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   > Clarice na cabeceira



Kátia Ribeiro de Oliveira
      RESENHAS

Clarice na cabeceira

O livro Clarice na cabeceira é composto por 22(vinte e dois) contos de Clarice Lispector, selecionados por Adriana Falcão, Adriana Lisboa, Affonso Romano de Sant’Anna, Artur Xéxeo, Benjamim Moser, Beth Goulart, Carla Camurati, Carlos Mendes de Sousa, Claire Williams, Cora Rónai, Fernanda Takai, Fernanda Torres, José Castello, Letícia Spiller, Luis Fernando Verissimo, Luiz Fernando Carvalho, Lya Luft, Malu Mader, Maria Bethânia, Marina Colasanti, Mônica Waldvogel e Rubem Fonseca.
Rubem Fonseca foi amigo próximo de Clarice e confidencia um pouco do mistério dessa grande escritora. “Ela era uma mulher tímida e recatada, mas quando estava entre amigos (poucos) tornava-se encantadoramente divertida”.
Cada um dos 22 (vinte e dois) leitores convidados, faz a apresentação, de um dos contos de Clarice Lispector, que foi escolhido pelo mesmo e o motivo da referida escolha. Introduzindo o leitor de Clarice na cabeceira, ao universo no qual irá encontrar-se, levando-o ao mesmo afeto despertado pela estória selecionada do leitor da apresentação.      
Em Evolução de uma miopia, do livro A Legião Estrangeira, escolhido por Mônica Waldvogel, há um “conselho” a cada leitor, traduzido brilhantemente pela insegurança do personagem principal do conto, um menino.            
Ruído de passos, escolhido por Adriana Falcão, do livro A Via Crucis do Corpo, é ao mesmo tempo divertido e triste, como a própria Clarice Lispector, como a própria vida.
Uma galinha, escolhido por Rubem Fonseca, do livro Laços de Família, mostra a sensibilidade humana até mesmo por uma galinha, mesmo que o destino seja inexorável.
Menino a bico de pena, do livro Felicidade Clandestina, escolhido por Adriana Lisboa, é o desenho feito a bico de pena por Clarice Lispector mostrando nossa fragilidade humana em perdas para conquistar o mundo. “Mãe é: não morrer. E sua segurança é saber que tem um mundo para trair e vender, e que o venderá”.
Amor, do livro Laços de Família, escolhido por Affonso Romano de Sant’Anna, Clarice brinda-nos com o olhar de Ana, aberto paradoxalmente por um cego. Até então, fechado na vida do Jardim Botânico. “O que o cego desencadeara caberia nos seus dias? Quantos anos levaria até envelhecer de novo? Qualquer movimento seu e pisaria numa das crianças.Mas com uma maldade de amante,parecia aceitar que da flor saísse o mosquito,que as vitórias-régias boiassem no escuro do lago.O cego pendia entre os frutos do Jardim Botânico.
A procura de uma dignidade, escolhido por Benjamin Moser, do livro Laços de Família e a falta de sentido do desejo. O desejo perde-se em si mesmo, restando a todos a procura de uma dignidade.
Felicidade Clandestina, escolhido por Malu Mader, do livro Felicidade Clandestidade, Clarice denuncia o sentimento sádico do mundo e a dificuldade para encontrar a felicidade. “Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo... Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra... A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia”.  
A fuga, escolhido por Artur Xexéo, do livro A Bela e A Fera, é a história de uma mulher casada e cansada de ter somente a nostalgia de ser apenas mulher. “Oh, tudo isso é mentira. Qual a verdade? Doze anos pesam como quilos de chumbo e os dias se fecham em torno do corpo da gente e apertam cada vez mais. Volto para casa. Não posso ter raiva de mim, porque estou cansada”.
Os desastres de Sofia, do livro A Legião Estrangeira, escolhido por Maria Bethânia, e a dificuldade do amar humano. “Pelo menos uma vez ele teria que amar, e sem ser a ninguém-através de alguém. E só eu estivera ali. Se bem que esta fosse a sua única vantagem:tendo apenas a mim,e obrigado a iniciar-se amando o ruim...E foi assim que no grande parque do colégio lentamente comecei a aprender a ser amada para suavizar a dor de quem não ama.”
A imitação da rosa, do livro Laços da Família, escolhido por Marina Colasanti, é a obsessão pela perfeição e todas as suas impossibilidades. “Como uma viciada, ela olhava ligeiramente ávida a perfeição tentadora das rosas, com a boca um pouco seca olhava-as.”
O relatório da coisa, do livro Onde Estivestes de Noite, escolhido por José Castello, é a própria abstração poética e que Clarice Lispector genialmente concretiza em a coisa, definindo-a “Tive uma empregada por sete dias, chamada Severina, e que tinha passado fome em criança. Perguntei-lhe se estava triste.Disse que não era alegre nem triste:era assim mesmo.Ela era Sveglia.Mas eu não era e não pude suportar a ausência de sentimento”. 
Não pode deixar de ser dito que a Editora Rocco doou uma coleção das obras completas da autora para cada biblioteca indicada pelos leitores convidados.
 
Livro: Clarice na cabeceira
Autora: Clarice Lispector
Organização: Teresa Monteiro
Editora: Rocco
Ano de publicação: 2009

Kátia Ribeiro de Oliveira



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