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   > Música brasileira de qualidade universal em pauta



Tânia Gabrielli-Pohlmann
      ENTREVISTAS

Música brasileira de qualidade universal em pauta

Música brasileira de qualidade universal em pauta:

Clarisse Grova e Felipe Radicetti




© Entrevista a Tânia Gabrielli-Pohlmann



Tomada de surpresa pela qualidade do trabalho de Clarisse Grova e Felipe Radicetti no CD Super Lisa, apresento, pela primeira vez, um CD independente na íntegra em Brasil som S, certa de que esta dupla ainda vai dar muito o que falar.


É a música brasileira de qualidade tomando de assalto os ouvidos mais exigentes e atentos. Transpondo fronteiras e fazendo valer a certeza de que, seja qual for a cultura que a receba, a arte consegue atingir a essência das pessoas quando os instrumentos, os meios que a expressam são adequados. Clarisse Grova e Felipe Radicetti têm a consciência disto. E sabem a que vieram…




TGP: Como nasceu a idéia do Projeto Super Lisa?


Felipe: Eu já conhecia a Clarisse e a convidei para defender minhas canções durante o Festival VISA/Edição compositores de 2000, em São Paulo. Ela não só nos encantou como também à audiência, completamente. Por sua vez, Clarisse me convidou para fazer os arranjos e tocar com ela. A convivência em trabalhos subseqüentes nos fez perceber a afinidade entre nós: a MPB. Nossa trajetória pessoal foi trilhar a canção brasileira. Quando decidimos fazer o trabalho, não sabíamos ainda aonde chegaríamos. Apenas sabíamos que era preciso fazer algo diferente. Convivemos com todos os estilos musicais e ouvimos de tudo. Era preciso chegar a uma nova solução para as questões. A decisão pelo eletrônico ficou na busca do equilíbrio entre nosso amor pela canção brasileira e a busca por uma locução com o que está sendo feito no Brasil e no mundo.



TGP : Clarisse, conte um pouco de sua carreira...

Clarisse: Eu comecei a cantar aos 17 anos, em bailes. Mais tarde veio a fase da noite no Chik’os bar, onde pude cantar com músicos sensacionais. Simultaneamente, envolvia-me em produções de jingles nos estúdios, um trabalho que busca resultados mais práticos, imediatos, porém não menos enriquecedores. Pude aprender muito. Percorri festivais, participei de gravações valiosas, como no CD “50 anos”, de Aldir Blanc. Na parceria com Felipe, pude exercitar um pouco das experiências que venho acumulando através desse convívio com músicos e poetas da MPB.


TGP: Clarisse, você transmite, através de suas letras e até mesmo de sua voz, o aspecto poético-dramático de seu trabalho. Conte um pouco mais desse seu convívio com a poesia, que você “escreve em sua voz”...


Clarisse:
Parece mentira mas estou tão acostumada a descrever a minha emoção através das palavras do “outro” que sinto dificuldade em usar as minhas. Todavia, tentarei ser clara e breve.
O que posso fazer? Nossos autores são encantadores, sou completamente influenciada por quase todos da MPB. De Chico Buarque a Adriana Calcanhoto.
Minha voz é guiada pela emoção que eles provocam. No Super Lisa, experimento pela primeira vez ser minha intérprete. Acho que comecei bem. Mas devo confessar que, como compositora, sinto uma vontade danada de escutar outra cantora interpretando alguma canção minha. Por exemplo: acabei de compor uma canção, que não está nesse primeiro CD do Super Lisa (é para o próximo), que adoraria escutá-la com a Adriana Calcanhoto, é a cara dela.Enfim, é isso aí.


TGP: Felipe, agora é sua vez. Sua carreira também inclui a música erudita, ou não?

Felipe:
A minha carreira é do tipo heterodoxa, mesmo. Eu comecei tocando na noite, em 78, e um ano depois entrei na faculdade para fazer graduação em órgão, que sempre foi meu instrumento. Dediquei os dez anos seguintes à música erudita, cultivando principalmente a música de Bach. Em 87, fiz o meu último concerto no Projeto Aquarius. Depois disso, comecei a compor e retornei à música popular, inicialmente escrevendo e produzindo música para comerciais de rádio e TV, e depois fazendo arranjos para outros artistas. Em 99, gravei meu primeiro CD, “Homens Partidos”, que conta com a participação de vários cantores da MPB. Em seguida, participei de vários festivais regionais e nacionais como o VISA e o da Rede Globo em 2000. Isso me levou a conhecer os compositores que viriam a ser meus parceiros. Clarisse e eu nos conhecemos nesse turbilhão de agitos e toda essa experiência, sem dúvida, deságua no Super Lisa.


TGP: Felipe, como é que o eletrônico consegue traduzir a emoção sem banalizá-la ?

Felipe:
A questão é que tudo está centrado na linguagem. Menos por estética culinária, como Brecht se referia ao processo de composição musical/literária da arte do mundo do entretenimento, como ele conheceu no exílio em Los Angeles, na época da II guerra. Uma idéia , uma escolha “decompõe” ou exclui muitas outras possibilidades e nesse processo vão restando poucas saídas, das quais finalmente temos de nos desapegar até restar o único, o resultado do trabalho. A eletrônica é apenas a cauda do cometa, recurso físico sonoro pertencente à última parte do processo. No Cd Aos filhos dos Hippies, de Oswaldo Montenegro, havia um pathos de suspense comum a quase todas as canções. Não houve nominação disso, eu é que estou me colocando. Os pads que o próprio Oswaldo me pediu para fazer (camas de acordes com som contínuo, assemelhado a uma seção de cordas) em várias faixas do disco tinham uma função de background sugestivo, instigante, para as evoluções que o violão econômico de Oswaldo e o bandolim de Serginho completassem a atmosfera confessional, intimista e a dialética de unidade de todo o trabalho.



TGP: Por que o nome Super Lisa?

Clarisse:
Ele é inspirado num movimento de artistas plásticos japoneses chamado Super Flat, expressão que traduzida livremente levou a Super Lisa. Esse nome traz a idéia de provocar estranheza e curiosidade. E, ao mesmo tempo, sugerir um conceito - no nosso caso musical - de sonoridade limpa, precisa, sem arestas nem excessos; enfim, a procura da essência, do que é realmente a música para nós. É isso que buscamos com o projeto deste CD.



TGP: A tendência de produção independente está cada vez mais intensa, não apenas no Brasil. Isto pode significar que a música vai, aos poucos, formar público independendo da execução em rádio?

Felipe:
Entendo que o barateamento dos meios de produção de CDs, desde o preço dos equipamentos até o aluguel dos estúdios, de pré-produção e pós-produção, trouxe oportunidade a inúmeros músicos profissionais e amadores de produzirem o seu CD independente. Parece evidente que essa massa de novos nomes, com seus produtos artísticos excluídos das rádios e jornais e tentando colocar-se no mercado em espaços e mídias alternativas – sendo esta a única via restante aos não absorvidos pelo mainstream -, em algum momento se tornaria tão significativa a ponto de ser considerada como fato cultural em andamento, não podendo ser ignorada pela grande mídia. Esse esforço dos independentes, ainda que descoordenado e solitário, está fazendo o cenário mudar, mesmo de forma focada e circunscrita. Nas rádios das grandes capitais, esses artistas independentes não têm chance, eles esperam por um milagre. A execução das obras nas rádios ainda é o que representa em grandes números a expressão do artista e de sua obra. É o que decide, o que faz a diferença. E ainda é restrito o círculo de pessoas que intervêm com esforço próprio para encontrar o CD independente, sem mídia e distribuição adequada.



TGP: Durante o período de pré-produção do CD, o que vocês usaram como elementos de pesquisa? Que tipo de som escutaram até chegar à opção final de experimentar a MPB com arranjos eletrônicos e inserções de instrumentos acústicos e dos vocais?

Felipe:
Usamos o que tínhamos à disposição. Teclados, samplers e computador. Escutamos de tudo, desde as experiências dos Djs daqui e de lá de fora, trilhas de cinema e, ainda, coisas muito antigas à beça. Basicamente, nenhuma referência servia ao que precisávamos, mas sempre havia vestígios do que poderia ser o caminho. Os ajustes de dinâmica dos arranjos e timbres combinados não surgem do nada e sim da experimentação e da apreciação do exemplo positivo e negativo do que já existe. Os convites para as participações de artistas no disco vinham da percepção de que toda matéria produzida eletronicamente é circunscrita às articulações do estilo e sempre que quisemos transbordar a estética da canção para outros níveis de expressão, precisamos agregar o talento de um artista.


TGP: Clarisse, foi um processo de reconhecimento mútuo ou houve, desde o início, a dominância de um de vocês?

Clarisse:
Foi bem assim, como Felipe comentou acima. Ele já tinha uma tremenda intimidade com o eletrônico. Seus arranjos para a publicidade, sempre me chamaram atenção. Porém, o que mais se destacou pra mim, nesse processo, foi a nossa cumplicidade, a parceria determinada. Um reconhecendo e buscando no outro referências, idéias e o prazer na criação. Nem tudo acertávamos de prima, toda essa afinidade nos possibilitou erros e acertos, sempre. Uma parceria assim não acontece a toda hora.


TGP: Como a sonoridade do CD é transposta para o palco?


Felipe:
Clarisse é a solista da Super Lisa, na linha de frente. Eu toco as partes de piano e teclados. As programações eletrônicas como baterias, linha de baixo e efeitos estão pré-gravadas e são reproduzidas em MiniDisc. As linhas de violão do CD são tocadas ao vivo por João Cantiber, que também adicionou instrumentos de percussão insólitos, como tinas e baldes de agronomia que encontramos em lojinhas no interior, e até mesmo instrumentos de cozinha, como pegador de gelo e espremedor de batata. Essa combinação inesperada de primitivismo com tecnologia acrescentou muita expressividade ao som da Super Lisa.


TGP: Os diversos estilos musicais encontrados no disco - pop, samba-funk, valsa, tango, fado, bossa etc. - foi um caminho deliberado por vocês para marcar como os mais variados ritmos podem ser bem assimilados pela linguagem eletrônica, ou uma decorrência natural do trabalho de composição da dupla?



Clarisse:
Essa diversidade foi completamente espontânea. A maior parte de nossas canções, no CD, já existiam antes dele. Claro que as experiências contribuem sempre. A música brasileira é riquíssima em seus ritmos. Tem Forró carioca e tem Samba nordestino e O Super Lisa faz parte desse ciclo cultural.



TGP: O CD vem sendo muito elogiado pela crítica especializada não só do Brasil como do Exterior. Como vocês estão recebendo esse aval tão importante de gente que entende e acompanha música em profundidade?


Clarisse:
Essas críticas têm sido valiosas para nosso trabalho, pois ficamos durante um ano e meio praticamente buscando uma nova linguagem para nossa música. Encontrar na crítica brasileira e internacional a compreensão desse nosso caminho é muito bom.


TGP : Clarisse, quais as cantoras que você mais admira no Brasil e lá fora?


Clarisse:
Em todo o mundo temos um número imenso de grandes cantoras, timbres inigualáveis, interpretações fantásticas. Fica difícil comentar três ou quatro. Sou apaixonada pelo canto, admiro quem sabe entregar sua voz à mercê da emoção. No Brasil não posso deixar de citar Elis Regina, Cássia Eller, Marisa Monte, Maria Bethânia e Nana Caymmi. Gosto também de Sarah Vaughan, Lisa Standfield, Anie Lennox e a inesquecível Janis Joplin.


TGP: E os compositores?



Clarisse:
Chico Buarque, Sueli Costa e Abel Silva, Aldir Blanc, Fátima Guedes, Nelson Cavaquinho, Caetano Veloso, Edu Lôbo, Paulo César Pinheiro, Cartola...


TGP: E você Felipe, que músicos mais chamaram a sua atenção nessa viagem da música erudita para a popular?



Felipe:
Eu me sinto sempre influenciado por poucos compositores em tudo o que faço. Os compositores que me influenciaram por toda a minha vida foram Milton Nascimento, Kurt Weill, Egberto Gismonti e mais recentemente, Chico Buarque.


TGP: Você não se esqueceu de Bach ?


Felipe:
Óbvio que esqueci. Isso foi imperdoável, porque em verdade é ele o meu pai em todos os momentos. Observe que todos os arranjos têm algum elemento polifônico, contrapontos, que mesmo inseridos em uma linha harmônica modal e meio jazzística, as do meu estilo, que deveriam estar em oposição à panfletada tonalidade da música dele, está dando a deixa dessa influência no meu processo de composição. Eu estudei contraponto com Michel Phillipot, que agora é o catedrático no Conservatório de Paris, substituindo o falecido Olivier Messiaen. Essas técnicas antigas abrem as portas para a construção de estruturas musicais com vários focos simultâneos, que eu uso prodigamente na instrumentação do arranjo. E também por ter sido organista erudito, eu tenho cuidado especial com a linha de baixo, que no órgão é tocado com os pés num teclado especial, a pedaleira. Como Bach. Ela é a 2a. melodia da música para mim. Repare como o baixo « canta » o tempo todo uma melodia secundária. Isso é barroco, é Bach até dizer chega. Me perdoem você e ele também, porque quando estive em Leipzig, na Thomaskirche, eu deitei de bruços completamente, sobre o túmulo dele, que fica no altar, para espanto da audiência que lotava a igreja, num domingo de julho de 1997. Logo depois, tomei o mais delicioso Grossschokolade da minha vida no BachsStub, que fica numa rua lateral, de frente para a igreja.


TGP: Clarisse, com este trabalho você está, pela primeira vez, desenvolvendo em disco seu lado autoral. Pelo visto, a composição deverá ser um novo e importante valor na sua carreira daqui para a frente. Fale sobre isso.


Clarisse:
Meu lado autoral surgiu aos poucos. Antes eu era muito crítica, só queria cantar as canções de Caetano, Chico, Sueli, algumas inéditas de compositores não tão conhecidos do grande público. Com o tempo, fui aprendendo através desses poetas e compositores maravilhosos. Sinto-me influenciada por todos eles. Espero que as músicas, os acordes e as letras me cheguem de surpresa, dias sim, dias não...mas que cheguem.


TGP: Felipe, você que trilha a estrada de compositor há bem mais tempo, comente um pouco sobre seus outros parceiros no CD.



Felipe:
A minha principal parceira hoje em dia é Cristina Saraiva. Não me preocupo com o que ela vai escrever. Simplesmente mando a música e sei que virá o melhor. Há no CD Super Lisa duas parcerias minhas com Marcelo Biar (Moleque-marraio e Senhora), principal parceiro no primeiro CD e nos primeiros festivais. Luísa Haranda, em Niterói, com quem dividi a letra de Rude Pedra, e Carla Aka (É Tarde...), vivendo em Nagano, Japão, são parcerias pela internet. E há a minha parceria com Clarisse em Marrento, onde ambos fizeram letra e música.


TGP: “O Tal Trem”, que usa imagens explicitamente referentes ao pensamento que vocês têm em relação à música produzida hoje no Brasil, foi composta especialmente para o CD?


Clarisse:
Foi, ela me veio de repente, numa tarde, música e letra. Quando isso acontece é muito bom. Estávamos bem no meio do processo de pesquisa para o SL.
D

TGP: As letras, apesar de escritas por diferentes parceiros, estabelecem uma relação de coesão pela sua densidade e contundência. Como é que se deu esta sintonia? Foi premeditada?


Felipe:
Pois é, eu percebo que a minha paixão pela MPB é exigente e pede que cada canção seja uma experiência humana na letra e que a melodia seja capaz de carregá-la com interesse e expressão. A MPB é povoada de bons poetas e o cancioneiro popular tem essa característica: o encontro com a poesia cantada. Clarisse, melhor do que eu, pode falar disso...


Clarisse:
Na verdade, na MPB sempre houve densidade e contundência; assim conheci a música que escolhi cantar. Achei interessante seu comentário sobre o Super Lisa no Protexto, você começa questionando: Modernidade: resgate do passado? Somos descaradamente apaixonados por nossa música. Com o Super Lisa, estamos propondo um novo caminho, uma linguagem embalada e alimentada por tudo que vem acontecendo na música do mundo inteiro. Continuo cantando as canções com as quais me identifiquei desde o começo de minha carreira, densas ou contundentes: Música Popular Brasileira.


TGP: O meu canal não é a voz – por isto escrevo o fascínio que a voz, o som, a harmonia de ambos exerce sobre mim. Não sei se já comentei com vocês, mas a imagem que se forma quando ouço, por exemplo, Senhora, é a de uma peça teatral com o universo do CD. Vocês já pensaram nisto?


Felipe:
Tânia, a resposta é que é isso mesmo. Essa música nasceu pela influência que tenho de Kurt Weill. Escrevi muitas canções para peças de teatro, sobretudo sobre textos de Brecht.


Clarisse:
Demais. Quase sempre, as canções que me conquistam: ou trazem de regresso momentos da minha história pessoal, ou acabo conhecendo um pouco da história do outro. Cenas e imagens me percorrem, até mesmo no momento exato em que interpreto as canções. Não importa se minhas ou de outros compositores, todas me conduzem a uma grande viagem.



TGP: Sim, Felipe, mas não me refiro a escrever músicas para peças de outrem; refiro-me a enxergar o CD como um todo, em que universos (des) humanos desfilam e convivem (seja pacificamente ou não...) num mesmo espaço físico, social, cultural. Vejo, em algumas canções, inclusive em seus arranjos, por exemplo, questões diretas, que provocam a reflexão quanto a moralismos, preconceitos (aqui refiro-me, TAMBÉM, à música instrumental no Brasil), máscaras e despires... É um retrato social muito forte o trabalho de vocês. Esse retrato poderia se revelar sobre um palco?



Clarisse:
Tânia, o Super Lisa é fruto do meu amadurecimento como artista, quando digo “artista” não falo somente da cantora e compositora; falo da cidadã carioca que caminha pelas ruas percebendo as pessoas, escutando alguns rumores, assistindo a TV, lendo jornais. Todo esse inteiro contribui para eu contar, ou melhor, cantar histórias em três ou quatro minutos. Quando descobri que queria cantar para sempre, pensei: é isso que eu quero, cantar histórias e emoções. Se isso foi possível no CD, que dirá no palco, olhos nos olhos.


TGP: Hoje, quando pensamos nos contrastes sociais, especialmente no Brasil, passamos, quase que inevitavelmente, a repensar o papel social da arte.Como exemplo, tomo o escritor que, obviamente, depende do alfabetizado... A linguagem utilizada em Super Lisa tem uma certa flexibilidade, possibilitando ao público que não tem acesso até mesmo à alfabetização, uma identificação ainda que parcial. O Super Lisa, tem uma proposta social em seu conteúdo, que atinge a todas as camadas sociais, pelo menos no tocante à qualidade e à reflexão provocada. E fora do universo musical, como projeto, se não limitado à produção do CD e de shows, quando a arte de vocês se confronta com a realidade atual de nosso País, qual o papel social que vocês vêem na música?

Felipe:
Eu venho de uma geração que viveu um período em que a MPB era ativista tanto quanto o teatro. Quando ouço uma canção, espero ser conduzido a uma experiência humana, ainda que fugaz, como uma boa peça de teatro, filme ou um livro, romance ou poesia. Isso está em total consonância com o meu irrevogável compromisso de crescimento pessoal, e isso eu exijo do meu trabalho artístico, quer eu consiga ou não. Às vezes me é dada a chance de conseguir. O tempo todo eu tento.


Clarisse:
A música mobiliza, ensina, emociona, conta histórias, denuncia, alegra, educa, agrega, questiona... a música transforma e socializa.
Tem música no cinema, na festa, na rádio, na escola, na novela, na favela, na cidade, no casamento, no teatro, no encontro, no folclore, na infância, ...
A música brasileira é uma das grandes riquezas de nosso país.



TGP: Planos? Recados? Aplausos?

Felipe:
Aplausos para você, Tânia, que com sua sensibilidade e agudeza tocou em pontos artísticos que jamais vi em outros entrevistadores, o que ajuda a aclarar e aprofundar a entrada do leitor no mundo e na música do artista. É raro, admirável e amável. Eu agradeço muitíssimo pela oportunidade.


Clarisse:
Quanto aos planos, estamos ligadérrimos em nosso show no Mistura Fina dia 9 de dezembro. Estaremos lançando o CD aqui no Rio, portanto, todas as turbinas para os ensaios. Mandamos o nosso recado a todos os leitores: Saibam que foi bom falar um pouco da gente pra vocês. Pintem em nosso site e deixem seus recados também! Tânia, foi um prazer total poder expressar um pouco do que sentimos em nossa trajetória. E confesso: te encontrar no mundo, foi um “Super” presente que a vida nos deu. Valeu!!!!


________________________________________

Contato com Clarisse Grova e Felipe Radicetti e resenha sobre o CD Super Lisa neste site, em “Resenhas”: “Projeto Super Lisa – Modernidade: Resgate do Passado?”


Tânia Gabrielli-Pohlmann é escritora, tradutora paulistana, radicada na Alemanha, onde produz e apresenta dois programas de rádio, dedicados à história, à cultura e à música brasileira: “Brasil com S” e “Revista Viva” (este com Clemens Pohlmann)
Contatos: a-casa-dos-taurinos@osnanet.de



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