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   > Clube das sextas ( III )



Amarilia Teixeira Couto
      CRôNICAS

Clube das sextas ( III )

Dessa vez Débora não veio. O namorado que conhecera na internet chegou de repente.E, como sempre acontece, quando ela está amando, suas aparições no Happy diminuem sensivelmente.Mas a turma estava animada.É que novas pessoas se integraram ao grupo para somar as histórias e tornar ainda mais animado e rico os nossos encontros semanais.E na ausência de Débora , Nina foi a bola da vez e se tornou o centro das atenções.Ela chegou chegando, como dizem.Num átimo lá estava ela devidamente instalada à mesa se apresentando a todos que ainda não a conheciam de forma alegre   e sedutora. Nina é separada, tem dois filhos adolescentes e, vez por outra se atreve na seara dos relacionamentos amorosos.Assim, logo que se pôs à vontade entre nós, todos ficaram atentos a sua entusiasmada narrativa.Falou rapidamente dos filhos, um de 14 e outro de 20 anos, falou do casamento desfeito há mais ou menos seis anos e, de maneira galhofa, passou a falar de suas aventuras amorosas.Ao contrário de muitas mulheres descasadas, Nina não era uma pessoa amarga, muito pelo contrário.Após a separação, ela ficou numa boa situação financeira, que lhe permitia criar bem os filhos e ainda curtir a vida sem muita preocupação.Falava dos seus casos com leveza e alegria.E antes que alguém dissesse: Nossa, você é doida demais,não tem medo de encontrar um oportunista? Como a adivinhar o que pairava em algumas cabeças ali, ela já dizia: -Menina, eu quero mais é encontrar pessoas oportunistas e atrevidas.Quero mais que alguém se atreva mesmo a me conquistar.Se o cara não tiver grana, eu tenho por nós dois.Qual o problema! Cansei de ser tradicional, careta. Hoje só quero amar e ser amada, quero alguém que tenha uma boa pegada, entende? O resto é resto....
Depois de falar assim, na lata, Nina ainda deu uma olhada mais atenta em todos que compunham a mesa.E com um sorriso meio maroto, de puro contentamento, pôde perceber que tinha impactado.Ah, mas ela gostava disso.
Diante do discurso filosófico da novata do Happy, surgiram alguns buchichos aqui e ali, mas logo cessaram ( até segunda ordem, claro!).Nina se aquietou na cabeceira da mesa e ficou mais próxima de mim. Tratei logo de mudar o rumo da prosa para que os ânimos se acalmassem um pouco.Assim, por um momento, os assuntos se diversificaram e cada um passou a conversar com quem estava mais próximo, sem muito ruído.Até que Nina resolveu ir ao banheiro....

Aí, (Deus toma conta!) fui cravada de perguntas de todo tipo: Onde você conheceu essa maluca? Ela é normal? Nossa, que mulher sem juízo! Ela se dá bem com os filhos? Ela não tem medo de ser enganada por um cafajeste?
Os comentários de toda ordem, de maliciosos a complacentes surgiram ao mesmo tempo, fazendo com que as pessoas de outras mesas se voltassem para a nossa barulhenta turma .
Mas Nina retornou do banheiro e, num passe de mágica, tudo voltou à normalidade.Parecia até uma outra pessoa. Chegou mansa, delicada e disse pausadamente: Meninas, agora que todos já falaram muito de mim, que se deixaram levar pela primeira impressão que deixei , vou me apresentar devidamente, viu?
Todos se entreolharam como a fazer o “mea culpa” e passaram a observar os passos de Nina.De forma atenciosa e gentil ela foi se assentando ao lado de cada pessoa da mesa e quase sussurrando foi se apresentando a cada um.Dedicou uns dez minutinhos a todos os que estavam ali.

Final da história: Nina era psicóloga.Conhecia um pouco do comportamento humano.Chegou fazendo gênero, usando uma das várias máscaras que usamos no dia-a-dia para sobreviver.Depois que se sentiu devidamente julgada pelo grupo, resolveu desfazer a incômoda impressão causada e tentou se mostrar como realmente era: uma pessoa como as outras.

Hoje Nina é querida no grupo.Também não está sempre com a gente.Mas quando aparece é tudo de bom.De vez em quando ela mesma relembra a sua estréia no happy e consegue despertar no grupo boas gargalhadas.Desse episódio a gente pode até concluir que, de perto, bem de perto, ninguém é normal.Você é ?



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