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   > O jardim de um novo Éden



Renato Angelo Poulicer
      CONTOS

O jardim de um novo Éden


        O jardim era belo. As montanhas encantavam a cena, o por-do-sol se concentrava no horizonte e o crepúsculo se aproximava. As gramíneas balançavam com a brisa quente. O rei sol já estava quase se aposentando para conceber seu lugar a rainha:a lua. Essa linda, iluminada e redonda viria para iluminar os rostos do belo casal.

     O rapaz tinha os traços serenos, o queixo era quadrado com as costeletas por fazer, os lábios eram grandes e os olhos acizentados, mas como rubis em chamas. Segurava uma maçã em uma das mãos e na outra acariciava algo maior que o fruto proibido, algo pelo qual derramaria o sangue de qualquer serpente.

    A jovem tinha os cabelos castanhos dourados, as sobrancelhas finas e as bochechas de bebê, os lábios eram bem macios e os olhos verdes trincavam ao olhar do amado.

    E lá estavam os três , agora no auge do crepúsculo. O homem, a maçã e a mulher. Mas quem era o pecado? Não se podia avistar nenhuma serpente e nenhuma gota de temor ou luxúria. As nuvens estavam mais vermelhas que nunca, momentos de carinho, de ternura até que os olhos de rubi resolveram quebrar o silêncio:

   - Imagine que essa maçã é uma bola de Cristal, o que você vê?- o rapaz está feliz, intrigado e a brisa cada vez mais fraca apenas balançava seu cabelo.

  - Meu futuro...huum...se eu tiver você eu tenho tudo-os olhos da moça brilhavam como o de uma garota verdadeiramente infeliz.Quero estar com meu gênio, meu amigo, meu amor, meu tudo.

-Eu quero você também... e mais que isso, eu quero você mais que tudo, eu construiria uma arca  e atravessaria qualquer enchente ou dilúvio para te encontrar em qualquer lugar do globo. Eu até me petrificaria ou me mumificaria para te amar para sempre se você fosse imortal.- a intensidade em sua voz dava espanto, um amor nítido.

Ela sorriu, levantou o braço direito pressionou a face do amor de sua vida e após piscar quase que em câmera lenta. Ela o beijou, de uma maneira fervorosa e colossal. Após uns instantes ela deixou escapar um sorriso torto e esboçou uma pequena piada:

-Você é um cientista, não um mágico.

Ele assentiu aquela piada sem graça, mas que é fruto de casais abobados que nem percebem o quão o amor os deixa assim. Tranquilos. Tolos. Perfeitos.

-Eu te amo-ele disse.

-Eu te amo- ela disse.

Naquele momento nada mais importava, nem se toda a água do mundo secasse ou se as múmias e escaravelhos partissem do egito e invadissem o jardim. Nada. Mas nada mesmo cessaria aquele momento. Os lábios conversavam

dois corpos, dois corações, talvez duas almas, mas somente um ser, uma existência. Quem sabe aquele não era o nascimento de uma amor que desafiaria a ciência?

   Os jovens se beijavam  ineterruptamente, a maçã já estava caída pressionando a gramínea ao redor dos jovens.E de repente com o movimento dos corpos a maçã começou a descer pelo tapete verde. Descia e levava com ela os desejos e as lamentações, mais pecados ou declarações profanas. A maçã levava a eternidade, o desejo de dois seres se cultivarem sementes, vida. A maçã não estava mordia. A mulher não a fizera ainda. A serpente só ria agir mais tarde.

 

 















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