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   > NADA A DECLARAR MESMO



Ana Flores
      CRôNICAS

NADA A DECLARAR MESMO

Li em algum lugar que, ao receber um prêmio no palco, a atriz Whoopi Goldberg, em vez de agradecer a uma lista interminável de pessoas, como costuma acontecer em festas de entrega de prêmios, disse que queria agradecer a seus inimigos por lhe darem energia para acordar mais cedo e porque eles a obrigaram a evoluir. Grande Whoopi. Sempre quebrando paradigmas e convenções e dizendo coisa com coisa. Porque ultimamente anda difícil distinguir na mídia quem falou o quê, já que todos dizem as mesmas coisas, com o mesmo vocabulário e os mesmos clichês.

Numa entrevista à rádio CBN, dia desses, a entrevistada divulgava um concerto de jovens músicos e a cada duas frases encaixava um “absolutamente”, muitas vezes sem o menor propósito, apenas pelo hábito de usá-lo em suas frases. Até para dizer que a entrada para o concerto seria grátis, usou a tal palavrinha, avisando que era absolutamente de graça. Nada que desabone o concerto e a iniciativa, mas fica no ar e nos ouvidos a repetição cansativa.

Outra figurinha fácil é a tal de “a coisa do” e “a coisa da”. Não há artista, ator, modelo ou celebridade da hora que não explique muito seriamente para a câmera que o importante naquele cenário, naquela decoração ou naquela abordagem da história é a coisa do contexto urbano, a coisa do jogo de cores ou a coisa do amor proibido. A Coisa está em todas, tudo igualzinho, uns repetindo outros, sem nada a acrescentar de pessoal. É um tal de “na verdade” começando todas as frases, revezando-se com “olha só” (Rio) ou “veja bem” (SP) e “com certeza!”, entre as falas, para dar força às declarações ouvidas. E com ênfase, por favor, com ponto de exclamação e tudo. Sem falar no “é complicado”, para qualquer situação, desde uma saia justíssima a uma pipoca queimada.

Na época da mais recente ditadura militar no Brasil, havia um ministro que, ao ser abordado pela imprensa para fazer algum comentário ou dar uma informação sobre assuntos governamentais, só tinha uma resposta aos repórteres: “Nada a declarar”. Esta ficou sendo, entre outras de triste memória, a característica pela qual ele é lembrado até hoje. Guardadas as devidas proporções, os que hoje adoram repetir frases feitas porque assim se sentem antenados com o seu tempo – ou, quem sabe, por contarem com um reduzido vocabulário –, de fato não têm nada a declarar. Mas o pior é que declaram e dá no que dá. E, se de vez em quando não aparece uma Whoopi para dar uma mexida no cenário, a mesmice se instala de vez no palco iluminado das celebridades fugazes.





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