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   > CARTILHA PARA QUEM?



Ana Flores
      CRôNICAS

CARTILHA PARA QUEM?

A natimorta cartilha federal do politicamente correto pretendia ensinar o cidadão brasileiro a evitar expressões como “A coisa tá preta” , ou “O time amarelou”, entre outras de conotação pejorativa, por embutirem intenções racistas. Já os comentários “Deu um branco na hora da prova” ou “Ficou branco de tanto medo”, também indicando situações delicadas, para a cartilha não soam tão mal assim. Ou seja, na própria concepção dos criadores desse manual de boas maneiras cívicas, a simples possibilidade de “preto” e “amarelo” – e não branco – serem ofensivos aos cidadãos dessas raças já traz implícita a idéia de que eles têm que ser mais protegidos que outros cidadãos. É o gato escondido com o rabo de fora.

Não vou chutar cachorro morto, já que a cartilha caiu de podre. O que não me impede de especular, aproveitando o ímpeto pedagógico das autoridades federais, sobre outras cartilhas que poderiam ser distribuídas junto com o jornal, no café da manhã., para representantes de vários segmentos da vida nacional.

Por exemplo, um manualzinho de boas maneiras para atendentes. Não estou generalizando, nem seria justo, mas serviria para alguns gerentes de setores bancários, por exemplo, que deixam a fila de espera engrossar enquanto papeiam no telefone sobre problemas particulares. Ou um tipo muito comum de atendente em guichês de repartição pública (tradicional protagonista de piadas nacionais, não sem motivo); por ignorância ou falta de educação, ou as duas coisas, responde com má vontade e impaciência a pessoas que não estão ali a passeio ou por curiosidade, mas por necessidade movida a burocracia idiota, se me permitem a redundância. Quase sempre esse tipo esquece que tanto ele como o cidadão do outro lado do guichê estão no mesmo barco, ambos precisando do serviço pelo qual os dois pagam regularmente. O tal manual serviria também para empresas de telefonia, TV a cabo, gás e energia elétrica.

Outra cartilha bem-vinda seria para os inventores de taxas e impostos, cada vez mais criativos, mas sem oferecerem o devido retorno, como qualquer pagamento que se preze. A cartilha lhes ensinaria a refrear o ímpeto taxante e aproveitar melhor a fortuna que já se recolhe aos cofres (e bolsos) públicos. Não sei em relação a outras cidades, mas no Rio, um belo dia alguém acordou com a idéia de criar o Vaga Certa para estacionamentos de rua e a alegação era que isso inibiria a proliferação dos flanelinhas. Funcionários uniformizados passaram a cobrar em locais previamente reservados para isso, das 7h de segunda-feira às 13h de sábado, além de oferecerem um canhoto de seguro junto ao tíquete. O cidadão gostou? Em parte, sim, já que teria alguma segurança como retorno de seu pagamento. Ah, mas se o cidadão gostou, não é bom. Rapidamente o horário estendeu-se para sete dias por semana, 24 horas por dia, e o canhoto de seguro virou fumaça. Ponto para os criativos. E o cidadão motorizado que deixe seu carro seguro na garagem.
Listar os segmentos que precisam de cartilhas seria um trabalho exaustivo: de repórteres e fotógrafos inconvenientes a lojas de eletrodomésticos que paparicam o consumidor na hora da compra, mas tiram o corpo fora nas reclamações. Mas não posso deixar de sugerir uma cartilha para nossos representantes parlamentares. Talvez “Os dez mandamentos do bom político” sejam em número insuficiente, mas pelo menos ... quer saber? Deixa pra lá.. Nossos espertos e inteligentes políticos sabem perfeitamente o que devem ou não fazer. E não sou eu que vou sugerir manual de bom desempenho para uma classe que, com raríssimas exceções, já deixou bem claro por que escolhe essa profissão.
Maio 2005


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