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   > trabalho de literatura



Davi Soledade
      RESENHAS

trabalho de literatura

Escola Estadual Solon de Lucena
 
 
 
                            
                                         Literatura
               Ritmos musicais que acompanharam o
                        Pré-modernismo (samba)    
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
                                                           Manaus-Am
                                                        Novembro-2011
Escola Estadual Solon de Lucena
 
 
 
 
                         Literatura
          Ritmos musicais que acompanharam o
                 Pré-modernismo (samba)
 
Francisco Souza, 18
Brunna Matos, 5
Bruno Duarte, 6
Lucas Antunes, 29
Davi Soledade, 11                                                                         
                                                                                                  Trabalho para aquisição de
                                                                                                  Nota parcial referente ao
                                                                                                      quarto bimestre na discipli-
                                                                                 na Literatura, ministrada
                                                                                                            pela professora Sandra
                                                                                                            Oliveira.
 
                                                         Manaus-Am
                                                      Novembro-2011
Sumário
 
Introdução_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Introdução
 
O trabalho que aqui apresentamos trata de uma análise tanto literária como do meio social e histórico das e em que foram concebidas as músicas que nos propusemos estudar, a saber, o samba do início do século vinte, que acompanhou o nascimento e a trajetória do Pré-modernismo . Este estilo, assim como qualquer outro ritmo ou coisa, sofreu modificações com a passagem do tempo; e por isso mesmo, também poremos no trabalho, juntamente com a música da época, um samba atual, para que possamos comparar tanto as afinidades que ainda existam entre as canções, bem como as disparidades que naturalmente possam haver.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

                                 Pelo Telefone

Donga (Ernesto Joaquim Maria dos Santos)
O chefe da folia
Pelo telefone manda me avisar
Que com alegria
Não se questione para se brincar
Ai, ai, ai
É deixar mágoas pra trás, ó rapaz
Ai, ai, ai
Fica triste se és capaz e verás
Tomara que tu apanhe
Pra não tornar fazer isso
Tirar amores dos outros
Depois fazer teu feitiço
Ai, se a rolinha, sinhô, sinhô
Se embaraçou, sinhô, sinhô
É que a avezinha, sinhô, sinhô
Nunca sambou, sinhô, sinhô
Porque este samba, sinhô, sinhô
De arrepiar, sinhô, sinhô
Põe perna bamba, sinhô, sinhô
Mas faz gozar, sinhô, sinhô
O "peru" me disse
Se o "morcego" visse
Não fazer tolice
Que eu então saísse
Dessa esquisitice
De disse-não-disse
Ah! ah! ah!
Aí está o canto ideal, triunfal
Ai, ai, ai
Viva o nosso carnaval sem rival
Se quem tira o amor dos outros
Por deus fosse castigado
O mundo estava vazio
E o inferno habitado
Queres ou não, sinhô, sinhô
Vir pro cordão, sinhô, sinhô
É ser folião, sinhô, sinhô
De coração, sinhô, sinhô
Porque este samba, sinhô, sinhô
De arrepiar, sinhô, sinhô
Põe perna bamba, sinhô, sinhô
Mas faz gozar, sinhô, sinhô
Quem for bom de gosto
Mostre-se disposto
Não procure encosto
Tenha o riso posto
Faça alegre o rosto
Nada de desgosto
Ai, ai, ai
Dança o samba
Com calor, meu amor
Ai, ai, ai
Pois quem dança
Não tem dor nem calor
O chefe da polícia
Com toda carícia
Mandou-nos avisá
Que de rendez-vuzes
Todos façam cruzes
Pelo carnavá!...
Em casas da zona
Não entra nem dona
Nem amigas sua
Se tem namorado
Converse fiado
No meio da rua.
Em porta e janela
Fica a sentinela
De noite e de dia;
Com as arma embalada
Proibindo a entrada
Das moça vadia
A lei da polícia
Tem certa malícia
Bastante brejeira;
O chefe é ranzinza
No dia de "cinza"
Não quer zé-pereira!
Coro (civis)
Me dá licença, não dou, não dou
Faça favô, não dou, não dou
Pra residença, não dou, não dou
Com pressa vou, não dou, não dou
Coro (madamas)
Do chefe é orde? não vou, não vou
Sua atrevida, não vou, não vou
Entrar não pode, não vou, não vou
Vá pra avenida, não vou, não vou.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Análise das rimas.
As rimas das estrofes no samba obedecem o seguinte esquema:
 
Primeira estrofe: rimas entrecruzadas – folia, alegria (rima pobre: substantivos); avisar, brincar (rima pobre: verbos)
Segunda estrofe: entrecruzadas – ai, ai (rima pobre: interjeições); rapaz e verás (rima rica: substantivo e verbo).
Terceira estrofe: apenas os segundo e quarto versos rimam de forma rica (pronome e substantivo) – isso e feitiço.
Quarta estrofe: todos os oito versos rimam de forma pobre, terminados em substantivos: sinhô, sinhô, sinhô, sinhô, sinhô, sinhô, sinhô, sinhô.
Quinta estrofe: todos os seis versos rimam entre si. Primeiro verso: disse; segundo: visse; terceiro: tolice; quarto: saísse; quinto: esquisitice; quinto: disse-não-disse.
Sexta estrofe: neste quarteto apenas o segundo e o quarto versos rimam de forma rica – triunfal (adjetivo) e rival (substantivo).
Sétima estrofe: neste quarteto as rimas se dão apenas entre os segundo e quarto versos de forma rica - castigado (que pertence a uma locução verbal) e habitado (advérbio, no texto indica o modo como o inferno estaria).
Oitava estrofe: os versos dessa estrofe são todos rimas pobres, pois todos terminam no substantivo sinhô.
Nona estrofe: idem.
Décima estrofe: é formada por seis versos que rimam entre si com as palavras gosto, disposto, encosto, posto, rosto, desgosto.
Décima segunda estrofe: estrofe em que o primeiro verso rima com o quarto de forma pobre: ai, ai (interjeições); o terceiro rima com o sexto de forma pobre também: calor, amor (substantivos); o sétimo com o oitavo de forma igualmente pobre: polícia, carícia (substantivos); o nono com o décimo segundo de forma rica: avisá, carnavá (verbo e substantivo); o décimo com o décimo primeiro de forma rica: rendez-vuzes (no texto como advérbio, “que de rendez-vuzes” indica o modo, como.) e cruzes (no texto essa “cruzes” faz parte da expressão fazer cruzes – “todos façam cruzes pelo carnavá”- que é um verbo, pois indica uma ação.)
Décima terceira estrofe: nesta o primeiro verso rima com o segundo de forma pobre: zona e dona (substantivos); o terceiro rima com o sexto: sua (pronome) e rua (substantivo); e o quarto verso (namorado) rima com o quinto (fiado) de forma rica, pois o primeiro dos dois é substantivo e o outro advérbio, indicando, no texto, o modo, como se deve namorar – “se tem namorado converse fiado no meio da rua”.
Décima quarta estrofe: nesta o primeiro verso (polícia) rima com o segundo (malícia) de forma pobre, visto serem dois substantivos; o terceiro (brejeira – um adjetivo) rima com o sexto (zé-pereira- um substantivo) de forma rica; e o quarto verso (ranzinza- adjetivo) rima com o quinto (cinza- substantivo) de forma rica.
Coro dos civis: um quarteto que rima pobremente os quatro verbos da extremidade de seus versos: dou, dou, dou, dou.
Coro das madamas: um quarteto que rima pobremente os quatro verbos da extremidade de seus versos, a saber: vou, vou, vou e vou.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Malandro É Malandro, Mané É Mané

Diogo Nogueira

E malandro é malandro
Mané é mané
Podes crer que é
Malandro é malandro
E mané é mané
Diz aí!
Podes crer que é...
Malandro é o cara
Que sabe das coisas
Malandro é aquele
Que sabe o que quer
Malandro é o cara
Que tá com dinheiro
E não se compara
Com um Zé Mané
Malandro de fato
É um cara maneiro
Que não se amarra
Em uma só mulher...
E malandro é malandro
Mané é mané
Diz prá mim!
Podes crer que é
Malandro é malandro
E mané é mané
Olha aí!
Podes crer que é...
Já o Mané ele tem sua meta
Não pode ver nada
Que ele cagueta
Mané é um homem
Que moral não tem
Vai pro samba, paquera
E não ganha ninguém
Está sempre duro
É um cara azarado
E também puxa o saco
Prá sobreviver
Mané é um homem
Desconsiderado
E da vida ele tem
Muito que aprender...
E malandro é malandro
Mané é mané
Diz aí!
Podes crer que é
E malandro é malandro
E mané é mané
Diz prá mim!
Podes crer que é...
Malandro é o cara
Que sabe das coisas
Malandro é aquele
Que sabe o que quer
Malandro é o cara
Que tá com dinheiro
E não se compara
Com um Zé Mané
Malandro de fato
É um cara maneiro
Que não se amarra
Em uma só mulher...
E malandro é malandro
Mané é mané
Diz aí!
Podes crer que é
Ih!
Mas malandro é malandro
E mané é mané
Diz prá mim!
Podes crer que é...
Já o Mané ele tem sua meta
Não pode ver nada
Que ele cagueta
Mané é um homem
Que moral não tem
Vai pro samba, paquera
E não ganha ninguém
Está sempre duro
É um cara azarado
E também puxa o saco
Prá sobreviver
Mané é um homem
Desconsiderado
E da vida ele tem
Muito que aprender...
E malandro é malandro
Mané é mané
Diz prá mim!
Podes crer que é
E malandro é malandro
E mané é mané
Diz aí!
Podes crer que é
Eh!
Malandro é malandro
E mané é mané
Olha aí!
Podes crer que é
Sim!
Mas malandro é malandro
E mané é mané
Podes crer que é
E malandro é malandro
Mané é mané
Olha aí!
Podes crer que é!
 
 
   
 
 
 
 
 
 
                       
 
 
 
Análise de conteúdo dos e posteriormente entre os dois sambas
O primeiro samba, Pelo telefone, de 1916, que também é o primeiro samba originalmente gravado da história do Brasil segundo a Biblioteca Nacional, tem controvérsias quanto ao que se refere à autoria dele; Donga (Ernesto Joaquim Maria dos Santos) reivindica sua posse, mas Mauro de Almeida e muitos outros compositores também o reivindicam por sua vez. Mas o fato é que a canção parece ter sido composta mutuamente numa famosa casa boêmia daqueles tempos, a casa da Tia Ciata, por diversos músicos entre os quais se encontrava Pixinguinha.
A letra tem forte apelo para a deserdação de tudo em troca da entrega ao Samba, à folia. Nota-se que até mesmo a polícia manda que assim seja feito:
O chefe da polícia
Com toda carícia
Mandou-nos avisá
Que de rendez-vuzes
Todos façam cruzes
Pelo carnavá!...”

É como que uma fuga do real, uma coisa meio que romântica, que propaga a idéia de que não há mais nada no mundo senão o carnaval, o samba e a folia. Contudo, ao contrário da estética romântica, essa fuga do real não beira a solidão e a melancolia à procura de um ideal de vida que muitas vezes só será achado na morte, ao avesso disso, o samba, incita a todos se reunirem e irem para as ruas brincar.
“O chefe da folia
Pelo telefone manda me avisar
Que com alegria
Não se questione para se brincar”

Há também no samba uma marca incontestável que acompanhará todos os sambas posteriores e que engloba todos os estilos que fervilhavam à época junto com ele, como o Maxixe, o Lundu, o Xote, essa marce, esse aspecto, tão presente principalmente nos refrões das canções, consiste no cai-não-cai, no vai-não-vai, é a indecisão, o não comprometimento (tão característico do Pré-modernismo, pois esta escola não se afirmava como escola realmente, seus escritores não compartilhavam idéias entre si, etc.) ou mesmo a artimanha de não afirmar que é para engabelar outrem, em suma, é a malandragem.
“Me dá licença, não dou, não dou
Faça favô, não dou, não dou
Pra residença, não dou, não dou
Com pressa vou, não dou, não dou

Do chefe é orde? não vou, não vou
Sua atrevida, não vou, não vou
Entrar não pode, não vou, não vou
Vá pra avenida, não vou, não vou.”

A segundo samba, Malandro é malandro, Mané é Mané, de composição de Diogo Nogueira, traz o contraponto entre dois caracteres, dois estereótipos que estão presentes no cotidiano carioca: o malandro e o mané. Se as marchinhas e os sambas do começo do século ainda não distinguiam e atentavam para os costumes de seus foliões, nem por isso deixará de guardar afinidades com os sambas de nosso tempo, que, por sua vez, ainda comungam com aquele pela inconfundível animosidade tão característica de ambos. Samba, entre outras explicações etimológicas, quer dizer, em Quimbunbo, um dialeto africano, dar (“sam”) e receber (“ba”). E essa a característica prinipal de todo o samba: os dois lados, o malandro e o mané, e vai-não-vai, enfim, esse mesmo dar e receber.


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