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   > NO VENENO PARTE I



Márcio Blacerda
      CONTOS

NO VENENO PARTE I

NO VENENO – PARTE I
 
-          Toma! Pega essa porra e guarda contigo!
-          Que é isso?
-          Nossa... Pensei que fosse ingênuo, mas não tanto... Não vê que essa merda é um revólver?
-          Que é um revólver eu sei mano!
-          Mas por que tá perguntando então o que é porra?!
-          Calma ai!
-          Calma ai o caralho! Com você só assim no tranco!
-          No tranco... Por que você ta me dando isso? Que quer que eu faça com isso?
-          Ah, não me obriga a dizer o que fazer com isso... – respondeu com deboche.
-          Se liga meu! To falando sério!
-          Eu também, tô te dando isso você sabe bem pra quê. Já falamos sobre isso. Pega, pega, guarda ai contigo. O meu tá aqui, só que é diríamos mais potente, com mais poder destrutivo que o teu. – disse entregando o revólver e sacando uma pistola prata da cintura – Olha só a máquina, isso aqui é profissional já, você chega lá, por enquanto dá pra você ir brincando com esse ai. Tá de bom tamanho pra você. Criança que brinca demais com fogo mija na cama. – soltou aquela risada medonha e irônica.
-          Mas cara eu nunca fiz isso...
-          Têm sempre uma primeira vez pra tudo na vida.
-          Mas...
-          Mas o que mano vai mijar pra trás? Agora que deu a fita vai correr? Ou você queria ficar só no planejamento?
-          Não eu...
-          Não têm espaço pra ficar um cara no planejamento não! Temos pouca mão de obra, então todo mundo têm que botar a mão na massa, ou melhor na arma! – soltou novamente aquela risadinha irritante.
-          Cara eu não sei se consigo.
-          Consegue sim! Consegue sim! Lembra que você ta no VENENO! No VENENO meu irmão! Lembra disso que você consegue. Você consegue!
-          Tudo bem. Tudo bem... No veneno eu tô faz tempo, mas daí a conseguir fazer isso são outros quinhentos...
-          Teu mal é esse, sempre esse! Só pensa negativo! Têm que pensar que vai dar certo e vai dar certo! A gente têm que jogar pra ganhar mano, pra ganhar, jogar pra ganhar nunca pra perder. Você ta fazendo exatamente o contrário, já entra numa briga perdendo...
-          È complicado...
-          Não pense que é complicado que fica mais complicado ainda, temos que ir lá e fazer o negócio. Agora guarda esse revólver ai. – disse guardando sua pistola na cintura e mostrando – Guarda assim ó... E toma cuidado pra essa merda não disparar e te dar um tio no saco! – soltou novamente aquela risadinha.
-          Ta vendo como não tenho afinidade com isso. Não sei nem guardar essa porra direito e você ainda acha que vou conseguir fazer essa parada contigo?
-          Calma donzela você vai pegar o jeito. – risadinha insuportável de novo.
-          Donzela é o caralho! Você sabe muito bem que eu gosto de mulher! Melhor dizendo eu gosto é daquela mulher... – guardou o revólver, baixou a cabeça, ficou com o pensamento distante por uns segundos.
-          Ai sim! Agora falou igual homem: decidido. Tá vendo meu amigo? Têm vários motivos para fazermos a parada: vai ser justiça social, pessoal e amorosa. Pensa bem aquele puto têm que pagar pelo que fez, eu tenho que ganhar uma grana e você além da grana têm que fazer ele pagar pelo que fez. Vai deixar o vagabundo andando assim impune?
-          Você bem sabe que dinheiro daquele traste eu não quero.
-          Mas dinheiro é bão, e se você não quiser pra você pode usar nesses teus projetos ai sociais, você é quem sabe, seria o mais justo, o dinheiro que aquele safado roubou voltando pro povão.
-          Pensando por esse lado...
-          Então vamos parar de pensar e vamos agir. Vamos caminha! Vamos no Tarciso acertar os detalhes finais.
-          Pó mas nessa chuva?
-          Tu deixa de ser fresco, é feito de açúcar?
-          Tá vamos, vamos.  Agora eu quero resolver logo essa parada.
-          Isso Assim que se fala mano!
 
 
Bateram a porta, passaram pelo portãozinho e saíram apressados embaixo daquele pé d’água.

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