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   > o Relogio Roubado



Vanderlei Antônio de Araújo
      CONTOS

o Relogio Roubado


Um assaltante foi preso quando pulava o muro de uma casa. Levado para a delegacia e depois de um intenso interrogatório, ele confessou que havia roubado muitos objetos de valor em diversas residências. A polícia foi a sua casa e realmente encontrou, além de vários aparelhos eletrônicos, um bonito relógio de pulso. Depois, o meliante foi levado para fazer uma rigorosa reconstituição dos furtos. Mostrou uma a uma as casas, relacionando-as aos respectivos objetos roubados.

Depois de tudo esclarecido, o delegado mandou chamar os donos dos objetos furtados para reconhecimento e a devolução. Entre eles, estava Arnaldo Junqueira, o dono do relógio.

O dia amanhecera como tantos outros. Arnaldo sentado no sofá da sala, lia o seu jornal de frente para a rua, quando chegou o policial. Estava ali, a mando do delegado para convidá-lo a ir a delegacia reconhecer e recuperar o relógio que fora roubado de sua residência. Arnaldo não acreditou na história que o soldado lhe contara com tanta convicção. Negou que tivesse sido assaltado. Mas, por vias das dúvidas, resolveu ir a delegacia para prestar os devidos esclarecimentos.

Saiu sem dizer nada a mulher. Na delegacia, ao ver o relógio, afirmou ao delegado que o mesmo não era seu. O ladrão na certa tinha se enganado de casa. O delegado lhe assegurou que ao fazer a reconstituição dos roubos, o assaltante garantira com muita certeza que o relógio fora furtado em sua casa. Além disso, o bandido fora preso quando saía de lá.

Arnaldo tentou convencer o delegado, demonstrando que pelos seus cálculos, naquela noite, ele estava viajando a negócios e que só chegara em casa no dia seguinte, pela manhã. O relógio no braço era a prova de que estava com ele na viagem. Não havia outro relógio de pulso em sua residência, insistiu.

Criou-se então um impasse. O processo todo evoluía na direção de um final imprevisível. O delegado se encontrava diante de um dilema: queria devolver o relógio ao dono, mas este afirmava que o objeto não era seu. Para resolver a questão, mandou chamar o ladrão para confirmar a história que contara.

O meliante garantiu que o relógio fora roubado na casa da esquina, com duas palmeiras na frente, deixando Arnaldo encabulado. A descrição feita pelo assaltante não deixava dúvidas. O relógio fora mesmo roubado em sua casa. Para complicar, o bandido fez uma confissão bombástica. Disse que ao entrar no quarto ficou emocionado com o que viu, por isso resolveu pegar apenas o relógio, que estava sobre o criado, e sair de mansinho. Ao vê-los dormindo tão agarradinhos ele e a esposa, ficou encantado com tão bonita cena de amor que não roubou mais nada. Saiu silenciosamente, do quarto para não acordá-los. Quando pulava o muro, foi preso.. 

Arnaldo ficou sem saber o que dizer, não tinha como não acreditar na história que o preso contara. Aquelas palavras tão sinceras do meliante soaram terrivelmente verdadeiras em seus ouvidos e muito claras em sua mente. Ficou indignado. Não precisava de mais nada para ter certeza de que a sua mulher tinha um amante, e durante a sua ausência, dormia com ele na sua cama.



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