino e reinado, seria ampliado o horizonte dos vassalos, dos escravos, dos humilhados e subjugados.

Mensageiros cavalgaram muito, mensageiros cavalgaram como poucos, atravessaram várias terras, subiram várias cordilheiras e chegaram até os limites de todos os horizontes, a cavalgada foi dura, pois a terra era pedregosa, os relevos eram acidentados, o frio era acirrado, mas em todos os reinos próximos, os mensageiros foram recebidos com pedras, com lanças e com açoites.

A marcha da conquista iniciou-se, a tática era armar acampamento a quinhentos metros dos reinos, povoados e aldeias e atacar sempre nas madrugadas, por volta das tres da manhã, hora do sono pesado e por mais que moradores, guerreiros e  lutadores estivessem acordados não estariam em plena forma acordados e armados.

Bolas de fogo através de catapultas imensas e possantes iniciavam os ataques destuindo e incendiando cabanas, florestas, e tudo o que estava a sua frente, seu exército sempre avançava em evoluções perfeitamente treinadas e não ia ficando pedra sobre pedra pelo caminho, pois seu exército na verdade era imbatível, guerreiros sanguinários, muito bem treinados e dos olhos vermelhos e injetados movidos pela ganancia do metal dourado não perdoavam homens ou mulheres, crianças ou velhos e íam dizimando a tudo e a todos.

O motivo, que seguia nos avisos levados pelos mensageiros, carimbados com o brasão do rei,  era sempre o mesmo, "o reino vizinho não respeitava antigos tratados e escondia armas de destruição em massa nos cantos de seu povoado". As invasões e destruição foram seguindo por meses  ininterruptos, os espólios eram a base de sangue e horror levantados, todos eram aniquilados e o rei em sua lógica cega admirava seus cofres cada vez mais abarrotados.

O último dos reis conquistados, teve sua cabeça decepada após ser arrastado por um bravo alazão e depois foi humilhado e o rei desfilando após o término da ultima batalha em sua carruagem de cavalos brancos, gritava dizendo que libertara todos os povos e esse era mais um povo libertado.

Todos acreditaram que enfim teriam um dia melhor, que tudo o que foi destruido e devastado seria um novo e vasto reino construído do pó. Estradas seriam pavimentadas, diques seriam construidos, lavouras seriam iniciadas com o cultivo de hortaliças junto com ricos pomares que seriam cultivados. 

O rei em um arroubo de ganancia e genialidade iniciou a reconstrução de todas as terras devastadas, para isso enviou seus mensageiros novamente, para levar as boas novas a todos os conquistados, novos dízimos seriam cobrados para reconstrução dos países devastados que seria feita óbviamente por amigos do rei carrasco e danado. 

No final de todas as noites rei e seus amigos desgraçados riam-se em meio a fortes goles de vinho e pedaços de frangos decepados, riam-se em demasiado do desfecho premeditado.

Essa é a história do rei caolho e desengonçado, que se fazia de tolo, mas era ardiloso e bandido e se fazia de rogado contando seus tesouros muito bem guardados.



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