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   > SIM, OUVIR ESTRELAS...



Ana Flores
      CRôNICAS

SIM, OUVIR ESTRELAS...

SIM, OUVIR ESTRELAS...


Em outros tempos, um rei que se prezasse não dava nenhum passo nem tomava decisões importantes sem antes consultar um sábio astrólogo, categoria respeitada nas cortes e constantemente consultada. Era importante saber onde estava pisando na hora de nomear seus auxiliares de confiança, a melhor época para enfrentar inimigos e as possibilidades de vitória. A interpretação correta do mapa celeste era fundamental para orientar a decisão final do rei, cujos resultados punham em jogo o destino de seu reino e de seus súditos. Diferente de hoje, quando os governantes não têm mais tempo de olhar as estrelas, muito menos de ouvi-las.

Os astrólogos de verdade me desculpem essa invasão amadora em sua praia; é que de repente me deu vontade de sugerir aos nossos governantes que, em lugar de ministros, secretários e assessores de alto custo (em todos os sentidos), de muito papo e pouca ação, fizessem como os antigos reis e contratassem um astrólogo de reputação consagrada como seu consultor exclusivo. Contra os astros é impossível teimar ou barganhar, mais ainda fazer politicagem, e isso seria explicado ao governante, com muito cuidado e diplomacia, antes das grandes e às vezes desastrosas decisões que os chefes de nação geralmente tomam, a despeito das propaladas boas intenções. Um só sábio e todo o universo astral à sua disposição dariam conta das informações necessárias ao bom andamento do país. Sem falar na economia que isso representaria para os cofres da nação.

Calmamente, tomando cuidado para não pôr em risco a própria cabeça, o astrólogo indicaria ao governante os períodos favoráveis para trocar ou não seus ministros, baixar os juros, dar boas ou más notícias aos aposentados e desempregados e outras tarefas inerentes ao exercício do poder.“Não é o momento, Excelência, para tais alianças”, alertaria o astrólogo, ou “Plutão só estará por aqui novamente dentro de 248 anos: é agora ou nunca o momento certo para rever esse acordo com o FMI” ou, ainda, recordar-lhe toda manhã “quanto mais alta a escada maior o tombo, Excelência” e assim por diante.

Governantes e governados estariam se poupando dos grandes sustos que os esquemas políticos tradicionais costumam provocar: os corruptos seriam farejados a distância antes de começarem a agir, os muy amigos com pele de cordeiro seriam desmascarados a tempo e fraudes de qualquer natureza não teriam mais espaço por aqui. Quem sabe, até, os astros possam, antes que seja tarde, alertar para os grandes desastres que se aproximam, como a seca no planeta e a invasão dos grãos transgênicos na agricultura. Bastaria saber ouvir as estrelas. Bilac, que nem era astrólogo, que o diga.


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