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   > A cota dos brancos & A cota dos negros



Zallas Avlys
      ENSAIOS

A cota dos brancos & A cota dos negros

A cota dos brancos & A cota dos negros
Sendo o Brasil o segundo país do mundo com o maior percentual de negros, persiste entre nós a idéia de que aqui todos são brancos ou que só os brancos consomem.
A idéia subliminar de que negro é feio e não vende persiste e contra ela venho registrar meus protestos. Não é possível que o visual do negro incomode e faz doer às vistas ou compromete a imagem que se pretende vender.
Os modelos femininos e masculinos apresentados nos catálogos de produtos em geral   demonstram bem isto. Vez ou outra há entre eles alguns modelos afro descendentes, mas são  quase considerados não negros  e muito provavelmente eles mesmos não se reconheçam como tal.  Se não possuem a dimensão de sua negritude não se imaginam como  representantes da etnia negra, mas estão ali exatamente cumprindo este papel porque os do marketing sabem o que fazem.
Entretanto esta assertiva objetiva questionar os profissionais da área de marketing.  Estes, mesmo quando afrodescendentes,  carregam consigo uma áurea psicodélica eurocêntrica de beleza, ou seja, só vêem formosura nos modelos brancos. Até admitem os afrodescendentes, mas com a condição de se situarem distantes do “negro” propriamente dito. Se, se trata de rapazes, ou moços impõem que raspem os cabelos. Se moças, os cabelos tem de fazer lembrar os cabelos lisos das brancas.  Nada contra a estética branca, pois ela existe como tal. O que se questiona é que não é o único modelo de beleza existente. Há sim outras estéticas em uso corrente que deveriam ser exploradas. Por que não? Agora não se trata somente da questão: cabelos. Veja-se que há um excessivo rigor quanto ao fenótipo branco, o que impõe ocultação do fenótipo negro como se fosse inadequado, incompatível, impróprio para ser visto e notado. Então pergunta-se: qual a conseqüência disto? Para não ampliar a gama de considerações, ficamos com um caso apenas: a criança negra ao deparar-se com um catálogo cujas imagens não correspondem à sua, sente-se mal e absorve a ideologia de que ser bonita, possuir beleza e etc, teria de ser branca. Logo, passa a odiar sua origem, sua aparência e quer fugir disto enquanto puder. O resultado disto é o ar de tristeza, olhar distante, quando não se manifesta em revoltas e comportamentos agressivos. Decorrente disto basta que se faça atenção à forma como a sociedade lida, pensa e  estigmatiza o negro.
Nós negros e negras deste país temos clareza de que os shopping center’s não foram feitos para os pobres – leia-se negros. Ocorre que a demarcação entre casa grande e senzala  não existe e, portanto, estamos por toda parte. Aliás, nunca foi possível evitar nossa presença na casa grande porque lá éramos os trabalhadores. E não raramente, a despeito do arsenal de negatividade da capacidade intelectual negra éramos sim, livres. Entenda-se bem o trocadilho: a consciência do senhor era escravocrata, mas a consciência do negro era livre. E foi esta consciência de liberdade que nos fez signatários do processo que culminou no fim oficial da cultura escravatura, cuja luta não está encerrada porque persiste em nossa sociedade a noção equivocada de superioridade.
De outra forma não há como não expor as contradições existentes neste interregno. A cultura da superioridade racial inadvertidamente se esbarroa no próprio projeto de sociedade em curso porque na hora da contratação sãos os negros e afrodescendentes que se apresentam. E lá estão eles, nos balcões, na segurança, na manutenção, na limpeza, na cozinha e muito provavelmente na administração de tudo isto também. Só não são os investidores, porque historicamente negam ao negro esta possibilidade.
Mas postas estas considerações a parte, convém por aqui o dedo na ferida. Muitos dentre os que se dizem brancos só o são na aparência.  Na origem são negros que foram clareados pela miscigenação tão comum entre nós, isto desde os tempo imemoriais da escravidão. Tais pessoas, (brancas...?) escondem o pai ou a mãe, apegam aos sobrenomes italianos, portugueses, ingleses e fogem do assunto quando a questão vem à baila. Apresentam-se como se fossem só, num mundo em que os primos vão do falso loiroao negro autêntico.
Desta forma solicito aos departamentos de marketing, em nome da etnia negra deste País que conte com alguns modelos femininos e masculinos negros. Há muitas meninas e moças negras, meninos e moços negros que esbanjam beleza, simpatia e sonham ocupar estes espaços. Ou não? Com a palavra as agências que realizam ensaios fotográficos.
O negro e a negra também possuem beleza, não a do branco, da branca, mas a própria. Nós gostamos de nos vermos representados nestes “catálogos” de compras, faz bem para nossa auto-estima e nos estimula a comprar também, afinal temos cartão de crédito, temos conta bancária, temos nível superior, viajamos para o exterior, falamos inglês, alemão, mandarim, etc. O nosso diferencial é a quantidade de melanina. Que mal há nisso? Sabe-se que em função disso e por isso mesmo é que há no Brasil um colorido humano tão característico não visto em outras paragens mundo afora, embora isto nunca tenha sido o fiel da balança para afastar o racismo balofo de nossa sociedade.
Ah, também comportamos de forma diferente, mas é nosso jeito de ser. Quanto ao poder aquisitivo do negro não estar no mesmo nível de poucos alguns brancos já é problema de ordem política social de exclusão que se deu lá nos primeiros anos da constituição da sociedade brasileira. E, este recursos não serviu só para os negros, mas foi aplicado aos italianos, aos nativos e a descendência que proliferou  desta “misturança” toda bem brasileira. Neste quesito de garantir o acesso a bens, recursos e carta branca, a cota foi reservada apenas para o branco e hoje nós a reivindicamos em todos os níveis.
Então finalizo instigando aos marqueteiros que reflitam suas ações dentro desta problemática e absorvam a concepção teórica do afrocentrismo que não é categoricamente um correlato do eurocentrismo.
                                                                                                                                 Prof. Zallas Avlys
 


O homem loiro brasileiro ou a mulher loira brasileira não corresponde aos caucasianos, portanto é uma especialidade  bem brasileira.


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