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   > O HOMEM QUE FICOU COM A ONÇA



LEOMAR BARALDI
      CONTOS

O HOMEM QUE FICOU COM A ONÇA


Bêbado no bar, pede mais uma garrafa de cerveja. Vai colocar no copo, erra o copo e derrama tudo na mesa. Percebe a cerveja caindo em cima do seu pé.
-Milagre!.. Milagre!.. -diz o bêbado meio desconjuntado, -Tá brotando água... tá brotando... água... água... tá brotando água da mesa.
Ele põe o copo na esquerda e despeja na direita. Põe o copo na direita e despeja na esquerda. Põe o copo dum lado e despeja a garrafa do outro.
-Mas que... droga... nhac! Ô copo que não pára no lugar!
Muda o copo de lugar, torna errar o copo, derrama na mesa. Muda o copo outra vez, despeja do lado contrário em que tinha colocado o copo. Outra vez aquela dança. Põe o copo dum lado, despeja do outro, põe o copo onde tinha despejado na mesa, e agora despeja a garrafa do outro lado.
Fica impaciente. Chama o garçom.
-Um outro copo pra mim!
Agora coloca o outro copo ao lado do primeiro. Agora sim. Despejou dentro do copo.
-Isso... que eu... chamo... de 'telijença! É isso aí... Um brinde... Á sua saúde... -e avança o copo para a cadeira ao lado, que tem um paletó estendido sobre ela.
Ele saiu do restaurante.
Olhou para a rua, o movimento.
-Onde será que eu moro?
Perguntou pro manobrista. O manobrista não soube informar.
-Eu mesmo terei de me virar.
Foi atravessar a rua. Tinha um poste do lado.
-Ôh, companheiro! Como está!? Sempre aqui quando preciso de você. Você sim é que é um grande amigo... Você sabe onde eu moro?!
Deu certo que tinha um cartaz pregado no poste. "ESTRÉIA HOJE. CIRCO DEL PICOLLO. ESTRÉIA BABY A ONÇA FEROZ. ARMADO NA AVENIDA WASHINGTON LUIS, 234, AO LADO DO POSTO DE GASOLINA."
-Puxa, amigão! Você sabe onde eu moro!? Avenida Washington Luis... Puxa... Só você mesmo... Só com você eu podia contar... Obrigado... Ah, vamos atravessar a rua? Cuidado, hem. O trânsito está feio p'resses lados.
O bêbado correu, atravessou a rua.
-Ei, ué... Cadê o Francisco?
Deu certo que daquele lado tinha outro poste.
-Ah, você está aí. Também com este porte atlético! Atravessou a rua que eu nem vi. Bem, agora vou para casa. E você... Hem?.. Ah, vai curtir as gatas. Cuidado, hem, altão, olha a doença, hem! Cuidado!
Avenida Washington Luis, o número batia. O local do circo todo iluminado. O bêbado já com a visão meio prejudicada, foi entrando.
-Olha só, esqueceram as luzes de fora acesas. Deve ser a Suzi com as suas amigas. É melhor eu entrar pelos fundos.
Passou diante da jaula do chimpanzé e o animal começou a pular e gritar quando viu Adeilson passar meio cambaleante.
-Pára de me encher, seu Wilson, vai pentear macaco!
Se aproximou da jaula de Baby, a onça.
Tentava com a chave na fechadura da jaula.
-Que droga. Vamos, senão ela vai acordar. Se ela perceber que cheguei tarde de novo vai acabar virando onça.
Conseguiu abrir a jaula na semi-escuridão. Entrou, foi devagarinho onde presumia ser o guarda-roupas.
A onça dormia, chegava até a roncar, um ronco feio e estremecedor.
-Puxa, querida, você já ouviu falar que roncar desse jeito pode fazer mal à saúde?!
Começou a mexer no guarda-roupas, ou no que ele presumia que fosse o guarda-roupas.
-Xampú anti-pulgas?! Dardos tranquilizantes?! Óleo de mocotó?! Sebo de vaca?!... Ué, sei lá, deve ser essas coisas francesas que ela compra pro seu corpinho. Nunca consegui entender esse negócio de moda mesmo!
Tirou a roupa e só de cuecas deitou-se ao lado da onça.
-Puxa, querida. Você está usando aquele pijama de peles que eu comprei no pantanal? Humm, mas você está num cheiro hem!
De repente um rugido feio.
-Tudo bem, tudo bem... Não está mais aqui quem falou!
Num gesto mais de instinto que outra coisa a onça pôs a pata em cima da coxa de Adeilson.
-O que é isso? Agora? Mas, você não estava zangada comigo por causa da vergonha que eu fiz você passar na sala de espera do psiquiatra? Você já esqueceu que usei o seu depilador pra tosquiar o cachorro?!
Ao mesmo tempo que sente um fungado em seu pescoço, e uma lambida.
-Sei. Você não quer dizer nada...
A onça bate o rabo e cai em cima das costas dele.
-Com chicote e tudo!?  Úúúúúúúúúúúú. Uau, uau!
Quando é chegada a hora da apresentação da onça Baby no Circo. A jaula é trazida para o picadeiro. E no momento em que é levantada a lona que cobria a jaula, a surpresa. Adeilson ao lado da onça só de cuecas.
-Pai! -gritou Suzi, que estava na platéia, -Meu pai!
Adeilson, pego de surpresa, ficou vermelho. Viu também que a esposa estava ao lado da filha, aturdida, em pânico, incrédula no que via:
-Adeilson! Isso é o que você chama de reunião de negócios?!
E ele tentando esconder a sua vergonha:
-Querida eu posso explicar! Juro que posso...



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