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   > Responsabilidade Enunciativa na pesquisa sobre o paraverbal e o não verbal em artigo científico



Francisco José Costa dos Santos
      ARTIGOS

Responsabilidade Enunciativa na pesquisa sobre o paraverbal e o não verbal em artigo científico

Responsabilidade Enunciativa na pesquisa sobre o paraverbal e o não verbal em artigo científico

Francisco J. Costa dos Santos (Ppgel/UFRN)
 
Este trabalho se pauta a ser uma breve tentativa de compreender o grau de responsabilidade enunciativa posto nas pesquisas que desenvolvo para a dissertação de mestrado do Programa de Pós Graduação em Estudos da Linguagem da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, sob a orientação da Professora Doutora Marise Adriana Mamede Galvão (UFRN) e, se coloca como trabalho de conclusão da disciplina Teorias Contemporâneas do Discurso, ministrada no aludido programa, especificamente direcionado para a Dra. Maria das Graças Soares Rodrigues.
Inicialmente farei uma caracterização do que seja elemento Paraverbal e Não Verbal para em seguida observar o grau de responsabilidade que assumo com os enunciados elencados no corpo do texto produzido, por fim, apresento considerações que julgo pertinentes. Busco apoiar este trabalho nas concepções de Responsabilidade Enunciativa preconizada por Adam (2008) e em Rabatel (2010) ancoro a ideia de autoria procurando mostrar que assumo, enquanto autor, diferentes posturas frente o texto em face da necessidade de embasar teoricamente a construção.
Intencionalmente faço uso da subjetividade excessiva nesse texto buscando entanto, desvencilhar-me da passionalidade, entendendo ser esse uma trilha árida e de não simplória dissociação.
É notório nos trabalhos acadêmicos que o embasamento em uma base teórica se faz necessário e como tal, abaliza o conhecimento produzido pelo enunciador do momento. Busco nos estudos de Bakhtinianos observar que não há conhecimento novo, mas sim, que todo conhecimento é fruto das interações entre aquele que anteriormente pesquisou e aquele que executa a pesquisa posterior, sem esquecer, no entanto que mesmo aquele que antes desenvolveu pesquisa já buscou beber em fontes anteriormente construídas e que a produção de agora receberá novos olhares e transformações. Nisso funda-se o principio da interação.
 
1.                  Caracterização de Elemento Paraverbal e Não Verbal
Os primeiros estudos sobre os elementos paraverbais e não verbais estão ligados à retórica clássica – ainda que não nomenclaturizados dessa maneira.  Cícero já incluía nos estudos retóricos a abordagem da voz, postura, corpo e gesto.  Nos séculos XII e XIII, é possível observar uma ligação entre a atenção aos gestos no Ocidente medieval e sua constituição – ocorria um controle ideológico dos gestos por parte da Igreja.  A gestualidade foi considerada suspeita pelo cristianismo da alta Idade Média em que se observava o obscurantismo pelo qual passou a palavra “gestus” dos séculos X ao XII. (Efrón, 1941)
Para Bolinger (1975), os gestos podem ser instintivos ou aprendidos. Estes últimos podem ser lexicais ou icônicos e, segundo o estudioso, podem apresentar uma subdivisão: visíveis e audíveis.  Já os instintivos podem ser voluntários e involuntários.

A interação comunicativa possui três elementos, a saber: algo que conhecemos algo que sentimos e algo que vivenciamos.  Deve-se, portanto, compreender bem o conteúdo a ser transmitido, ligar esse conteúdo conscientemente ao que está sentindo e for vivenciado, ou seja, fazer parte do seu cotidiano.  Essa coerência de comunicação é expressa pela complementaridade entre seu verbal (associado às palavras expressas) e seu não verbal que é toda informação obtida por meio de gestos, posturas, expressões faciais, orientações do corpo, singularidades somáticas naturais ou artificiais, organizações dos objetos no espaço e até pela relação de distância mantida entre os indivíduos.
Steinberg (1988) afirma que em um ato unido ao da fala, o corpo todo transmite uma comunicação voluntária ou involuntária. 

Visto do campo semântico a linguagem paraverbal e não verbal pode ser utilizada para enfatizar, contradizer, negar, etc. e visto dessa maneira, classifico-os como: enfáticos, contraditórios, dêiticos, mímicos, executores, apelativos, afetivos, exibidores, descritivos, ritualísticos, desafiadores, pudicos e aprovadores.

Os recursos verbais expressam uma linguagem falada ou escrita.  Já os recursos paraverbais e não-verbais compreendem todas as manifestações de comportamento como emoções, gestos, atitudes, expressões faciais, intenções, imagens, movimentos de aproximação ou afastamento, tons de voz, vestuário ou qualquer outro elemento que possa ter significado para as pessoas envolvidas na comunicação (Silva ET AL, 2000) se pode compreender que a comunicação vem antes e vai muita além da fala como objeto de interação.
As análises efetuadas mostram que a gestualidade exerce um papel significativo na interlocução, mantendo, juntamente com a linguagem verbal, uma relação de reciprocidade, isto é, formando um conjunto funcional interdependente.  É importante que todos os elementos (verbais e não-verbais) sejam devidamente observados para que a comunicação/interação seja eficiente e carregada de sentidos.

2. A Responsabilidade Enunciativa assumida
            Para análise, especificamente neste trabalho, recorro a um texto por mim produzido como trabalho final de conclusão da disciplina de Tópicos de lingüística I, apresentado à Profª. Doutora Marise Adriana Mamede Galvão em que apresento uma caracterização dos elementos paraverbais e não verbais no discurso de sala de aula.
            Com lastro em Adam (2008), a representação discursiva é a representação de um ponto de vista, a partir de relações estabelecidas entre enunciados na atividade enunciativa. Afirma ele que:
“toda proposição-enunciado compreende dimensões complementares às quais se acrescenta o fato de que não existe enunciado isolado mesmo aparecendo isolado, um enunciado elementar liga-se a um ou a vários outros e/ou convoca um ou vários outros em resposta ou como simples continuação” (Adam 2008).
            Logo, se os enunciados estão imersos e imbricados uns aos outros é factível observar que tais construções denotam em interatividade e, por conseguinte, são permeados por vozes discursivas que co-existem simultaneamente.
            A autoria é vista por Rabatel (2010) como o assumir internamente um ponto vista, um lugar de fala enquanto seu (do autor) espaço e esse “assumir” toma representação de contribuições dele (autor) de um processo-produto-processo que inevitavelmente se coloca como constituído de múltiplas vozes. No artigo Esquemas, Técnicas Argumentativas de Justificativa e Figuras do Autor (Teórico e/ou de Vulgarização) publicado pela Revista de Antropologia dos Conhecimentos, traduzido no Brasil pela Dra. Maria das Graças Soares Rodrigues, Rabatel (id) afirma que:
a autoria interna diz respeito à questão do aporte pessoal do autor, sobre a singularidade de seu ponto de vista, no que representa sua contribuição pessoal, enquanto autor (singular ou coletivo, é tudo um, desse ponto de vista) da obra coletiva.Rabatel (2010).
            Pelo excerto, é permissível observar que é o assumir o lugar de fala no texto abre campo para as contribuições que o autor menciona. Ou seja, se resgato discursos alheios e a partir desses discursos apresento o meu ponto de vista, estou ofertando meus próprios olhares em comunhão ou não com o autor referenciado e nisto se formata a minha posição dentro da obra de responsabilidade coletiva.
Tomo a partir deste ponto o propósito enunciado anteriormente de buscar a identificação das vozes que assumo como minhas e as vozes de outrem dentro do texto elencado.

            Neste recorte, referindo-me a uma citação anterior de Efrón (1941), permito voz ao autor inicial ao dizer “o mesmo autor afirma...” assegurando que o discurso não é de minha responsabilidade, mas que comungo de suas ideias na medida em que seu construto embasa minhas palavras postas nos parágrafos seguintes.

            Quando assumo o turno de fala trago para mim a responsabilidade pelo que é dito no trecho “No quadro abaixo, mostramos a tipologia proposta pelo autor apenas como forma de demonstrar seu pensamento sem irmos mais fundo nisso.” A escolha lexical “mostramos” (em negrito) me concede – produtor do evento comunicativo – o grau de responsabilidade pelo que afirmo e igual escolha é percebida em “irmos” (em negrito).  Mesmo dentro daquilo que assumo como de minha responsabilidade evoca a voz do autor que me embasa ao fazer a escolha pela construção lexical “proposta pelo autor” (em itálico).
            Configura-se esse movimento em dialógico pela constante troca de responsabilidades dentro do texto. Se a um tempo busco trazer o discurso para a minha alçada também carrego o discurso de outrem nesse mesmo discurso como maneira de dar veracidade ao meu enunciado.
           
            Outro ponto a considerar dentro da responsabilidade pelos enunciados postos em meu texto é o fato de que ao realizar determinado enunciado, as minhas escolhas lingüísticas vão permitir a abertura de “campo” para a mudança de responsabilidade. No trecho acima inicio afirmando que em um processo interacional face a face ... etc.  caminho em meu pensamento para abrir campo na busca pela “verdade” do autor que me embase e que dá sustentabilidade ao que assumo como  de minha responsabilidade. Todo o enunciado produzido permite “chamar” a responsabilidade assumida por Knapp(1980) na classificação que ele faz para o não verbal, ou seja, o enunciador assume a responsabilidade de “abrir caminhos” para a responsabilidade de outrem.
3. Considerações:
            A construção da responsabilidade enunciativa parece caminhar lado a lado com as escolhas lexicais e linguísticas do enunciador. Ela permitirá que as muitas vozes presentes no texto se coadunem em construções semânticas permissionárias da compreensão do leitor e essa compreensão leitora denota assumir posturas frente ao texto que trarão outras vozes para dentro do próprio texto se constituindo assim uma infinda rede de interações.
 
 
 
Referências:
 
ADAM, J-M. A linguística textual: introdução à análise textual dos discursos. Revisão técnica de Luis Passeggi, João Gomes da Silva Neto. São Paulo: Cortez, 2008.
COSTA dos SANTOS; F. J.; A Conversação Dual: Uma proposta de Caracterização dos Elementos Paraverbais e Não Verbais; trabalho de conclusão de disciplina PPGEL/UFRN; Natal RN; 2011
RABATEL; A.; Esquemas, Técnicas Argumentativas de Justificativa e Figuras do Autor (Teórico e/ou de Vulgarização); In: Revista de Antropologia dos Conhecimentos; n. 3505, 2010
 



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