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   > Qual o papel do ensino de psicologia nas escolas?



Marlos Mello
      ARTIGOS

Qual o papel do ensino de psicologia nas escolas?

Qual o papel do ensino de psicologia nas escolas?

Marlos Mello

As perguntas que iluminam as discussões promovidas pela psicologia se encontram no cruzamento do senso comum e do conhecimento cientifico, mais precisamente na articulação dos círculos do saber. Acontece que, alguns poderão estar pensando que estamos caminhando em “círculos” e sou tensionado a perguntar: serão os círculos de Arquimedes?

Este, quando assassinado por um soldado romano, em suas últimas palavras, disse: “deixem-me com meus círculos”. Não! Arquimedes não falava em matemática, naquele momento ele não queria provar e nem dominar nada, embora tenha inventado instrumentos utilizados nas guerras, naquele específico instante, sua busca era a da contemplação.

Nesse sentido, de modo muito especial, as primeiras teorias se relacionavam com a religião, com os mitos, com a própria descoberta de si. Porém, chegou o tempo do “saber o que fazer” e de efetuar uma série de avanços rápidos na direção de uma resposta que a priori pudesse ser absolutizada e, principalmente, “verdadeira”.

O Método Cientifico

Este tempo de profunda rapidez, citado acima, foi chamado de revolução cientifica do século XVI e muita coisa mudou, na verdade houve uma transformação completa de toda atitude fundamental do espirito humano, esse deixou de ser permeado pela teoria e pela atitude contemplativa, cedendo o seu lugar a uma idealização de vida ativa.

Dessa forma, o Homem se transformou no centro do mundo e, por isso, ele deveria dominar tudo, inclusive a natureza. Não podemos e nem devemos julgar as pessoas que se guiaram por tal lógica de pensamento, no entanto, tal filosofia, obrigou aos interessados em pesquisas a acreditar que só havia um método cientifico a ser seguido.

Esse determinismo “de cada coisa para um lugar e cada coisa no seu lugar” provoca uma enorme perturbação, que, no fundo, representa um dilema ético e moral atravessado pela militância do agir, ou seja, pelo dilema de Hamlet, que foi condenado a ação por não poder apagar de sua consciência o que sabe, não conseguir simplesmente conviver com sua angustia e seu sofrimento.

Nada mais antigo e nada mais novo que trazer Shakespeare às nossas divagações “cientificas” porque, ao contrário do que alguns autores dizem, a arte representa uma grande explicação da sociedade atual pois se encontra não na intencionalidade dos indivíduos, mas nas condições exteriores ou no meio.

Arte e Ciência

A polarização entre arte e ciência, me parece, devo confessar, insatisfatória porque penso na arte como o desejo por algo ou por alguma coisa. Esse desejo é, geralmente, caracterizado pela espontaneidade das pessoas.

Deixe-me explicar melhor através de uma analogia: achamos sempre natural ver a chama de um fósforo dirigir-se para o alto e colocar as nossas panelas sobre o fogo. Hoje, essa experimentação é um fato e qualquer pessoa que sabe cozinhar e até mesmo quem não sabe, sabe que essa é uma das formas de fazer uma comida, certo?

No entanto, essa experiência esta profundamente imbricada ao desejo e ao ato de fazer a comida, que é: deixar aflorar os mais belos encantos do cozinheiro. Este, se coloca inteiramente na elaboração do alimento e, essa espontaneidade pode significar, na minha percepção, a arte porque sobrepõe a estática de fazer sempre do mesmo jeito, de seguir sempre a receita de como deve proceder.

Portanto, não é o fato de colocar as panelas sobre o fogo que garante uma comida, pois este também depende de uma “desordem”, uma alteração no equilíbrio universal do como fazer e, possivelmente, isto seja a arte de cozinhar, de despertar sentido aos alimentos.

No meu entender, a analogia acima pode se estender a vida das pessoas como um todo, ou seja, não basta viver a vida para compreendê-la, é necessário destilá-la na arte e na ciência para conhecê-la de fato, para ter na mediação das palavras uma justificativa para nossos atos.

Concluindo, penso ter contemplado neste breve texto algumas das reflexões promovidas pelo ensino de psicologia nas escolas. E, para seguirmos no debate, gostaria de deixar algumas provocações: são os seres humanos que fazem sua própria história? Constroem suas próprias prisões e, dessa forma, podem destruí-las? Superar as dicotomias da modernidade não nos levará à desordem e às trevas e não ao “novo” mundo? Os muros que desabam junto a burocracia não são o testemunho de nossa loucura?



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