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   > Dom Quixote e seus moinhos de vento



Amarilia Teixeira Couto
      ARTIGOS

Dom Quixote e seus moinhos de vento

Gosto de observar as pessoas.E ao longo da minha vida, venho aprimorando essa habilidade, venho aguçando o olhar ( apesar de minha miopia) e os ouvidos.Tenho tentado diminuir a afoiteza na hora de dar minha opinião e me atentado mais aos meus interlocutore.E não só me atenho às palavras, como também ao gestual.E como o corpo fala! Às vezes muito mais do que os vocábulos .Assim, venho me tornando uma "quase" especialista em ler nas entrelinhas, no remexer das mãos, nos olhos inquietos, tranquilos, turvos, transparentes ou endurecidos.Também tenho lido algumas mensagens nas frases interrompidas, nas respostas vazias, no tom ríspido ou meigo das falas.Sinal de amadurecimento? Pode ser.Certo é que aquele ímpeto em defender minhas idéias a todo custo ficou para trás.E não foi de maneira repentina que mudei.Não.A mudança foi se dando aos poucos, em doses homeopáticas.À medida que fui percebendo que minha maneira quixotesca de ser incomodava muita gente.Que o meu lado "gauche" não era um bom cartão de visitas.Eu levantava minhas bandeiras e as fazia tremular com todas as minhas forças.E eram todas bandeiras humanitárias, de cunho socialista de fato, não no sentido meramente político.Eu queria um mundo cor-de-rosa pra todo mundo, acreditava ferrenhamente numa sociedade mais justa, mais humana, sem pobreza.Mas fui percebendo, nos olhares endurecidos em minha direção, que eu era vista de forma distorcida.Poucos acreditavam nas minhas reais intenções.Especulavam sobre os meus verdadeiros interesses e chegavam a tecer comentários maldosos sobre minha pessoa.E percebi isso também em relação a outros colegas que pensavam como eu.Eram poucos, pois os "dons quixotes " da vida sempre foram minoria.Então, de forma gradativa, fui deixando de cavalgar o Rocinante, deixei de lado a companhia constante do fiel escudeiro Sancho Pança e não mais persegui com a minha lança os moinhos de vento.
Hoje, sinto-me mais tranquila, pensamentos mais organizados, querer mais ajuizado, coração menos alvoroçado. Então acho que entendo um pouquinho de gente e sei que as pessoas estão vazias ou tristes ou desiludidas.E aí me vem uma gratidão imensa a Deus por ter me moldado assim lunática, sonhadora, idealista, quixotesca no tempo certo, para agora ser uma mulher amorosa em todos os sentidos.E que não deixou de acreditar no sonho. Apenas não mais tem a pretensão de mudar o mundo,quer somente fazer de seu mundinho pessoal um oásis de ternura, "um infinito particular".

Mas a cada geração, a cada década ou século, outros cavaleiros andantes irão surgir e, montados em seus rocinantes, lutarão contra os inimigos, conquistarão impérios e os oferecerão às mais variadas Dulcinéias.Pois o sonho não pode acabar nunca.Nem o Amor.Nem a gentileza.Nem uma causa maior que direcione a vida.



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