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   > Abuso ludens



Maristela Zamoner
      ARTIGOS

Abuso ludens

Nos últimos anos, as teorias educacionais vêm dando ênfase à necessidade de que o processo educacional seja mediado por métodos lúdicos.

Infelizmente, na prática esta ideia tem sido corrompida, gerando falhas que tornam a caminhada do indivíduo, rumo a sua ampla formação, repleta de deformidades.

Basicamente, há educadores, inclusive pais, entendendo que todo aprender deve ser lúdico. Entretanto, a vida real não é só diversão. Entre as competências positivas de um adulto está a de ser capaz de administrar bem os momentos em que precisa realizar atividades que não o agradam. Em sendo educado para tal, esta prática fica leve.

Neste ponto precisamos parar e pensar no que produzimos como educadores. Quando a escola e os pais insistem em que tudo seja lúdico, ou mais do que é preciso o seja, estão subliminarmente ensinando a se fazer só o que for gostoso. Não é preciso muita experiência com crianças, adolescentes e jovens para saber no que isto resulta.

Ao mesmo tempo, não podemos esperar que uma criança que acaba de chegar a uma creche tenha o mesmo percentual de coisas desagradáveis a fazer que um adulto. E também não podemos achar que é positivo um sujeito que está terminando o Ensino Médio não estar habituado a realizar um percentual de coisas que não gosta, próximo ao que enfrentará em sua vida profissional.

Isto nos indica que no processo educacional é necessário promover um aumento gradativo de atividades obrigacionais, que, muito provavelmente, são desagradáveis para muitos. Sendo possível torná-las mais agradáveis, melhor ainda. Quando isto é aprendido desde a mais tenra infância, o “desagradável” é absorvido como uma necessidade e é tratado até mesmo pelo hábito, de forma mais leve.

Entretanto, se é mantido este abuso ludens ao longo do desenvolvimento do indivíduo, quando ele tiver sua educação formal básica terminada e ingressar no mercado de trabalho, terá dificuldades severas e perigosas. Ou sofrerá muito até se adaptar ao que deve fazer sem ter prazer imediato, ou, conforme a história e as características individuais, simplesmente não fará o que não lhe agrada. Também conhecemos a pragmática desta conduta.

O problema de se educar assimilando atividades obrigatórias, e talvez desagradáveis, é o fato de ser mais trabalhoso para o educador, seja professor ou pai. Por um exemplo simples do dia a dia notamos esta constatação. Para uma mãe, é mais fácil e rápido arrumar uma mesa para o jantar sozinha do que trazer seu filho de dois anos de idade para participação desta atividade corriqueira, que qualquer adulto autônomo deve ser hábil a fazer. Isto vale para muitas tarefas diárias que fazem parte da vida de um sujeito independente. Quando tal processo se dá, do ponto quantitativo, de forma gradativa, desde poucas atividades na infância até todas quando adulto, formamos sujeitos livres.

É trabalhoso, sem dúvida. Mas, a opção pela posição de ser educador precisa abarcar o labor de inserir o aprendiz no mundo real, tornando-o absolutamente autônomo, independente e, naturalmente, livre.

O abuso ludens vai em sentido contrário e vemos educadores permitindo que os educandos vivam suas vidas sem assumir as tarefas mais simples de um lar e de uma vida.

A consequência é que na vida adulta o indivíduo aprende que as suas necessidades devem ser atendidas por terceiros, espera e conta com isto. Em geral, esta postura abrange a ordem que for, doméstica, pessoal, profissional ou financeira.

Por isto, é tempo de domar o abuso ludens, de presentear o indivíduo que vem ao mundo, desde sua infância, com a dosagem sensata e crescente de atividades que o levem à total independência até o momento de assumir-se como adulto.


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