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   > O Satélite



Elizeu Moreschi
      CONTOS

O Satélite

Durante o dia inteiro ela estava lá, praticamente invisível aos olhos do povo hidrino. Por alguns instantes ela sentia saudades de um tempo em que um bando de malucos fazia escavações e ensaios sobre o seu inóspito solo, mas por outro lado, a calmaria em que passara por seus milhares de milhões de ciclos voltou a reinar ali desde que esses tais malucos foram forçados a deixarem os seus domínios. E de cá ela podia ver a evolução que eles alcançaram em sua bem sucedida abordagem ao companheiro azul. A noite chegou e ela os deixou por algum tempo, sem sequer lhes dar um brilho fosco. Era tempo de lua nova.
A noite parecia estar mais tenebrosa que todas as noites hidrinas. A ausência da lua fazia com que as estrelas mostrassem mais a sua luz. Porém, um brilho intermitente cortava o céu, um pouco afastado do rio, parecia estar sobrevoando as cordilheiras dos vulcões que, de vez em quando, cuspiam uma lama incandescente de seu interior.
Riscando o céu, ela passava, agora, por sobre o rio e parecia fazer questão de seguir o seu curso. O rio começava tímido. Um singelo olho de água borbulhava incessantemente fazendo correr o seu ínfimo fluido cristalino. Aos poucos os risquinhos, aparentemente, imperceptíveis daquela substância líquida, tomavam força na união estabelecida com outros insignificantes risquinhos que, paulatinamente, se aderiam a outros, a outros e a outros, formando, assim, um igarapé. Esse, por sua vez, se unia a outro, a outro e outro. Pouco a pouco se reforçando, aumentando significativamente, o seu caudal magnífico. Parecia que ele havia aprendido com seus incontáveis séculos de existência, o segredo da força: a união. Hospitaleiro, abrigava milhares de seres em seu grandioso leito. Amistoso, saciava outros milhares que vinham até seus domínios na busca do seu precioso líquido. Sagrado, trazia vida em abundância por onde passava e não se incomodava com aqueles que, por oportunismo, se valiam de sua força.
Arrastado pela força torrencial do rio, algo curioso e desprezível desliza suavemente, desatento a quem ou o quê porventura os estivesse observando. A casca do jatobá, talvez fizesse a viagem com que sonhara durante toda a sua centenária existência.
Realizada e, talvez, agradecida pela bendita visita dos quatro novos amigos peregrinos que agora levava consigo e que, displicentemente, dormiam sem se importar com a grandiosidade líquida que os envolviam e, imponente, ditava-lhes o rumo a se seguir.
Muito distante dali, seguindo ao contrário do curso natural do rio, via-se um grupo de cavaleiros de capas longas que caminhavam lentamente pela tenebrosa trilha, ladeando o rio. A distância, não se dava para saber se eram anjos ou demônios, presumia-se, porém que eles temiam se afastar do rio que lhes transmitia imensa segurança.
E a luzinha oscilante avançava, infinitamente mais veloz que o rio, rumo ao leste, em direção ao mar. Sem muita atenção, ela passou por um grupo de brutamontes acampados, também a borda do rio. A maioria deles dormia, pois o dia havia sido muito cansativo. Apenas Vuk, seu líder, estava de campana e pôde perceber a luzinha passando rápido. Para o velho líder voltor, aquilo era apenas uma estrela cadente que, errante, se perdia no horizonte após o cume branco do, cada vez mais distante, monte da nave.
  Dava para se sentir que estavam cada vez mais próximos dos seus oponentes. Apesar de estarem andando a uma velocidade considerável, o fato de estarem seguindo para mesma direção em que os oponentes se moviam quase que neutralizava a aproximação do grupo em que o objetivo principal era resgatar a menina Maysa...
 



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