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   > Saiu vestida de dourado



Arlete Meggiolaro
      CONTOS

Saiu vestida de dourado

Não vi a porta abrir. Entretanto, ela surgiu com o crepúsculo, por inteira vestida de dourado. Com refinamento transcendente, ela deslizava pela imensa avenida sem esquinas. Nunca soube o quanto eu era sensitiva, notei a aura dessa transbordante fidalga - ouro puro!

Caso eu saísse para andar, naquele horário, vestida dessa forma, seria alvo de olhares maliciosos, zombeteiros. Sem esquecer daquelas línguas felinas. Ah... estas línguas felinas, de algumas mulheres, tricotariam palavras deturpadas: lá vai ela para a noitada; algum ricaço a sustenta; ela vende o corpo. Típico linguajar das faladeiras e mal amadas.

Veja só! Para aquela dama ofuscante ninguém se atrevia a balbuciar palavras insultuosas. Ela não causava inveja, mas sim, adoração.

Uma vez só, eu caminhava admirando-a. Com certeza, ela sorriu para mim crespulosamente ao perceber meu olhar teimoso e matreiro. Gente!... Minhas passadas descontrolaram-se, meu peito alçou a voz e num repentino berro eu invoquei – Diga a ele que eu o amo – não me importei se alguém pudesse ouvir. Que o mundo soubesse desta verdade. Coisas de um coração lotado de amor.

Eu, muito indiscreta, estacionei resoluta a bisbilhotar. Uma onda de calor subiu dos meus pés a raiz do cabelo, quando o jovem nubiloso aproximou-se dela. Assanhadamente, ele esticou o braço, e com seus longos dedos acarinhava-a. Inegável, a d’ouro excitou-se. Aí, então, o dito nubiloso acolheu-a sob seu negro sobretudo. Para mim, ela gostou, pois não percebi relutância. Nesse minuto, eu senti uma ponta de ciúme. Quase chorei no instante da submissão. Que malvadeza! Abandonou-me no meio do transe.

Tal era minha convicção que seu olhar me desprezara, amargurada sentei-me na areia, sobre os joelhos coloquei minha testa e fechei o cortinado, entreguei-me ao namoro longínquo. Magnífico instante de sublimidade quando me reencontrei ali de fronte ao mar e olhei para o céu. A lua não se entregara ao assédio do atrevido nebuloso, como eu imaginara, ela escapuliu. Agora, livre e feliz, ela se exibe em prata-azulada. Toda garbosa, e com o firme propósito de estimular o deleite ao oceano, sobre ele deitou, com o apetite da fêmea ávida, o reflexo do atraente corpo.

Esplendoroso! Não omitirei as sensações provenientes da alma. Sim, eu engasguei com essas manifestações. Com a voz embargada pela emoção agradeci ao Pai do universo, destes meus sentimentos, e deste amor absoluto arraigado em meu ser, pela oportunidade a mim concedida. Exatamente isso: poder fazer parte da platéia terrestre, com lugar reservado na fileira praiana, e assistir a grande apoteose cósmica. Sem objeção, interatuei bradando o amor e a saudade.

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