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   > Um dia no futuro: Capítulo um: 8:00 horas



Moacir Eduardo Fuck
      CONTOS

Um dia no futuro: Capítulo um: 8:00 horas

  Acordar sempre foi igual independente do ano que for.

  É um dia de outono, precisamente 21 de novembro de 2090. Está um frio equilibrado. Alpha sente certa vontade de cobrir um pouco mais seu rosto com o cobertor para espantar o frio e aquecer seu rosto, mas sabe que não é mais hora para isso, são horas de levantar. Ele estica bem os braços e contrai os músculos do seu corpo por alguns segundos, boceja fazendo ressoar um “HÃUUMM”. Senta-se na cama ainda com o cobertor sobre as pernas, está vestido com uma camiseta de malha leve e mangas curtas branca. Da umas piscadelas para lubrificar bem seus olhos, com as duas mãos puxa os cabelos meio despenteados para trás. Tira com certa vagarosidade nos movimentos a coberta das pernas, usava um lençol de um tom claro de cinza e cobertor aveludado branco como a neve. Puxa o pequeno calção que vestia desamarrotando as dobras que se fizeram entre as virilhas. Levanta-se com a ajuda do impulso das mãos sobre o colchão. Sua cama é grande e quadrada, de uns dois metros e meio de comprimento por dois de largura. O rapaz arruma cuidadosamente o cobertor em seu lugar novamente o alinhando na cama.

  Indo a janela da um toque contra um triângulo em cor negra que aponta para cima desenhado na parede branca, que em seguida ativa um mecanismo que abre a cortina deixando o sol entrar no quarto. Olha a cidade e vê algumas espaçonaves pequenas voltando da direção de uma escola perto de seu lar, da meio sorriso como alguém que acha solução de um problema de matemática, chegou a constatação que deveria ser pais que tinham levado seus filhos a escola e voltavam para casa ou iam trabalhar.

  Vira ao lado, sob a parede branca tem um espaço de mais ou menos um metro de altura por dois de largura que parece pintado de uma cor preta fosca. Ali ele passa a mão que liga instantaneamente um monitor sensível ao toque que lhe mostra a hora, data e temperatura do ambiente e da cidade. No seu apartamento está 14°C, 4°C lá fora, são 8:04 a.m. horas. Com um clique sobre a temperatura externa aparece a previsão do tempo com uma pequena animação de um sol entre nuvens. Dando uma rápida deslizada com a mão sobre o ecrã da tela um menu principal do dispositivo aparece mostrando várias miniaturas animadas de aplicativos do sistema. Como fundo de tela tem a foto de um menino sentado em uma cadeira de rodas abraçado com um homem de meia idade de barba e cabelos desgrenhados rindo, Alpha sorri triste como alguém com memorias de um passado perdido. Ele toca sobre uma animação do menu que estava escrito “Noticias”. La abre uma dezena de canais televisivos de noticias com miniaturas de sua programação em tempo real, em cima das miniaturas aparece pequenas caixas de texto com noticias do dia, ele clica na terceira miniatura escrito N.E.News – ou seja noticias da Nova Inglaterra.

- Pesquisadores revelam que esta é a melhor faze da raça humana sobre a terra - Diz com entusiasmo o repórter. - Além de vivermos no tempo mais tecnológico das eras, gozamos da melhor situação ecológica desde a revolução industrial. Veja a matéria com nosso correspondent...

  Alpha fecha a programação arrastando as duas mãos sobre a tela até se encontrarem, como se na primeira frase do jornalista desgostasse sua matéria.

  Se dirige a finas linhas negras que marcam a parede logo ao lado, essas linhas demarcam um retângulo de sua altura e de uns três metros de largura. Tocando a parede no espaço interno da linha retangular, esta começa a se dividir ao meio revelando um amplo guarda roupas com uns quatros metros de profundidade. Ali ficam muitas roupas em cabides eletrônicos - que ao toque em sensores elas se contraem, fechando um arco, que larga as roupas - e na parte de cima cabides de chapéus com várias boinas. Alpha da o primeiro passo guarda roupas a dentro. Luzes de um branco claro ascendem em duas linhas de um pé de largura sobre sua cabeça no teto, elas se espaçam em meio metro, os cabides são todos fluorescentes e emanam um sútil brilho. Vai até o final do guarda roupas e no lado esquerdo, em um pequeno quadrado negro toca abrindo uma grande gaveta cheia de toalhas lado a lado, como livros de uma biblioteca, puxa uma toalha de formato xadrez com cores escarlate e verde claro, a joga sobre o ombro. Vira de costas à gaveta, que se fecha.

  Dirigindo-se novamente a seu quarto sai do guarda roupas. Desce três degraus que dão acesso a sala de estar. Uma sala ampla e clara que faz divisa com um grande balcão da cozinha. Na sala há um sofá branco e baixo, de tamanho grande, ao lado um sofá divã que parece ser do mesmo conjunto de mobílias do outro sofá. Ao meio da sala tense uma mesa de centro, de vidro e metal, com uma pequena replica em gesso branco do Davi de Michelangelo e em seu lado a um grande livro de capa negra que eles chamam de “Biblioteca das Eras”.

  Por um pequeno corredor, a direita de onde desceu, ele toma rumo indo ao banheiro no final do corredor. Chega abrindo a porta que é um pouco diferente do resto das portas da residência, é uma porta com uma fechadura antiga cor de ouro e de pequenos desenhos irregulares, logicamente por um motivo estético.

  Adentra em um novo ambiente, bem iluminado com uma cor branca. Nas paredes há vários desenhos dentro de pequenas linhas retangulares, um de um vaso sanitário, de uma pia com outro pequeno desenho de toalheiro a seu lado, de um chuveiro e banheira na extrema direita. Se dirigindo a ilustração de vaso sanitário ele pressiona o seu simbolo que faz abrir uma pequena escotilha elevando do solo um belo dejetório, de uma cor negra parecida a do mármore, que ele usa para urinar. Após terminar a tarefa ele coloca sua mão perto de uma luz avermelhada que sai do topo do vaso sanitário, responsável pela descarga, que além de água lança um líquido vermelho desinfetante que cheira lavanda sobre a urina. Clicando novamente no simbolo da privada ela desce novamente ao seu lugar abaixo do solo do banheiro.

- Tocar musica The Arrival of the Queen of Sheba, compositor George Frideric Handel, volume de banho.- Fala Alpha.

  No mesmo instante começa ecoar a linda composição de Handel. Uma canção que podia transformar a personalidade das pessoas. Fazê-las imaginar mesmo em 2090 estar vivendo em uma época de castelos, reinos em paz e numa corte rodeadas de personalidades finas e educadas. O poder da música!

  O rapazote, que tinha por volta de 17 anos de aparência, começa a despir-se para entrar no banho. Primeiro retira a camiseta, deixando exposta suas costas e fronte superior. Tem uma pele branca do mesmo tom de seu rosto, que parece ter ficado anos sem pegar o sol, uma pele lisa e sem manchas. Logo tira sua roupa debaixo, o que lhe assemelha com uma escultura da renascença italiana, um corpo liso, esguio e sem músculos aparentes. Deixa sua chinela de lado.

  Vai em direção ao desenho de um chuveiro, sobre a parede branca esmaltada empurra sua mão - clara, longa e fina com unhas rosadas da cor de seus lábios, apenas um tom mais claras - que faz aparecer pequenos furos no teto formando um circulo de aproximadamente uns trinta centímetros de diâmetro. No lugar do símbolo do chuveiro aparece um pequeno monitor sensível ao toque que tem um círculo com outro dentro. O circulo externo está em um azul marinho enquanto o de dentro vermelho como fogo, ambos em uma cor meio apagada com pequenas bordas que parecem adquirir seu brilho total. Movendo o dedo indicador sobre o circulo azul em sentido horário Alpha o faz ficar com um tom mais forte, à medida que a cor se espalha com o toque faz cair água sobre ele com mais pressão vindo dos poros que tinham se aberto no teto. O círculo interno, o vermelho que ajusta a temperatura da água, no mesmo instante que o liquido começa a cair, vai adaptando automaticamente a temperatura do banho, dando uma temperatura agradável ao usuário do chuveiro. O jovem ajusta a água ao seu gosto. Ao passo que a água desce por seu corpo levanta seu rosto sobre a queda da água, fechando os olhos e por uns segundos mantém o rosto para o ar sentindo a água. Isso talvez seja algo que prende as pessoas ao banho, sentir a água morna sobre o corpo e rosto, as pessoas gostam disso, é algo que infelizmente os robôs não podiam entender direito. À medida que Alpha encharca seu fino cabelo fica todo grudado em mechas e caia sobre os olhos. Com o comando de voz “ensaboar” misturado a água por alguns segundos cai um sabão liquido, o rapaz da um passo ao lado onde não corre a água e se ensaboa. Volta logo a água pra enxaguar-se.

  “Alguém está na porta”, diz o computador da residência. Na tela de controle se vê em vez de sua regulagem um aviso que alguém esta na porta. Enquanto com a mão direita Alpha retira o sabão do corpo com a esquerda toca a tela dando alguns comandos que mostram a imagem de quem está a porta. Vendo ser Nicolas seu robô serviçal simplesmente volta a seu banho, abanando a cabeça com um sorriso, analisando que o seu mordomo deveria estar pensando em uma resposta a ele pelo atraso.

  O robô faz isso mesmo no corredor do luxuoso prédio. “Maldita promoção de calças”, pensa o pobre Cyber humano. Ele pode ser um Robô, mas ele é um dos raros, ele age e pensa como um humano. Até onde se sabe há apenas 3 máquinas como Nicolas ativas no mundo.

  O Robô se chama assim porque foi construído com base no ator Nicolas Cage, um influente ator do século XXI. Sua aparência é como o artista quanto tinha 40 e poucos anos. Alguns, mesmo agora depois de o ator já ter morrido a anos, ainda ficam olhando para o ser de inteligência artificial como se o conhecessem de algum lugar. Nicolas não é perfeito, é como um humano vulgar e comum. Ele é meio inseguro e tem muitas manias. O ser humanizado tem a estranha mania de ficar se olhando em frente ao espelho com o rosto destampado, revelando seus músculos artificiais de cor azulada, o que assustaria qualquer velhinha. O hábito de se olhar no espelho com a face descarnada vem de querer se lembrar que apesar de tudo não é humano. Seu hobbie preferido é escutar óperas, constantemente convidando seu patrão Alpha que considera como um sobrinho ou irmão mais novo, ambos compartilham gostos parecidos. Parece apenas mais um humano peculiar aos olhos dos outros.

  O Robô humano abre a porta depois de digitar o código de segurança. Está usando um sobretudo negro, e tem na mão esquerda 2 sacolas de supermercado. No corredor observa procurando alguém acordado apartamento a dentro, mas as luzes estão apagadas e ascendem com sua passagem, não vê ninguém. Na cozinha, tudo está como no dia anterior. Tem ao centro uma grande mesa retangular de vidro quase fosco, uma geladeira ovalar grande de cor prata espelhada, uma pia e pequena bancada, e um fogão tocado a Hidrogênio. O chão dali é branco e brilhoso. Na mesa o empregado deposita as sacolas.“Os meninos devem estar dormindo”, pensa o Robô. Os meninos que ele pensou estão mais pra homens, ou jovens adultos. Christofer tem quase 18 anos e Alpha aparentemente tem 16 ou 17. Puxa uma cadeira e senta-se, olha a mesa de dedos cruzados, imerso em pensamentos de o que quer fazer, possibilidades do que Alpha e Christofer vão lhe pedir, em as calças que comprou...

- Bom dia! - diz Alpha acenando sorridente, com a tolha enrolada sobre as pernas até o umbigo. - Vou ali me vestir já volto.

- Bom dia senhor, desculpe meu atraso é que... - Nicolas tenta se explicar.

- Tudo bem, acabei de acordar e o Christofer ainda esta dormindo. - Alpha fala enquanto dirigi-se ao seu guarda roupas, que também costuma usar como trocador, que fica do lado de sua cama e é em um piso mais alto que o da cozinha e sala de estar, mas seu quarto é visível de ambos os cômodos.

  Christofer ainda dorme em seu quarto, que fica na mesma altura do de Alpha e do lado direito de quem vem do corredor de entrada do apartamento.

- Achei uma promoção de calças e o senhor sabe que minha situação econômica não é tão favorável.- Diz o Nicolas falando alto o suficiente pra Alpha poder escutar mesmo lá no guarda roupas. - Comprei uma meia duzia delas, tem bom acabamento e são baratas. Tinha umas camisetas boas também comprei uma para o Christofer, acho que ele vai gostar. Ele ainda esta dormindo?

- Mesmo com nossa essa gritaria acredito que sim. – diz Alpha com sua voz parecendo abafada dentro do grande roupeiro. - Ontem ele ficou acordado até tarde, acho que estava jogando algum jogo novo. Ficou na sala com seu óculos de projeção rindo sozinho e fazendo alguns movimentos rápidos com as mãos, convidou pra mim compartilhar a tela com ele e jogar. Mas eu precisava descansar bem para hoje então resolvi deixá-lo jogando sozinho.

  Alpha escolhe como roupagem calça de malha negra, camiseta de mesma cor das calças, um sobretudo de moletom fino cor musgo escuro, um tênis de cano longo preto de cadarços verdes como seu longo casacão. Pega uma boina xadrezada em verde escuro e preto, seu óculos de projeção coloca no bolso do casaco. Sai do guarda roupas e fica em frente ao telão negro, aquele que antes tinha visto noticias, com um comando de voz “espelho” faz aparecer sua imagem. Tem o cabelo loiro claro de tamanho médio, olhos azuis acinzentados claros, sobrancelhas ligeiramente angulosas. Do bolso tira um pequeno pente que usa para pentear o cabelo para traz, põem a boina sobre a cabeça dando uma pequena ajeitada.

  Após se ajeitar com passos rápidos se dirige a cama de Christofer com o objetivo de acordá-lo para o café. Desce rapidamente a pequena escada que da pra sala e sobe a que dá para o quarto de seu irmão. Encontra no cômodo do irmão o próprio em um sono profundo, dormindo de lado, com um pé descoberto, braço esquerdo pra fora das cobertas e de boca aberta contra o travesseiro fazendo uma pequena poça de saliva. Chega próximo querendo acordá-lo pra tomar café, porém sente empatia pelo sono do irmão, balança a cabeça e segurando levemente a coberta cobre o irmão onde estava descoberto. Porém o rapaz acorda, inconscientemente, talvez pela sombra projetada por Alpha.

- Que horas são? - pergunta Christofer com um olho só aberto fixo em Alpha, logo depois de falar passa as costas da mão na boca.

- São mais ou menos 8:15 da manhã. O Nicolas já chegou, quer ir tomar café? - Responde Alpha.

- Já vou lá, só vou espantar o sono. Que costume ruim vocês pegaram do pai esse de acordar cedo.- diz isso sentado na cama esfregando os olhos de sono.

  Alpha fez um positivo com a mão direita. Vai em direção a cozinha olhando o chão para não tropeçar em algum tênis ou sapato do irmão. Chega à cozinha onde o Robô já está depositando as xícaras na mesa.

- Comprei peito de peru defumado como o senhor gosta. O pão é daqui da padaria da frente está fresco. Uma jovem, de nome Alice, perguntou de você. Conhece ela? - Diz Nicolas dividindo olhar entre o patrão e a arrumação da mesa.

  Puxando uma cadeira Alpha senta-se, parece pensar olhando em direção a grande geladeira ovalar de cor prata. - Conheço. – diz Alpha. – É uma garota simpática, mais que a média. Não sou muito experiente em relações humanas, mas acho que ela espera que eu a convide pra conversarmos.

- Isso talvez seja bom. - Diz Nicolas inocentemente, como se por alguns segundos fosse um adolescente. - Comigo já teve muitas assim. Mas não é muito bom eu seguir qualquer instinto humano quando uma mulher pode descobrir que saiu com um Robô. - Acrescentou rindo.

- É verdade nós dois temos grandes segredos que os outros não podem, nem devem, saber. - Diz Alpha dando um leve sorriso com o que o Robô falou, mas ao mesmo tempo sério com suas palavras.

  A mesa foi arrumada Nicolas pôs o pão, margarina, mel, salame, apresuntado de peito de peru defumado - a comida predileta de Alpha -, queijo, leite morno e de temperatura normal, café preparado de um modo a deixá-lo forte e os talheres por último.

  Duas fatias de apresuntado, uma de queijo e margarina com sal foram no pão que Alpha logo em seguida mordiscou.

- Hum! Uhum! É de boa qualidade o apresuntado – diz Alpha. –. Boa escolha Nicolas. Outro dia o Christofer trouxe um que parecia feito de nervo de Peru em vez de carne. Comprou aonde?

- A obrigado senhor - Nicolas fala meio se repiscando de alegria, gostava muito de acertar o que os outros apreciavam -, mas foi mais sorte que boa escolha. Apenas vi uma nova loja de carnes do lado de um restaurante, aqui mesmo na Quinta Avenida, e, dando uma corrida de olhos vi lá seus amados presuntos. Eu achei um pouco caros, mas acredito que seja de baixo valor em relação a sua renda. Foram 45 dólares o apresuntado fatiado com 8 fatias. Ent...

- Bom dia senhores do presunto! – interrompe Christofer pegando rapidamente uma fatia de Peru.

  Os outros deram um bom dia, embora o de Alpha saiu abafado, estava de boca cheia.

- Enquanto mijava ouvi sussurros estranhos. - diz Chritofer que parece um ninja ao arrumar sua pequena refeição - Robôs apaixonados, empregadas de padaria carentes, segredos que ninguém pode saber, do que se trata tudo isso?

- Se algum de nós fosse tonto o suficiente como a coitada da Clara, nossa ex-empregada, repetiríamos toda a historia que você bem sabe. - Retruca Alpha, que está acrescentando leite ao café.

  Nicolas solta uma gargalhada. Os dois irmãos fitam sérios o Robô que engole o riso e pede desculpa. No mesmo momento os dois irmãos soltam sonoras risadas. “Vocês me pegaram”, diz o Robô dando um sorriso encabulado.

  O óculos projetor de Alpha começa a fazer um som de alerta baixo, agudo e estridente. Algo como um “Pi Pi Pi”. Colocando-o nos olhos aparece ao lado de muitos menus, que contrastam com a imagem natural de Christofer e Nicolas na mesa da cozinha, uma foto. É a foto de um velho branco, de cenho franzido e poucos cabelos. Abaixo da foto está escrito claramente “atender Martin Jackson?”. Alpha leva sua mão ao lugar de onde essa palavra parecia se projetar movendo-a rapidamente.

- Olá rapaz. - diz o idoso. Ele está transmitindo sua imagem em vídeo. Por incrível que pareça, está sorridente e amigável em contraste a sua foto.

- Olá Martin – Diz Alpha, que ao falar em voz alta todos os outros dizem “olá Martin” em bom som.

- Pelo que escuto está toda a família reunida, isso é bom. Bem, liguei apenas para ver se estava tudo ok, se estão todos preparados e bem descansados pra hoje à noite. Hoje é um dia importante para todos nós da Renascer e um dos mais importantes passos para nova era. - Complementa o homem idoso.

- Sim está tudo correndo ordeiramente Martin. Hoje à tarde irei ai no quartel fazer o trabalho costumeiro e planejar as últimas etapas de preparação para transmissão de nossa mensagem.

- Bom, bom... Estou feliz por estar tudo dando certo. Conversamos mais à tarde então. Até mais. - Disse Matin enquanto pega um café que foi alcançado por alguém e fez uma pequena reverência com a cabeça agradecendo o café.

  Alpha despede-se desligando a chamada. Fica muito pensativo. Engole apenas pequenas porções de café. Até mesmo os outros ficam em silêncio. Todos eles sabem o que esse dia representa, tudo que o pai deles havia lutado por décadas antes de morrer por esse mesmo ideal. Eles de certo modo prevem a reação das pessoas que não entendem a posição da sociedade Renascer, pois não sabem o que eles sabem e não viram o que eles tinham visto. Vai ser um gole seco e amargo a humanidade essa mensagem que eles tem reservado pra essa noite. Não será fácil fazer os homens cuspirem seis mil anos de mentira com um gole de verdade. Mas se esse foi o método escolhido, deve ser aplicado.

- Vamos patinar um pouco no gelo? - Diz Alpha interrompendo o silêncio após pensar por quase um minuto. - Eu tenho a manhã inteira livre e não quero ficar aqui trazendo à tona pensamentos negativos.



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