Busca: 

Apelido:

Senha:


Esqueci minha senha
 
  Área do autor

Publique seu texto
  Gêneros dos textos  
  Artigos (653)  
  Contos (939)  
  Crônicas (730)  
  Ensaios (169)  
  Entrevistas (35)  
  Infantil (204)  
  Pensamentos (643)  
  Poesias (2504)  
  Resenhas (129)  

 
 
Arquitetura-02-407
Airo Zamoner
R$ 104,00
(A Vista)



KALLS - O ENCONTRO
Diego Lincoln Campos
R$ 45,60
(A Vista)






   > MORRA O LUXO E VIVA O BUCHO!



VALCI MELO
      CRôNICAS

MORRA O LUXO E VIVA O BUCHO!

            É uma família bastante feliz. Composta por cinco pessoas, entre os quais, três homens e duas mulheres, esta família às vezes come o pão que o diabo amassou. Mas é feliz, mesmo porque, como filosofa dona Antonia: “Deus quer assim!”
            Na primavera (que eles chamam de verão) seu Otílio deixa a família por seis meses, vendo-a apenas mensalmente, quando a usina o libera para passar um final de semana em casa.
            Neste ocasião, ele dá à esposa o dinheiro da feira do mês e paga a conta na bodega de seu Burguês, homem de Deus, segundo o dizer de seu Otílio, “pois se não fosse ele com essa vendinha e a confiança que tem em nós, a coisa seria bem pior” - argumenta.
            Certo dia, dona Antonia cismou que seu Otílio tinha que comprar um fogão à gás; já não agüentava mais cozinhar na lenha e no carvão.
            - Tem que dá um jeitinho Otílio - disse ela. A gente tira um pouquinho daqui, outro dali, outro dacolá e compra.
            - Mas tu tem uma contina besta, mulher! Não sabes que o dinheiro não dá nem pra pagar as dívidas direito, como peste vai sobrar pra comprar o danado desse fogão?
            - Mas, Otílio, a gente vende uma rês e compra. A gente cria não é pra se arremediar mesmo!
            - Sim, mulher, mas os bichos a gente guarda pra uma precisão, não é pra estragar com qualquer besteira.
            Neste meio enquanto interveio Lulu, filha do casal:
            - Mas papai, mamãe tá certa! Para quê precisão maior que essa? - completou. A gente vive num sufoco danado... Se dá uma dor durante a noite tem que acender o fogo de carvão ou lenha pra fazer um chá...
            - Eu acho que vocês tão querendo é muita mordomia - exclamou Pedro, o filho mais velho. Onde já se viu pegar tudo o que se tem e dá num pedaço de lata porque as princesas não querem levar fumaça nem ter trabalho.
            - Sem contar, meu filho, que para fazer um negócio doido desses, a gente teria que se apertar pra danar...
            - Eu mesmo, estando de barriga cheia é o que vale! - respondeu Pedro. 
            - Mas não é questão de luxo não minha gente! Todo mundo tem um fogão à gás - disse Lulu.
           -Tá bom! Vamos acabar com essa história de fogão à gás por aqui! Sempre pobre é lascado mesmo! - disse dona Antonia, já irritada.
           - Mas isso não é questão de pobreza não, mamãe! É ruindade mesmo... Eu vejo gente por ai pior do que nós que tem um fogão à gás! -  revidou Lulu.



CADASTRE-SE GRATUITAMENTE
Você poderá votar e deixar sua opinião sobre este texto. Para isso, basta informar seu apelido e sua senha na parte superior esquerda da página. Se você ainda não estiver cadastrado, cadastre-se gratuitamente clicando aqui