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   > Anjos e Magos



Juarez Fragata
      CONTOS

Anjos e Magos

 

 

 O querubim Lúcifer, guardião das milícias celestiais, resolvera em seu coração ser semelhante à Elohim.

 Com o intuito de usurpar o trono de Deus o mesmo fizera uso da tentativa de um golpe de estado.

A parte inferior do seu exército atacara, e capturara a terça parte dos anjos de Deus, a qual lançara à terra.

A terra estava sem forma e vazia. Havia escuridão sobre a face do abismo.

Foi para esse universo sem forma, vazio e escuro que os Bene Elohim, os filhos de Deus foram lançados.

Aquele que é similar ao Altíssimo, o arcanjo Miguel e seus combatentes promoveram uma represália.

Os rebeldes não se intimidaram e revidaram.

No embate de forças o exército santo derrotara o exército das trevas, e o lançara para a terra, assim como ele havia feito com a terça parte dos anjos do Senhor.

Por meio da palavra o Todo Poderoso dera forma a terra para que os Bene Elohim pudessem nela permanecer.

Para castigar um pouco mais a Lúcifer, fizera o jardim do Éden, e criara Adão, sua imagem e semelhança.

Na tentativa de ser semelhante ao Altíssimo, Satanás usou como subterfúgio uma tentativa de golpe de estado. No entanto agora o mesmo estava diante de Adão, que sem esforço era a imagem e semelhança de Elohim.

Adão era tudo aquilo pelo qual Lúcifer havia lutado.

Com pretensão de derrubá-lo, o mesmo promovera o primeiro contato alienígena que se tem notícia.

Esse contato ocorrera com a serpente, e por meio dela o mesmo induzira Eva ao pecado, e por sua vez Eva induzira Adão levando-o ao atrofiamento espiritual, e consequentemente a expulsão dos mesmos do jardim do Éden.

A serpente fora a primeira mãe de santo. Da junção Lúcifer e serpente descendem todas as correntes espíritas.

 

 Os filhos dos homens se proliferaram na terra.

Suas filhas elegantes e belas acendera o desejo em parte dos anjos de Deus que estavam no planeta a contragosto, uma vez que tinham sido lançados a ele pelo exército satânico.

Este desejo fez com que parte dos Bene Elohim não guardasse o seu estado original.

Os mesmos abandonaram-no para viver como humanos.

Começa um processo de abordagem as filhas dos homens que lhes agradara, as quais foram ensinando malefícios de feiticeiros, e a propriedade de raízes e árvores.

Surgem as primeiras bruxas: mulheres sábias detentoras de conhecimentos sobre a natureza e magia.

Essas mulheres se tornaram esposas dos Bene Elohim, e geraram os gigantes, seres de espírito e carne: homens de raciocínio rápido; mestres em soluções imediatistas e bruxarias.

Por meio deles fora semeada a propensão para a sensualidade, o encanto, a sedução, e com isso viera à violação da fidelidade conjugal, o servilismo degradante de devassidão, a desonestidade, o culto prestado ao que não era Deus, ódio, disputa pertinaz, rivalidade, fúria, e violência.

Devido ao desrespeito à fidelidade conjugal, e do fato de que muitos não queriam assumir filhos alheios, os anjos revelaram aos humanos o cruel golpe de espíritos e de demônios: o soco ao embrião no ventre para abortá-lo.

Se isso não bastasse os homens foram ensinados a fazer espadas, facas, escudos, e armaduras.

Desde então começara acontecer combates sangrentos, de extrema crueldade.

 Os filhos de Deus também ensinaram aos humanos a arte da bruxaria, e a solução para desfazê-la. Todos os sinais, o movimento da lua, a astrologia, o entendimento da escrita e, o uso de tinta e papel.

Como a grande maioria procurava aprender a magia, colégios especializados nesta área, na escrita e na astrologia foram criados.

Quando um mago da cruza de anjo e humano não gostava de alguém, esse era transformado em um animal híbrido.

O planeta começara a abrigar cavalo com cara de homem, serpente com rosto de mulher; pessoas com cara de aves e vice-versa.

Príncipes literalmente viravam sapos, e princesas ratazanas quando ao alcance dos bruxos pertencentes à nova raça.

O ponto positivo eram as grandes obras elaboradas pela magia e a força dos gigantes..

Entre tantas outras obras inexplicáveis ao leigo, apareceram as primeiras pirâmides.

 

 

A mescla de anjos e humanos a cada dia tornava-se mais e mais notória, tanto pela sua aptidão à alquimia e a feitiçaria, assim como pelas fanfarrices, impiedade e requinte de crueldade, que iam além do imaginável.

É desencadeado um processo de autodestruição: a guerra dos bruxos.

O bom feiticeiro também tinha que ser especialista no desmanche de bruxaria, caso contrário virava pó ou então um animal híbrido por tempo indeterminado.

Magos caçando magos. O aluno poderia pertencer à nova raça e estar aprendendo com o intuito de exterminar seu mestre.

Muitos bruxos ficavam temerosos com a rapidez que certos alunos se desenvolviam, e o medo tornava-se fator de risco para os mesmos: seus mestres poderiam transformá-los em animais híbridos, antes de terem a certeza de que eram seres humanos carnais ou não.

 

 

Com exceção da descendência de Sete que procurava viver de modo pacato, de contínuo clamava ao Altíssimo, e só agia quando atacada, todos os demais guerreavam de acordo com o momento e as circunstâncias.

Num dia poderia haver um combate entre os gigantes.

Bruxos da descendência de Caim poderiam usar de suas magias para se defender ou atacar os magos da nova raça.

Ou então a descendência de Caim usar espadas, facas, e escudos numa tentativa de neutralizar a magia, e a inteligência que existia nos seres carnais para elaborar torturas e outras coisas más.

 

Sete havia gerado Enos, e desde então se começara a invocar o nome do Senhor.

Com Enoque, descendente direto de Sete e Enos não fora diferente.

Enoque andara com Deus.

Ele fora o primeiro a deixar de ser um analfabeto funcional, para tornar-se o primeiro escritor, o primeiro a escrever uma autobiografia. Escreveu outro livro que continha as anotações dos sinais do céu, de acordo com a ordem de seus meses, para que os homens pudessem conhecer as estações do ano segundo a ordem de seus dezoito meses separados, e o primeiro escritor engajado.

Durante algum tempo Enoque estivera escondido, e ninguém sabia onde o mesmo estava.

Contudo ele estava completamente envolvido com os santos e os Bene Elohim que haviam deixado os seus postos para viver com as filhas dos homens gerando uma nova raça de humanos: os gigantes, mescla de anjo e humano.

Os filhos de Deus que haviam se rebelado o chamaram de Enoque, o escriba.

Já o Altíssimo o chamara de escriba da retidão, e lhe incumbira de ir aos anjos rebeldes e lhes informar de que os mesmos não obteriam paz e remissão de pecado.

Que fariam petição para sempre, mas não obteriam misericórdia e paz.

Então Enoque partira e falara todas as coisas que Deus lhe mandara aos anjos rebeldes.

Todos eles ficaram assombrados de pavor, e tremeram.

Enoque também fora o primeiro astronauta.

O mesmo viajou a outras dimensões e ficou sabendo de coisas inimagináveis ao ser humano, e não conhecera a morte, uma vez que na velhice fora levado para outra dimensão, sem ter passado pela morte.

 

Os descentes de anjos e humanos eram de uma voracidade inigualável.

Tudo que a humanidade produzia era devorado pelos mesmos em pouco tempo.

Então começara o canibalismo e o vampirismo.

Os seres espirituais e carnais se voltaram para os seres humanos, pássaros, animais, répteis e peixes para comer sua carne e beber seu sangue.

O mundo estava uma balbúrdia, por causa da ação dos Bene Elohim.

Uma cultura de anjos caídos havia tomado conta da terra.

Os humanos tinham aprendido com os Bene Elohim desde o amargor a doçura até a fabricação de espelhos, a manufatura de braceletes e ornamentos, o uso de pinturas, o embelezamento das sobrancelhas, o uso de todo o tipo selecionado de pedras valiosas, e toda sorte de corantes.

O desejo de Deus era fazer com que os filhos dos homens desenvolvessem o seu potencial. Porém os mesmos não o desenvolveram, visto que aprenderam tudo com os anjos, que literalmente influenciavam os seres humanos.

 

 

 

A pirâmide de cristal, moradia do profeta Absalom, O Pai da Paz, ficava dentro dos domínios da descendência de Sete.

O muro que cercava o vilarejo também era edificado com pedras de cristal, e uma chama queimava ao derredor do muro.

Sobre a porta de entrada havia um arco de fogo com flechas em seu vibrar.

Nas dependências do lugarejo havia quatro montanhas formadas de pedras multicoloridas, que de contínuo queimavam.

Da pedra que apoiava os cantos do vilarejo era possível ver os ventos aparecendo no meio do céu e da terra, constituindo os pilares do céu.

Descendente direto de Sete, o profeta temia a Deus.

Tanto os guerreiros, assim como os magos descendentes de Caim viam cavalos e carros de fogo circundando o topo da pirâmide.

No entanto a nova raça não conseguia vê-los: nem mesmo os seus magos, visto que a carnalidade havia os tornado pesado, espiritualmente; sem a percepção das dimensões espirituais.

Uma vez os mesmos tentaram invadir a colônia. O profeta clamou a Deus e todos os magos foram atingidos pela cegueira.

Chegaram a pensar que iriam permanecer cegos para sempre. No entanto, depois de um tempo a visão dos mesmos fora restaurada.

 

A nova raça, formada de anjo e humano se reproduzia numa velocidade espantosa.

As fêmeas davam à luz, e logo em seguida tornavam a engravidar.

Em pouco tempo os gigantes de espírito e carne eram uma verdadeira praga, devorando tudo o que encontravam pela frente.

Um grande exército com soldados munidos de espadas parecendo ser feita de um fogo flamejante, e mais uma dezena ou duas de bruxos, já tinham tomado a grande pirâmide de pedras margarite.

Os magos e os guerreiros da linhagem de Caim, que haviam conseguido escapar, estavam refugiados na pirâmide Antimônio, pertencente aos seus irmãos.

Porém agora um exército incontável de soldados e feiticeiros já se encontravam às portas para invadi-la.

Todos que ali estavam sabiam que não poderiam resistir àquele grande exército que parecia gafanhoto.

O profeta Absalom, coberto por um manto brilhante, semelhante ao fogo, e branco igual à neve, olhou para o alto, viu o receptáculos dos ventos, e se deu conta que eles adornavam a criação. Viu-os girando no céu, ocasionando e determinando a órbita do sol de todas as estrelas.

Uma nuvem então o arrebatou, e o vento o elevou acima da superfície da terra, onde pôde observar os ventos que dão sustentáculos às nuvens.

Voltou-se a Antimônios e ao invés de ver a pirâmide, teve uma visão: a operação de um fogo resplandecente, no meio do qual observou uma divisão; colunas de fogo lutando em direção ao fundo do abismo. No entanto não conseguiu descobrir sua origem.

Uma certeza ficou na mente do profeta: algo de muito grave estava acontecendo com a descendência de Caim, lá na pirâmide Antimônio.

 

A pirâmide Antimônio não resistira, e viera a baixo.

Os magos descendentes de Caim tinham conhecimento da falta de visão da nova raça no que diz respeito às inúmeras dimensões espirituais. Por isso fugiram para outra dimensão, se tornaram invisíveis, e conseguiram escapar incólumes.

Já os soldados não tiveram chance, e um ato de canibalismo e vampirismo acontecera sem pudor algum.

O profeta tivera uma nova visão: nuvens e névoa o convidavam, e estrelas agitadas com brilho de relâmpagos o impeliam e o forçavam a ir adiante, enquanto os ventos assistiam seu voo, acelerando sua viaje.

O mesmo fora conduzido até Antimônio, onde só havia ruínas. Num lapso de tempo viu a nova raça devorando os guerreiros de Caim.

Tivera um leve pressentimento de que a pirâmide de cristal seria o próximo alvo dos gigantes.

Já de volta aos domínios de Sete deparara-se com um homem que tinha na mão uma espada nua; sua lâmina era como um fogo flamejante.

Aquele sujeito era um antigo conhecido. No entanto agora o mesmo estava ali como um dos principais do exército do Senhor: disso o profeta ficara sabendo por meio de uma revelação.

Em posse da certeza de que a colônia de Sete receberia auxílio de Deus, apresentara o príncipe do exército do Senhor aos soldados de Sete, e em seguida entrara em seus aposentos.

Transformar homens criados nos domínios da paz em guerreiros: essa era a árdua missão do príncipe do exército de Deus.

Se não estivesse diante de uma questão de vida ou morte, seria hilário vê-los tentando segurar aquelas espadas de fogo flamejante, que pareciam ter vida própria. Contudo o príncipe mantinha-se focado em sua tarefa: prepará-los para o combate.

Nem mesmo o aumento do rio de fogo brilhante que cortava a colônia, e emitia luz, iluminando todo o lugarejo durante há noite, fora capaz de desviar sua atenção.

Deixá-los aptos para a batalha era para o mesmo uma questão de honra.

 

 

 

 

 

 

 

 

   



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