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   > TABUS ALIMENTARES



thelma b oliveira
      CRôNICAS

TABUS ALIMENTARES


 
Apesar de estarmos no século XXI, cercados de tecnologia por todos os lados, as funções corporais, no que tange à alimentação e à maternidade, ainda são permeadas de tabus. Quando se procura alguma explicação, deparamos com medos inexplicáveis que têm raízes históricas, religiosas ou econômicas. Da era colonial, herdamos o medo de misturar frutas com leite, coisa que era divulgada pela casa grande, a fim de poupar o leitinho dos senhores e excelentíssimas famílias.

 
O termo “reimoso” (que provoca reações alérgicas) é ligado a certos peixes gordurosos e à carne de porco. Mitos tão fortes que ainda hoje encontram defensores, contra qualquer evidência. Banana? De dia é ouro, de tarde é prata, de noite mata! Melancia quente dá dor de cabeça. Abacate não pode! Ovo? faz mal. Escutar isso num país de gente carecida de melhor alimentação é de fazer chorar.

 
Tanto são temidos os alimentos “quentes” ou indigestos, quanto os frios (gelados, sorvete, picolé). O sorvete foi inventado na China e levado por Marco Pólo para a Itália, pelo século 15, juntamente com o macarrão. Os dois soberbos alimentos se aclimataram tão bem em terras italianas que se tornaram sua marca registrada. Seu único “perigo” são as calorias...
 

Estamos perdendo a conexão com a simplicidade e beleza dos alimentos, e passamos a temê-los. Comida está imbricada com lembranças da infância, da mãe, dos pais, da casa, dos irmãos. Comer ou deixar de comer fazem parte de nossos mais remotos hábitos. Não há festa sem comida. O filósofo Luiz Felipe Pondé chama a atenção para os novos xamãs, os nutrólogos de todas as linhas, que autorizam ou condenam o que podemos/devemos comer ou deixar de comer. Foi surpreendente ver, num desses programas matinais de saúde, dois especialistas afirmando que ‘todo alimento é bom’ e que cada região do nosso país tem seus hábitos alimentares adequados, que vão desde a banana frita do norte à carne de sol com macaxeira do nordeste, passando pelo pão de queijo e frango com quiabo de Minas, a pizza de São Paulo e o misto quente de Porto Alegre.

 
Diz Rubem Alves: “Pessoas há que, para ter experiências místicas, fazem longas peregrinações para lugares onde, segundo relatos de outros, algum anjo ou ser do outro mundo apareceu. Quando quero ter experiencias místicas, eu vou á feira. Cebolas, tomates, pimentões, uvas, caquis e bananas me assombram mais que anjos azuis e espíritos luminosos. Criaturas encantadas.  Seres de um outro mundo. Interrompem a mesmice do cotidiano. Pimentões brilhantes, lisos, verelhos, amarelos e verdes. Ainda hei de decorar uma árvore de Natal com pimentões”...

 
Hoje as pessoas selecionam os alimentos como se estivessem numa farmácia. Os alimentos que a natureza nos oferece são variados e se completam entre si harmonicamente. Ela tem horror ao excesso e ao vazio. Nem tanto à fome nem tanto à obesidade. Os frutos da terra, do ar e do mar estão aí para nosso prazer e proveito. Quando você quiser saber se algum alimento lhe convém, consulte suas papilas gustativas e as sugestivas receitas da culinária.
 
 


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