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   > Classe A



Neilza Alves Buarque Costa
      CRôNICAS

Classe A

Alguém já reparou na diferença horripilante no tratamento da primeira classe e a classe econômica de um avião? Isso é notório na primeira vista, parece ser de propósito: Os de classe econômica passam e ficam se imaginando naquela cadeira larga, confortável recebendo todos os mimos de um “cliente classe A”.  Já Imaginou?
Sonhar nunca é demais, por enquanto não pagamos impostos para isso. Afinal, o mundo capitalista nos faz sonhar com o conforto...
Conto minha história: Viajei uma única vez em primeira classe. Fui cliente “classe A” (essa definição alfabética para determinar uma classe econômica sempre me confundiu).
Confesso que fiquei boquiaberta e, ao mesmo tempo, um pouco incomodada. Era muito “paparico”. Eles só faltaram me colocar no colo e cantar uma canção de ninar de minha preferência para dormir.
No voo recebi um “kit básico” com: creme dental, escova de dente, meias confortáveis para proteger os pés do frio, protetor labial – você deve pensar: como assim, protetor labial?! (Obvio que é para proteger os lindos lábios do frio) e claro que hidratante para não danificar a pele, afinal era um tratamento “classe A”. Na hora da alimentação? Recebemos um menu para escolher o cardápio, e o prato vem todo ornamentado. Comemos também pelos olhos, e o cliente “classe A” merece o melhor. Você não acha? O mimo final: A senhora gostaria de tomar chá? Temos chá de ... e... Sentada eu olhava para pessoa e pensava em quem estava lá atrás, pois estes só tinham a opção de querer ou não comer. E a entrega da alimentação é feita na produção, eles são quase jogados em nossas mãos.
Em outro voo viajando em classe econômica indo a Europa a aeromoça olhou pra mim e disse: Chá? E eu respondi: - Sim, quais opções você oferece? E ela respondeu: Só temos chá preto, vai querer? Eu sorri e aceitei.
A disparidade social e econômica ocorre em todos os espaços. Você tem o conforto que pode pagar.  Nesse caso, quem paga menos vai em cadeiras apertadas, desconfortáveis e se alimenta com o que há (isso se você quiser comer). Quem paga muito mais, tem direito a ter um atendimento do tamanho que o bolso pode pagar.
No pior dos casos, você vale o que tem. Isso demarca a coisificação humana. O humano como mercadoria que pode ser tratado de acordo com seu “valor de mercado”,  o grande risco é ser descartado caso em algum momento não valha tanto, vivemos na era do mercado especulativo. O que poderá torná-lo (a) em um em mero mortal no grande globo terrestre... E então: O que você irá querer senhor (a)?


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