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   > Coisas de Português



MARCOS DAVID BITTENCOURT LEAL
      CONTOS

Coisas de Português

 Coisas de Português
 
Marcos David
 
         A crise no continente europeu trouxe desequilíbrio em muitos países, e entre eles o nosso colonizador. Portugal, também vem passando por um momento difícil e sua população na busca de melhores dias vem especulando o crescimento de países emergentes e a possibilidade de riqueza e sobrevivência em outras terras.
Em uma conversa com um grupo de amigos num happy hour, dois senhores comentavam:
- Manoel então tu não sabe? Estive no Brasil há alguns anos e percebi que o País vem crescendo assustadoramente, suas economias têm melhorado e os níveis de desemprego vêm baixando em grande escala.
Entre uma taça de vinho e outras, um senhor sentado a fumar seu exuberante cachimbo:
- Também venho a observar nos noticiários, e se encontrar alguém que tenha coragem para fazermos uma sociedade eu viajarei para lá, pois aqui já não tem mais condições de ganhar dinheiro.
A conversa foi ganhando forma á medida que as jarras de vinhos eram absorvidas e mais pessoas entravam na conversa.
Dias depois no mesmo local...
- Tu me disseste que tem coragem de partir para o Brasil se encontrasse alguém que tivesse uma proposta de sociedade?
- Sim. E então?
- Estive a pensar. Quando por lá andei, fiquei a observar como ganha dinheiro os taxistas daquele país. E se tu tiveres realmente coragem vamos comprar um taxi e ganhar muito no Rio de Janeiro.
Ficaram por horas conversando e chegaram a uma conclusão. Iria para o Brasil ganhar dinheiro e depois voltariam para levar os familiares.
Chegaram ao Rio de janeiro, acomodaram-se num hotel, e em pouco tempo compraram um táxi, passaram meses sem dar noticias, todos os amigos ansiosos aguardando informações de como estavam, para também imigrarem em busca de uma vida melhor para que pudessem dar mais segurança a seus filhos nas conquistas para um futuro promissor.
Era inverno, como de costume grupos de amigos encontrava-se numa cantina todo final de tarde após a jornada do dia a dia.
- É... O Manoel e Joaquim não deram mais noticias!
- Ora, pois. Quando se ganha dinheiro quem vai se lembrar dos pobres.
E no auge da conversa alguém olha para a porta se abrindo.
- Olhem é o Manoel e o Joaquim.
Precipitam-se ao encontro dos dois, na busca de informações e curiosos para saber como fazer para ganhar dinheiro.
- Caros amigos! Como estão?
- Valdemar mais uma jarra e duas taças aqui. 
Os dois aproximaram-se, as taças foram levantadas para os brindes.
- Então nos conte, com estão por lá? Está cumprido o que disseram, vieram buscar as famílias?
O suspense era imenso todos ansiosos aguardando para saber das novidades e das oportunidades de crescimento. Manoel após virar a taça olhou para todos os presentes no grupo e com voz solene e triste, falou:
- Caros amigos, País de se viver é aqui, mesmo com todas as dificuldades, mesmo com toda a crise, aqui ainda é o melhor país do mundo.
O grupo ficou sem nada entender. E desta vez foi o Joaquim que completou:
- É patrício, realmente estávamos enganados.
- Então o que houve?
Perguntou o dono da cantina do lado de dentro do balcão.
- O que houve, Compramos o taxi com todas as nossas economias e ficamos todos estes meses por lá. Acredite, trabalhamos todos os dias de domingo a domingo até acabar todo nosso dinheiro e não ganhamos nem um centavo.
- Não entendo!
Murmurou outro.
- Saiamos das 06h00min ate as 22 e não apanhávamos uma só pessoa, até parece que éramos invisíveis.
Um rapaz que os observava ficou a ouvir a conversa.
- Me desculpem. Vocês estavam com um taxi no Rio de Janeiro e durante todo este tempo não apanharam um só cliente?
- É meu jovem.
- Me desculpem mais uma vez. Mas como era que vocês faziam, dá para me explicar? Pois sou brasileiro e do Rio de Janeiro, e realmente não estou entendendo.
- Ora, pois! Saia nas avenidas eu a guiar o veiculo e o meu sócio Manoel ao meu lado a mim acompanhar, e ninguém nos parava solicitando a corrida.
- Ah agora entendi.
Falou o rapaz com ar de deboche, deixando o dinheiro da sua despesa sobre o balcão abanando a cabeça e retirando-se lentamente.
- Coisas de Português...
 


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