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   > Chapeuzinho Amarelo



Kate Lúcia Portela de Assis
      ARTIGOS

Chapeuzinho Amarelo


“Era a Chapeuzinho Amarelo.
Amarelada de medo.
Tinha medo de tudo aquela Chapeuzinho.”
(Chico Buarque)
Intertextualidade. Cada vez mais, os leitores se deparam com obras que retomam outras, por meio de um processo criativo calcado no diálogo entre textos.
Pesquisas revelam que essa retomada pode reforçar e atualizar os sentidos do texto original ou subvertê-los e confrontá-los, constituindo-se esses os processos em paráfrases ou paródias, respectivamente.
De fato, os linguistas Fiorin e Savioli (1993) afirmam que todo texto é um produto de criação coletiva: a voz do seu produtor se manifesta ao lado de um coro de outras vozes que já trataram do mesmo tema e com as quais se põe em acordo ou desacordo.
Na verdade, todo texto é resultante da absorção e transformação de uma infinidade de outros textos, mas oreconhecimento dos processos intertextuais depende do conhecimento de mundo dos leitores e do seu universo de leituras, elementos que concorrem para a formação de uma Memória Textual Coletiva, conforme afirmam Mira Mateus et alii (1983).
É necessário ressaltar que os intertextos podem pertencer a diversos gêneros textuais, como a poesia, a música, as histórias em quadrinhos, os anúncios publicitários e outros. Além disso, essa retomada de uma obra por outra não acontece apenas na Literatura, mas, igualmente, na Música, na Dança, na Arquitetura, na Pintura e em outras manifestações artísticas. Isso porque a própria cultura é um verdadeiro mosaico de citações.
EmChapeuzinho Amarelo, ocorre uma retomada com base na reafirmação de alguns dos sentidos básicos da história original. Deste modo, temos uma ênfase no processo de superação do medo que a protagonista sente, sobretudo do Lobo Mau. Essa retomada cria uma situação de identificação da criança, que normalmente nutre algum tipo de medo, como medo do escuro, medo de ficar sozinha e, inclusive, medo dos vilões das histórias. Então, a criança percebe que, como Chapeuzinho Amarelo, pode superar seus medos, até porque o próprio lobo é “LO B0 LO B0 LO B0 LO B0 LO B0 LO B0 LO B0 LO B0 LO BO BO”.
Percebe-se, pois, que a intertextualidade apresenta sempre uma função e se constitui em um processo fértil de construção de novos textos. A narrativa de Chapeuzinho Vermelho possui inúmeros intertextos, que revelam a própria riqueza da obra, vista e revista sob múltiplos pontos de vista.
Afinal...
Quem conta um conto. Aumenta um ponto.
Kate Lúcia Portela é professora, Doutora em Língua Portuguesa e escritora.


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