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Marlos Mello
      ARTIGOS

Aprender e Ensinar: Relações em Diálogo

Aprender e Ensinar: Relações em Diálogo

                                                                                                     Por Marlos Mello

Eu devo reconhecer a dificuldade na qual me encontro ao falar de uma das maiores e mais fantásticas experiências que se pode ter numa vida: estar entre os participantes de um movimento, cujas ideias e sensibilidades se tornaram parte integrante das ideias e sensibilidades de quase toda pessoa, falo do espaço da aprendizagem escolar.
Quem de nós não frequentou os “bancos” escolares? bom, mesmo aqueles que não tiveram essa oportunidade, certamente, foram influenciados por ela.

A escola pode ser considerada uma estranha fusão entre nós, o nosso tempo e a vida de nossos entes próximos, que com suas dúvidas e certezas, se fazem presentes continuamente.
Eu me pergunto, na verdade, se eu deveria continuar a lhes fazer essas confindências. Algum dia, quem sabe, saberemos por que nos encontramos e nos lançamos juntos nessa aventura. Pois sim, para mim, a escola é uma aventura cuja esperança de vida parece mínima, isso não quer dizer que não tenhamos procurado e que não tenhamos conseguido amarrar as relações que resultaram em algo fértil e maior do que cada um conseguiria individualmente.

Neste artigo, caminharemos nos espaços condescendentes de todas as escolas, percorreremos as relações e as produções da escola em nós mesmos. Só tenho um único pedido aos colegas de trabalho, deixe-se tomar por essas palavras, reflita e seja sincero se não há uma coerência no véu que se desvela após essa leitura.

 

A escola como possibilidade de libertação

Cada escola é única, fruto de sua história particular, de seu projeto e de seus agentes. Como lugar de pessoas e de relações, é também um lugar de crenças e ambivalências, como disse Freud em suas reflexões sobre a psicologia escolar.

As relações que perfazem as escolas são, geralmente, mescladas de atitudes de ternura, solidariedade, respeito, mas também por situações de brutalidade, de agressividade, como demonstra o fenômeno bullying. Este, é um fenômeno crescente e assustador, com nefastas consequências para o espaço escolar. Pelo fato do bullying já ser um fenômeno constamentemente midiatizado, não entraremos no foco de sua discussão, pois nosso interesse aqui é discutir o entrelaçe (relação) que a escola produz nas pessoas.

A escola não pode mudar tudo e nem pode mudar a si mesma sozinha. Ela está intimamente ligada à sociedade que a mantém. Se a sociedade é violenta, se o entorno escolar é violento, ela também pode tornar-se violenta. Mas ela pode e deve reagir à cultura da violência, instaurando o diálogo e pensando sempre a cultura de paz nas suas atividades.

Nesse sentido, a escola é, ao mesmo tempo, fator e produto da sociedade. Para ser transformadora, libertadora, construidora do diálogo e da cultura de paz, ela precisa construir relações novas, fundadas no príncipio da liberdade, da solidariedade e do companheirismo. Como sustenta Paulo Freire, somos seres em constante aprendizagem e por sermos incompletos, inconclusos e inacabados não somos seres determinados. A história é sempre uma nova possibilidade.

Passemos à segunda parte da nossa fala.

Ensinantes e aprendentes

Nesse contexto, destaca-se o papel do ensinante: Em geral, não sabemos lidar com relações conflitivas, somos inconstantes no nosso modo de aprender e ensinar, não há um padrão.
Por isso precisamos aprender valorizando as dinstinções entre nós, aprender na convivência coletiva, mantendo relações orgânicas com outras formas de aprendizagem, com outros aprendentes e ensinantes.

O ensinante precisa saber muitas coisas para ensinar.
Mas o mais importante não é o conteúdo em si que deve ser ensinado, mas a forma como deve se ensinar. Para Freud, os ensinantes são figuras substitutas, do ponto de vista da criança, do pai, da mãe, dos irmãos e das irmãs, na verdade seria a imago, ou seja, nossos relacionamentos posteriores são obrigados a arcar com uma espécie de herança emocional. Portanto, todas as escolhas posteriores de amizade e amor seguem a base das lembranças deixadas por esses primeiros protótipos. (Freud em, Algumas Reflexões Sobre a Psicologia Escolar, 1914).

Assim, os ensinantes são profissionais do sentido, forjados no calor dos princípios e valores.
A ética deve fazer parte da natureza do profissional ensinante. Não é competente o ensinante que não é ético. Na educação, como nos ensinou Paulo Freire, conteúdos, métodos e valores são indissociáveis. Dessa forma, não é póssivel entender a ética dos ensinantes que se intitulam seguidores do discurso “non vitae, sed escolae [concursui] discimus” (Não aprendemos para a vida, mas para a escola e para os concursos). (Caon 2002)

Diante da percepção elencada acima, nasce um desafio que precisamos enfrentar: o aprendente quer saber, mas nem sempre quer cultivar o conhecimento.
Geralmente, o aprendente cultua a informação e a transmissão da informação, como se isso fosse um meio de repartir e compartir conhecimentos (Caon 2002). O que temos assistido é que esse sentimento, repartir-compartir, tem gerado situações de apatia, desinteresse, quando não de intimidação na relação ensinante-aprendente.

Passemos à terceira e última parte da nossa reflexão

Outro mundo possível

A rebeldia do aprendente não é sempre sinônimo de agressividade.
Ela é saudável, é sinal de inteligência, de vitalidade, e pode ser a manifestação de um profundo desejo de participar da construção do novo. Ela deve ser canalizada para criatividade e para o protagonismo. A escola é um organismo vivo e em constante mudança. Portanto, um lugar em conflito. Por isso, discutir valores éticos e humanos na escola é essencial e fundamental para se pensar o projeto político-pedagógico das instituições escolares.

Diante de tudo isso, devemos levar em conta que vivemos em um contexto no qual o capitalismo liberal concebe a educação como uma mercadoria, reduzindo nossas identidades às de meros consumidores, dezprezando o espaço público e a dimensão humana da educação.
Nesse formato de capitalismo, a informação, inclusive o famoso QI (Quem Indica) vale mais do que a competência, o saber, as habilidades e as capacidades (Caon 2002). Assim, a escola fica vulnerável a essas práticas, expondo aprendentes e ensinantes à situações de competição, opressão, dor, angústia, medo. Frente ao desafio de construir um “mundo melhor”, manifestamos nossa intenção no sentido de que as escolas precisam reafirmar seus compromissos com os aspectos éticos, coletivos, comunicativos, comportamentais e emocionais, todos eles, necessários para que a escola possa contribuir, verdadeiramente, na construção desse tão sonhado “outro mundo possível”.

 

Texto-base utilizado em diversas palestras realizadas no Estado do Rio Grande do Sul.



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