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   > DEPOIS DO FIM DO MUNDO



GENERINO GABRIEL DE JESUS
      CRôNICAS

DEPOIS DO FIM DO MUNDO


Ufa! Os Maias acertaram a profecia. O mundo realmente acabou. Mas eu dormi tanto que não assisti ao espetáculo final. Que decepção! Esperei tanto por esse momento! Primeiro me convenceram de que o mundo acabaria no ano 2000 e nada aconteceu. Naquela ocasião, dormi com receio, morrendo de medo que o céu desabasse sobre minha cabeça. Agora, que tudo pareceu real, o sono não me deixara assistir ao espetáculo da destruição. Teria sido um tsunami, um grande terremoto que se alastrou em todo o planeta ou a explosão de uma bomba nuclear? Não sei! Pois, tudo já se encontra no devido lugar, sem nenhum sinal dos escombros.
Estou duplamente decepcionado; primeiro porque perdi o espetáculo e, depois porque agora que acordei, tudo continua igual como antes.Tudo está no seu devido lugar, embora tudo continue fora dos eixos. Este é o problema! Se nada iria mudar, qual a sentido de acabar?
Pensei, certo dia, que o final do mundo renovaria, pelo menos, as nossas esperanças; voltaríamos ao princípio, sem as maldades e as incompreensões do ser (des)humano que mais parece um animal de tão burro que se fez.
Que o mundo estava no fim, eu já sabia! Como poderia ir à frente um mundo em que pai e filho se agridem e se matam, homens que fingem-se de honestos e do bem e se digladiam pelo poder, simplesmente pela ânsia da conquista? É um mundo cheio de desavenças, de hipocrisia e, cada vez mais, distante da paz e da harmonia que tanto almejamos.
Só não compreendo porque, mesmo acabado, esse mundo não levou consigo todas as agruras sofridas por tantas pessoas! Hoje mesmo ao ligar a TV e assistir aos telejornais favoritos, ao acessar os sites preferidos, as notícias de violência, de acidentes de trânsito devido ao alcoolismo e à imprudência dos motoristas, eram as mesmas de sempre. Vi também que as drogas continuam matando jovens e adultos na capital e no interior, que os traficantes continuam, mesmo presos, dominando o pedaço...
Se acabou, não parece! Mas bem que poderia ser reinventado, pois, no ritmo atual, não vejo nenhuma saída, não enxergo salvação para a humanidade, a curto e médio prazo. É inaceitável que um ser dotado de tanta inteligência, semelhante à imagem do Criador, possa ter chegado ao estado de degradação a que chegou!
Em suma, profecias de Nostradamus e dos Maias à parte, é facilmente perceptível que o mundo começou a ruir há muito tempo, semelhante a um majestoso castelo que começa a ceder a partir das falhas do alicerce, sem que quase ninguém se dê conta. Abramos, pois, os olhos e busquemos, ao menos, por em prática os bons costumes do tempo dos nossos avós, quando vizinhos sentavam-se na calçada para uma saudável “prosa” e as pessoas mais velhas eram respeitadas pela experiência de vida que acumularam com o passar dos anos.
O mundo não acabou, mas bem que poderia ter acabado e levado consigo todas as dores que nos assolam!
 
Juazeiro/BA, 22 de dezembro de 2012.
 
Prof. Generino Gabriel – Rodelas/Juazeiro-BA
 



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