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Isis Berlinck Renault
      CONTOS

ENCONTROS E DESENCONTROS

Carlos conheceu Gisela na Faculdade de Medicina da UFRJ. A atração foi imediata, a paixão inevitável.
Tornaram-se inseparáveis. Compartilhavam tudo: confidências, amizades, passeios, diversão, estudos...
Um dia, resolveram compartilhar a vida. Alugaram uma casinha no romântico bairro de Santa Tereza e a transformaram em um lar onde viveriam felizes para sempre, como nos contos de fadas.
E viveram... Por algum tempo.
Separaram-se... Por algum tempo.
Reataram... Por algum tempo.
A nova separação abalou Carlos. Sentiu que era definitiva.
Sofreu muito até que, decidido a esquecer Gisela e parar de sofrer, tirou férias e foi passar uma temporada em Búzios. Divertiu-se, passeou, navegou, fez novos amigos... Namorou...
Quando achou que já estava curado, isto é, que não corria o risco de uma recaída, resolveu voltar.
Na ponte Rio-Niterói, ficou feliz ao avistar a silhueta do Rio: Pão de Açúcar, Corcovado, Baía de Guanabara... Carioca ufanista, tinha paixão pela cidade que chamava carinhosamente de “minha São Sebastião”.
Dirigia devagar, apreciando toda aquela beleza que tanto o encantava.
No Aterro do Flamengo, ao passar pelo Museu de Arte Moderna, lembrou-se de Gisela. Costumavam passar horas lá dentro... Balançou a cabeça como para jogar fora a lembrança e ligou o rádio para ajudar. Ajudou.
Estava cantarolando quando passou pela sede do Botafogo. Novamente Gisela lhe veio à memória. Como ficavam felizes quando o “Fogão” vencia uma partida! Torcedores de carteirinha, freqüentavam o Maracanã e tinham paixão pelo Clube. Tornou a balançar a cabeça e aumentou o volume do rádio.
Na entrada de Copacabana, o Túnel Novo estava com enfeites natalinos. A lembrança bateu forte. Se ainda estivessem juntos, estariam comprando presentes e enfeitando a casa à espera do Natal.
Enquanto rodava pela praia de Copacabana contou, mentalmente, quantos natais passaram juntos. Quatro. O último já não foi tão feliz. Alguma coisa estava acontecendo. Sentiam-se bem juntos. Os mesmos amigos de sempre, mas não os mesmos amantes. Gisela sugeriu darem um tempo a fim de colocar as coisas no lugar. Afastaram-se. Um sofrimento muito grande para os dois. No Natal seguinte telefonou para ela. Marcaram encontro. Trocaram presentes e confidências. Tornaram a se falar na passagem do ano. Novo encontro. Aos poucos foram se vendo mais amiúde. E resolveram tentar mais uma vez.
Durou pouco. Cinco meses. Voltou para casa dos pais.
Estar no Leme, bairro onde nasceu, reencontrar os amigos de infância, jogar pelada na praia, bater altos papos com os pais... Era tudo de que precisava.
Cada vez mais apegado aos estudos, tomou uma decisão: seria psiquiatra. Gisela sempre insistira para que ele fizesse Clínica Geral. Era uma forma de estarem sempre juntos, já que ela fazia Clínica. Libertou-se de sua influência. Foi o único fato positivo da separação, porque, de resto, continuava sofrendo. Sofrimento que estava afinal, decidido a superar. Daí ter ido para Búzios.
Em Ipanema, ao passar pelo Barril 1.800, lembrou-se das “lourinhas” geladas que tomavam lá, com os amigos. Sempre aos domingos, depois do vôlei na praia. Chegou a ouvir suas risadas...
Sentiu saudade. Saudade da felicidade.
Desligou o rádio.
Seu coração tomou a direção do carro.
Atravessou o Leblon e subiu a Avenida Niemayer.
Estacionou na Barra em frente à barraca do Pêpê.
Tomou água de coco. Sentou-se na calçada de frente para o mar.
Ficou apreciando o pôr do sol como tantas vezes fizeram juntos.
Na praia quase deserta avistou alguém sentado à beira mar. Sabia que era ela!
Tirou os sapatos e pisou na areia quente. Caminhou em sua direção.
Gisela sentiu uma vontade irresistível de se levantar. Virou-se. Viu Carlos. Caminhou para ele.
Frente a frente, não disseram palavra.
Beijaram-se com paixão.

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