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   > sem mágoa



anonimo da silva
      CRôNICAS

sem mágoa

 Casados já a 5 anos tudo parecia ir bem. Formavam um bom casal, dividiam as tarefas, planejavam o futuro, passeavam bastante, não eram de discutir. Quando o faziam eram pequenas bobagens do cotidiano.

Moravam com a família dele. A mãe e dois irmãos com quem não tinham também o menor problema. A casa possuía uma divisão que dava liberdade para todos.

A mãe dele dormia na casa da mãe dela desde que ambas enviuvaram.

Um dos irmãos trabalhava na construção civil, tem um humor raro e uma forma franca de falar as coisas.

O outro irmão nada fazia e por ser o caçula sempre foi o queridinho dos demais. Inclusive dele.

O trabalho dele o forçava a passar o dia fora e não era raro a noite ter mais alguma reunião para participar. Vez por outra se ausentava por algum período: congressos, convenções, encontros, etc.

Ela desempregada a quase um ano.

Na cama se entendiam muito bem , qualquer gesto de um já era entendido pelo outro.

Sempre que possível viajavam juntos. Saiam pra curtir, praia, cinema, teatro, festas. Gostavam muito de ir para o interior curtir o campo.

Ela não era “muito chegada” as atividades do trabalho dele. Não gostava de participar. Sentia-se “fora do ninho”. Ele entendia.

Quando casaram nada tinham. Agora, mesmo sem grande conforto, nada faltava e até um carro conseguiram comprar. Carrinho simples mas que permitiu o desatino de viajarem 3000Km. Doce loucura.

Um chamado para um encontro o fez se ausentar por dois dias. Ele voltaria no terceiro dia o mais cedo possível. Resolveu antecipar para a noite do segundo dia. Não tinha mais motivos para ficar. Discussões feitas, medidas votadas. Melhor voltar logo para casa.

Veio em companhia de um colega de trabalho, cada um no seu carro, como medida de segurança. Deu carona para uma colega.

Chegou por volta das onze horas da noite. O portão ainda estava aberto. - quanto descuido: Pensou.

Entrou. A luz e o som da tv irradiavam pela porta de vidro. Puxou o trinco. Estremeceu; o chão fugiu, o palavrão foi inevitável.

Avançou em direção aos dois: um empurrão nela, um tapa nele e a óbvia e ilógica pergunta: a quanto tempo? Silencio.

Uma semana depois ela estava na casa dos pais. O moleque dormindo na casa de amigos. Ele sangrando, indignado, sofrendo. Orgulho ferido.

O desejo de manter tudo em segredo vira obsessão. Pra que expor isso? Podia até mesmo prejudica-lo no trabalho. Trazer conflito com a família. Melhor deixar pra lá.

O irmão o procura. Confessa ter sido algo meio “sem pretensão”, que não passara daquele beijo. Muda para outro bairro.

Ela liga. Fala da solidão que se encontra, o que falar pra família, do quanto foram felizes,dos planos, de como ele defendia “seus ideais”, da possibilidade do erro, do direito ao perdão que ele sempre pregava, etc.

Ele refletiu. Remoeu. E decidiu que todos podem cometer erro e devem ter uma segunda chance.

Ela voltou. Passou-se um borracha sobre o assunto e recomeçaram sua vida. Ela mostrou-se muito mais dedicada, participativa, carinhosa, compreensiva. Um ano depois tiveram uma filha.

Tries anos após o nascimento da filha ele percebeu uma nova mudança nela. Uma certa ausência. Resolveu bisbilhotar. Checar os números telefônicos, interceptar “cartas”, cruzar dados, e por fim grampear o telefone.

Ela o estava traindo novamente. Desta vez não houve choro, raiva, empurrões, nem perdão. Houve um acordo: ela ficaria até conseguir um local decente onde pudesse criar a filha. Ele até tentou conseguir algum emprego para ajuda-la , após seis messes decidira-se que ela voltaria para a casa dos pais.

Foi. Mas antes fez o favor de estragar sua vida dizendo que ele a batia para alguem que sempre,assim como ele, defendeu exatamente o contrário. Uma história mal esclarecida que o fez entrar em crise.

A traição não o fez mal, a partida da filha não o abalou. Mas o porque dela ter dito isso ainda não saiu de dentro dele.

Nem por isso ele desejou mal a ela. Telefonou aos primos pedindo emprego para ela. Coisa que eles atenderam prontamente.

Em nenhum momento falou mal dela, não contou a história pra ninguém. Chegava mesmo a elogia-la.

Não se arrepende de ter dado a oportunidade pedida. Nem a tratou como inimiga.

Quando visita a filha, fica na casa dela o máximo possível par curtir a filha. Tratam-se como amigos. Mas pouco se falam.

Guardou isso por um longo tempo.

Até o dia em que perdeu aquela que sem dúvida nenhuma é o seu grande amor. Aí ele resolveu botar pra fora. Vomitar não só isso, mas muito mais coisa que guardou dentro de si.

E tem muito vomito pra ser despejado de suas entranhas. 
Pessoas que passaram, pessoam que estão, mentiras, tramas, decepções dele de outros.
 

 

 



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