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   > O PEQUENO PESCADOR



Luiz C. Lessa Alves
      CONTOS

O PEQUENO PESCADOR

           O PEQUENO PESCADOR
 
            - Zé, hoje a noite vai ser legal, não vai?
            - Mas eu não vou poder brincar.
            - Por quê?
            - Tenho que dormir mais cedo...
            - Logo hoje, você vai dormir cedo!
            - É que amanhã eu vou pescar.
            - Ah, Zé! Só por isso? Amanhã...
            - Eu vou acordar madrugada, Tonho; bem antes de o galo cantar!
            - Por que tão cedo assim?
            - Para ascender o fogo, ferver a água, passar o café...
            - O café é você quem faz?
            - Nessas horas, sim; e tomo com o que minha mãe prepara.
            - E por que ela não faz o café, também?
            - A comida ela cozinha à noite, depois da janta:
            - O quê?
            - Batata-doce, aipim, cuscuz, bolo de puba...
            - Tudo isso?
            - Não: uma coisa ou outra.
            - Ah, bom!
            - Não é certo: às vezes de tão cansada ela nem faz nada!
            - E aí?
            - Eu como a sobra da ceia!
            - Mas logo hoje, Zé, você vai não vai brincar!
            - Tenho que levantar cedo, Tonho, não posso acordar minha mãe!
            - E por que não?
            - Ela sempre fica exausta depois da lida, lá na roça!
            - E o que ela tanto faz por lá?
            - Capina, planta, coivara... Essas coisas.
            - Mas que hora mesmo, você vai sair de casa?
            - Logo no primeiro cantar do galo.
            - Cedão assim?!
            - Você sabe; a maré nunca espera.
            - Mas é muito cedo, Zé!
            - Eu sei. Nesta hora, eu já tenho que estar pronto!
            - Pronto, como?
            - Com a tarrafa, a capanga, o chapéu e minha faca.
            - E a lanterna?
            - Não tenho, mas nem é preciso; a Lua clareia a estrada!
            - Ainda assim é bom ter uma!
            - Quando tiver dinheiro, minha mãe vai me dar.
            - É bom mesmo! No caminho deve ter cobra. 
            - Cobra não incomoda.
            - Ah, não!
            - Com a nossa presença, elas se afastam!
            - Tem, ainda, cansanção, mandacaru...
            - É por causa disso mesmo que minha mãe vai comprar.
            - Existem muitos espinhos até a costa!
            - Mas hoje, madrugada tá tudo claro!
            - Ih! Lua-cheia; noite de Lobisomem passear!
            - Poxa, Tonho! Você tinha que lembrar?
            - Ah, disso você tem medo, né!
            - Tenho. Mas minha  mãe diz e garante que depois que o galo canta nenhum bicho amaldiçoado vaga! 
            - A minha, também fala isso, e você acredita?
            - Acredito! Você não?
            - Eu não! Nem você! Por que tem medo, então?
            - Nunca se sabe, né?
            - E se aparecer algum, o que você faz?
            - Corro!
            - E se não der pra correr?...
            - Aí, então, eu uso a faca!
            - Zé, melhor mesmo é a gente brincar, a noite vai estar linda!
            - Mas pra amanhã, em casa não tem comida!
            - Não tem nada?
            - Só farinha, feijão, maxixe e quiabo!
            - Lá em casa ainda tem peixe.
            - Lá, tem seu pai. É ele quem pesca.
            - Às vezes eu vou também, só de dia, se eu não tiver aula!
            - Por isso você pode brincar.
            - Você não sabe o que vai perder Zé, nesta noite enluarada!
            - Eu sei. Mas eu tenho três irmãos pequenos, Tonho, e só temos nossa mãe, sem dinheiro e muito cansada.
            - Amanhã, também, nem vai poder ir à escola, não é?
            - É; acho que não. Vou chegar tarde e enfadado.
            - Viu! Não vai à escola, nem também pode brincar!
            - Mas um dia tudo vai mudar!
            - Vai? Quem disse?
            - Minha mãe!
            - As mães dizem sempre qualquer coisa para nos confortar.
            - A minha não promete pra faltar!
            - Eu tenho doze anos e você?
            - Onze, por quê?
            - Você vai ouvir isso até casar.
            - Não vou não! “Deus ajuda a quem cedo madruga”!
            - Bobagem! Minha mãe também fala essa tolice quando papai sai pra labuta!
            - Ah! Você é quem não sabe de nada!
            - Sei sim, que hoje vou me divertir muito com a garotada!
            - Até amanhã, Antônio!
            - Por que até amanhã? E o futebol da tarde? Você não vai jogar?
            - Hoje não. Tenho que estudar; amanhã posso não ir à escola, e sem estudo não se consegue nada.
 


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