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   > " Superação"



Leticia AlvarezUcha
      CONTOS

" Superação"

                                      Superação
 
Havia um burburinho entre as crianças da  3 ª série do Ensino Fundamental, todas estavam empolgadas em receber a visita do  famoso  locutor  Zeca da Rádio Y.
Zeca era um famoso locutor de uma rádio de São Paulo e era sua primeira visita ao Estado do Pará. Ele chegara à cidade para o lançamento de seu primeiro Áudio- Livro voltado para estudantes das primeiras séries.
As crianças adoravam  as músicas que ele colocava para tocar na programação da rádio, mas não era só esse o elo entre elas e o locutor. Tanto Zeca como as crianças eram cegas.
Zeca ficara cego devido  ao problema de diabetes . Esta doença o acompanhara desde a mais tenra idade, mas agravou-se ainda mais, exatamente na época em que estava por concluir seu curso em Comunicação Social em São Paulo.
Não foi um período fácil. Saber que nunca mais veria as belas paisagens da natureza que sempre apreciara ou até as coisas mais simples do cotidiano era doloroso.
Primeiramente seu consolo esteve na música, pois esta ele continuava a ouvir com perfeição. Foi mais ou menos nesta época em que começou a cogitar a possibilidade em tornar-se radialista.
Com a falta de um de seus sentidos, outros aguçaram- se como o tato e a audição.
Nas primeiras vezes em que apresentou -se nas entrevistas de emprego para vaga de radialista, era logo dispensado devido à sua deficiência, mesmo tendo uma voz grave e  boa dicção.
Enquanto procurava uma vaga no mercado de trabalho, já formado, inscreveu-se em curso para aprender a  ler pelo método Braille.
Continuava na batalha por um emprego, porém nada na área de comunicação surgia.
 Foi numa festa de amigos em comum que reencontrou João que atuava como repórter de um jornal de grande circulação.
João indicou Zeca para a vaga no setor de telemarketing do periódico, mais precisamente de atendimento ao cliente.
Zeca era uma pessoa muito comunicativa e logo ganhou amigos no local de trabalho.
Estava feliz no trabalho, mas tinha ainda como objetivo atuar na área de Comunicação Social, já que  possuía diploma.
O grupo empresarial do jornal estava em fase de expansão, reformulando a programação da emissora de rádio.
Zeca soube da movimentação e foi atrás da vaga. Conseguiu fechar um contrato de experiência e o programa tornou-se um sucesso.
A seleção musical, as notícias veiculadas nos intervalos entre as músicas, os comentários do radialista conquistaram o público.
E todos o admiravam ainda mais quando sabiam que se tratava de um deficiente visual.
Zeca era seguidamente citado pela professora do colégio para crianças com deficiência como um dos muitos exemplos positivos a ser seguido.
Zeca conhecia por experiência própria das dificuldades na inclusão de portadores de necessidades especiais no mercado de trabalho, por isso mesmo apoiava iniciativas que diminuíssem as dificuldades dos alunos  desde cedo.
 
Chegando ao salão onde os estudantes o aguardavam com entusiasmo foi aplaudido, quando a professora disse que ele havia adentrado no recinto.
O radialista ficou muito emocionado. Contou sobre a sua vida , o drama que viveu quando perdeu a visão, e a felicidade reencontrada quando passou a exercer a profissão que sempre sonhara. Citou o cantor e pianista americano Ray Charles como uma de suas maiores inspirações.
Relatou ainda seus projetos com empresas que apoiavam a educação do deficiente visual. Com seu prestígio, conseguiu que lojistas  concedessem em comodato (empréstimo gratuito), computadores para as escolas para que as crianças cegas tivessem acesso ao uso de computador através do programa “Virtual Vision”.
As crianças quando ouviram ficaram intrigadas, nunca tinham ouvido falar nisso antes. Naquela  distante cidade do interior Estado do Pará a novidade não era ainda utilizada.
A professora demonstrou-se animada, pois os alunos cegos sofriam uma  desvantagem em relação aos surdos quando o assunto era informática, algo tão importante e necessário nos dias atuais.
Zeca  comentou ainda da importância do áudio-livro no  aprendizado das crianças com deficiência visual. Método utilizado inicialmente por pessoas  que fixavam melhor a matéria pela audição, encaixou-se como uma luva para os cegos !
Cada criança presente na palestra ganhou um áudio-livro.
Todas ficaram contentes e com a certeza de que apesar de suas limitações é possível transpor barreiras e encontrar a felicidade.
 
 
 
 
 
 
 


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