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   > O bem e o mal nos desportos



Moacyr de Lima e Silva
      ARTIGOS

O bem e o mal nos desportos

Já fui um apaixonado pelo Jogo de Xadrez e, durante um bom par de anos, cheguei a participar em diversos campeonatos, embora sem sentir o gostinho de levantar a taça, mesmo porque não fui um obstinado em superar adversários, já que sempre procurei fazer do Xadrez um hobby, dando prioridade aos estudos, à leitura, ao trabalho, à vida social e à prática de exercícios físicos, de forma amadora e moderada (ciclismo, natação e tênis), sem participar de quaisquer competições e sem perder tempo com treinamentos exaustivos. Tudo isso com a intenção de manter sempre o corpo em movimento, tanto física como mentalmente, principalmente para ganhar preparo para o enfrentamento dos percalços da vida, fossem de ordem profissional, familiar ou social, com plena saúde e racionalidade.
Algo que nunca me atraiu foram os famigerados jogos de azar (ou de sorte, como alguns querem), a começar pelo baralho, até chegando aos caça-níqueis, passando pelas corridas de cavalo, a roleta, o bingo e coisas do gênero, porque em todos eles é o dinheiro que os torna atrativos, incitando os ganhadores a continuarem investindo (até perderem tudo), e os perdedores a continuarem insistindo, até “virarem o jogo” (que nunca irá acontecer) – daí então fica institucionalizado o vício maldito. Caso alguém me veja jogando baralho, uma coisa é certa, trata-se de jogo entre familiares e amigos, sempre a “leite-de-pato”, somente pela atenção a esse pessoal, mesmo porque não gosto de me tornar em desmancha prazeres. A razão desse sentimento é que, por mais que tenhamos uma expectativa que pareça favorável, tudo pode se desmoronar com a compra de uma simples carta toda errada, ou seja, ficamos à mercê da sorte ou do azar, onde a construção de uma tática bem pensada pode ir por água abaixo; realmente não tem a mínima graça e atratividade para mim, porque é frustrante, até mesmo quando acontece da sorte me sorrir – passa a ser uma perda de tempo, porque não temos como tirar qualquer aprendizado dessa prática, já que até os erros no jogo podem ser premiados com a vitória, o que não condiz com a realidade da vida.
Já nos jogos de tabuleiro, por exemplo, o que conta é a criatividade, a concentração, o conhecimento teórico, a memória, a experiência, a paciência e a autoconfiança, sempre mantendo o respeito para com o adversário, portanto ganhará aquele que for o melhor na contenda, porque não existe a interferência aleatória de um terceiro elemento. Essa modalidade de jogo nos trará a chance de exercitarmos o cérebro, de avivarmos nossa criatividade no planejamento de estratégias e, principalmente, na visualização de decisões táticas – isto pode ser levado como aprendizado para a aplicação na nossa vivência, desde que não façamos do esporte a razão da vida, a nossa profissão ou até um vício. Outro fator de grande importância é o aprendizado com as derrotas, porque é através das correções das nossas falhas e defeitos que teremos a chance de crescermos e de melhorarmos como seres humanos. São as adversidades da vida que nos fortalecem, principalmente quando as enfrentamos como um desafio a ser ultrapassado, sem esmorecimentos e lamentações, e de onde, com certeza, tiramos grandes lições de sobrevivência, inesquecíveis e proveitosas – é por essa razão que Deus nos concede a vida neste plano material.
Vejam o que acontece quando interpretamos o esporte como sendo uma forma de afirmação pessoal ou então, o que é pior, como um caminho para a profissionalização, ou seja, passamos a encarar os adversários como inimigos, que estão ali para nos derrotar a qualquer custo, seja para nos humilharem ou então para se manterem no trabalho, à custa do nosso desemprego. Por tudo isso é que acabamos por nos tornar escravos do aprimoramento da nossa performance, sendo empurrados para a destruição do próprio corpo físico, por causa do exagero de treinamentos brutais, ou então pelo uso de substâncias anabolizantes. Esse é um caminho certo também para a queda da nossa espiritualidade, porque a razão de vida passa a ser governada pela cegueira da autossuperação para cumprimento de objetivos negativos, só para sermos aclamados ”o melhor inútil”, o que não condiz com a verdade da vida.


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