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   > A árvore do jardim montanhês



Lucca Pietrobon Tirico
      CONTOS

A árvore do jardim montanhês

A centena de anos atrás vivia em uma casa simples dentro de um bosque, um homem adulto e solitário. Por trás do bosque, havia uma montanha limpa e vazia exceto por um elemento que se encontrava em seu topo: uma árvore muito viva e florida.
     Ao longo do inverno, os legumes que o homem cultivava em uma pequena horta atrás de sua casa, foram estragando e hostilmente preocupando o homem, que já não podia passar um dia se quer sem regar gentilmente seus legumes e fertilizar a terra a fim de evitar que estragassem com o clima.
     O pobre homem tinha quase certeza de que uma simples friagem não era capaz de acabar com algumas batatas e alguns rabanetes, pelo contrário, ele sempre achara que o frio preservaria ainda mais o seu cultivo, mas isso até chegar aquele inverno, que ultimamente estava acabando com a vegetação do bosque.
     Ao olhar da janela de sua casa, o homem via nitidamente a montanha com a silhueta da árvore florida em cima, curioso ele sempre se perguntava qual era a razão daquela árvore nunca ter deixado de ser tão viva, enquanto todo o bosque secava lentamente.
     Certo dia o homem resolveu que sairia para caçar, pois o ultimo de seus rabanetes, ele acabara de devorar, e sua fome e preocupação eram tantas, que se deixasse passar mais alguns dias, ele estaria morto de fome ou depressivamente louco. Sendo assim, ele preparou o seu melhor arco e escolheu as melhores flechas, vestiu o casaco mais quente e saiu em busca de comida.
     O silencio dentro do bosque era tanto, que a certo momento ele parou de se preocupar em dar de cara com algum animal que pudesse matá–lo, então ele deixou de ser cuidadoso, e começou a ser atrevido, logo ele estava imitando barulho de animais a fim de atraí–los para perto, e também olhando para o chão na expectativa de encontrar pegadas. Apesar da tentativa, mesmo depois de longos minutos, o único som que ele ouvia era do vento, nem mesmo os pássaros cantavam naquele dia em que o céu era branco e cinza.
     Quando o pobre homem já sentia a dor mais agressiva dentro de seu estomago, ele pensou ter ouvido algo vindo dos arbustos, então ele procurou esquecer a dor e prestar mais atenção ao seu redor. Olhando de um lado para o outro, ele achou ter visto a sombra de um cervo, mas ao prestar mais atenção ele pode ver que eram apenas galhos pendurados em um cipó, enroscados em um tronco. Decepcionado ele abaixou a cabeça e por pouco não quis chorar, na verdade ele teria começado se não fosse um ruído vindo novamente dos arbustos a tirar sua atenção da decepção. O homem voltou a se animar quando viu que havia de fato um cervo ali, porém quando olhou o animal já estava correndo. Empolgado o homem também começou a correr ao mesmo tempo em que ajeitava com facilidade a flecha em seu arco.
     O homem já estava cansado quando viu que o animal saíra do bosque, ele já estava quase desistindo quando viu que o cervo parou a mais de vinte metros da sua frente e olhou para trás, o homem podia jurar que viu o animal sorrir para ele como se estivesse o provocando ou atentando como quem dissesse possuir uma carne macia e suculenta. O homem aproveitou a parada do cervo para atacar, então ele puxou sua flecha com força e finalmente soltou. A ponta da flecha teria acertado o animal, se ele não tivesse pulado e corrido para a montanha. O homem teria desistido de persegui–lo se aquele cervo não o tivesse provocado, ou ao menos se ele não tivesse pensado ter sido atentado pelo animal. Decidido, ele continuou, não sabia se a sua persistência era devido à fome ou a vontade de se vingar do animal.
     Logo tanto o cervo quanto o homem, já estavam na montanha, porém o animal estava bem a frente e não parecia nada preocupado em ser capturado. Minutos depois o homem começou a enxergar a árvore à medida que se aproximava dela. Quando o cervo notou que o homem já estava perto, desapareceu por entre dois arbustos verdes e floridos, logo o único movimento que o homem enxergara, era o de uma serpente que escalou a árvore florida muito rapidamente.
     Finalmente ele estava de frente com a árvore, ali ele não viu nenhum cervo, foi como se o animal tivesse desintegrado. O homem agora estava mais do que decepcionado, seus sentimentos eram tão ruins que ele se chamava mentalmente de “fracassado”. Ele provavelmente ajoelharia para chorar naquele momento, mas algo inesperado aconteceu logo uma fruta despencou da árvore e rolou em direção aos seus pés. Contente ele abocanhou a fruta e ao engolir sentiu–se como se não precisasse comer mais nada durante a semana toda.
     A satisfação fora tanta que o homem pensou em nunca mais voltar para casa, olhou a sua volta e viu que além da árvore, muitas flores e arbustos o cercavam e dançavam conforme a brisa, o lugar era praticamente um jardim, um jardim no topo da montanha.
     Ao anoitecer o homem percebera que mesmo em tamanha altitude, o jardim montanhês não parecia nenhum pouco frio, pelo contrário, o homem ao tirar o seu casaco, improvisou um travesseiro que acomodou debaixo da árvore. Ao tentar dormir, o homem percebeu que sentia muita sede, mas antes que ele pudesse se preocupar em morrer desidratado, ele sentiu pingar em seu rosto várias gotas de água. Ao abrir os olhos ele viu que a água escorria das folhas lentamente em inúmeras gotas que logo se esticaram e se transformaram em um fino jato. Quando por fim ele se satisfizera, a água parou de pingar e sorrindo ele tentou dormir. Antes que ele pudesse cair no sono, sentiu que deveria agradecer aos céus por estar sendo tão gentil com ele, então ele se ajoelhou e agradeceu. No fim de sua humilde oração, o homem sentiu em seus joelhos mais uma porção de pequenas frutas que acabaram de rolar da árvore. Ao abrir os olhos ele sorriu e lembrou de agradecer a árvore pela gentileza, e assim resolveu retribuir tudo o que ela fizera dando–lhe de presente o seu melhor arco e sua melhor flecha que tinha trazido de casa para caçar. Depois de enroscar gentilmente o arco em um dos galhos, ele encostou a cabeça no casaco e dormiu.
     Ao despertar durante a manhã, o homem decidiu que jejuaria durante aquele dia inteiro, sendo assim passou o dia sem comer apenas meditando em frente a árvore.
     No terceiro dia, o homem sentiu que deveria agradecer a árvore com algo que partisse de seu interior, sentiu que deveria se auto–satisfazer ao mesmo tempo em que agradasse a árvore, então com as próprias unhas ele esculpiu no tronco da árvore uma estrela de seis pontas que depois de pronta ele passou a noite fazendo preces.
     No quarto dia o homem acordou muito cedo e meditou novamente. Quando voltou ao seu estado normal, ele prometeu a árvore que não dormiria durante aquele dia todo, então mais uma vez ele pacientemente meditou por vinte e quatro horas.
     Ao fim de sua longa meditação, ele mais uma vez agradeceu a árvore pela bondade, generosidade e conforto, enfim ele se levantou, vestiu o casaco e decidiu voltar para casa. Quando a árvore percebeu que o homem estava indo embora, ela deixou cair de propósito mais algumas frutas para convencê–lo a ficar, agradecido ele disse ao tronco que lamentava, mas precisava voltar. Sentindo–se usada e traída, a árvore deixou cair em cima dele propositalmente a flecha que ele lhe dera de presente afim de causar uma ferida, por sorte a ponta passou de raspão em seu braço, abrindo apenas um corte. Inconformado com a atitude da árvore, ele apanhou do chão a flecha manchada com o seu próprio sangue na ponta e fincou no tronco dando um basta na situação. A árvore não revidou. Houve por poucos segundos um silencio que o homem ignorou e apenas tratou de continuar seguindo em frente. Ele não resistiu em olhar para trás quando ouviu um ruído suave. Arregalou os olhos quando viu que a árvore estava secando e morrendo. A medida que as folhas caiam e mudavam de cor, o restante do bosque em baixo da montanha, se esverdeava como se ressuscitasse da morte mais terrível. Inconformado, o homem voltou até o local onde matara a árvore, ao chegar ali pegou de volta o seu arco e avaliou os galhos com precisão. Ele não resistiu em tocar, partiu um graveto para guardar como lembrança da árvore mais pretensiosa e ao mesmo tempo generosa que ele já ousara conhecer.
     Ao chegar a casa, viu que apesar do frio e da leve neblina, os legumes de sua pequena horta estavam mais bonitos do que o normal, então ele sorriu e entrou em casa.  Quando a noite chegou, tudo o que ele mais desejava era tomar uma caneca de chocolate quente e dormir, mas desanimou–se ao lembrar que não havia meios de aquecer a bebida tão desejada. Sendo assim ele preparou a bebida e decidiu que beberia fria sem reclamar.
     Ao se acomodar em sua poltrona para beber o seu chocolate frio, o homem sentiu um certo incomodo em seu bolso do casaco e ao enfiar a mão no bolso, sentiu o graveto retirado da árvore da montanha. Quando retirou o pedaço de madeira de seu casaco ele sentiu certo calor em sua mão, e logo viu que esse calor saia da madeira. Estranhamente ele encarou o graveto e viu que aos poucos o calor do pedaço de madeira se locomoveu para a ponta, e foi nesse instante que uma forte faísca escapou da ponta do graveto e pulou para fora dele se transformando em chama.  Feliz o homem seguiu para a cozinha, onde atirou da ponta da varinha de madeira outra faísca que acendeu uma panela e aqueceu o seu chocolate satisfazendo–o naquele dia tão frio.
 Minutos depois ele volta para a poltrona onde bebe um gole de seu chocolate quente e agradece a sua nova “varinha mágica”.


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